Sábado, 20 Outubro 2018

povosemmedo

 

A imprensa tem noticiado a ocupação que o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) fez em um terreno localizado no município de São Bernardo do Campo (SBC), em frente à Scania no Grande ABC paulista, a empresa sueca onde começaram as greves metalúrgicas em 1978 que colocaram abaixo a Ditadura Militar.

A construtora que quer remover as oito mil “famílias invasoras” devia meio milhão de reais em impostos e pretende construir prédios numa região que tem se valorizado muito por causa da especulação imobiliária.

Os Sem Teto receberam solidariedade de pessoas famosas, inclusive de vários artistas globais. Teve muita repercussão a visita de Caetano Veloso que tentou fazer um show no local, mas que acabou sendo proibido. A visita aconteceu no dia anterior à enorme passeata, de 23 quilômetros até o Palácio dos Bandeirantes, a sede do governo do Estado de SP, que reuniu mais de 20 mil pessoas. Uma nova audiência de conciliação ficou marcada para o mês de dezembro.

O que mais chama a atenção da luta dessas pessoas é que ele está acontecendo em momento de grande paralisia do movimento e massas. A greve dos professores gaúchos se manteve no âmbito estadual. A greve dos trabalhadores dos Correios, apesar da ampla adesão dos carteiros, não impactou a produção e se manteve sob o controle da burocracia, principalmente dos setores mais pelegos.

Uma política de criminalização da pobreza

A política de habitação no Brasil é orientada aos lucros das construtoras e empreiteiras. Esse foi o eixo também do Programa Minha Casa Minha Vida.

Os déficits habitacionais são enormes, os espaços urbanos são controlados por grandes proprietários e impera a criminalização dos movimentos de luta por moradia, além da febre das reintegrações de posse contra as ocupações.

O regime burguês tem aumentado a militarização nos grandes centros urbanos, o que representa uma verdadeira “higienização social” imposta pela especulação imobiliária em busca da valorização de seus empreendimentos cada vez mais concentrados. Os moradores da periferia e principalmente quem ameaça a grande propriedade privada são constantemente ameaçados pela polícia.

O governo de São Paulo de Geraldo Alckmin vem descarregando todo o peso desta crise sobre os ombros da população da periferia que sempre tem pagado pelos desmandos do capital. Além de estar comprometido com os lucros dos acionistas de empresas públicas, como a Sabesp, há os cortes nos investimentos em gastos públicos e em infraestrutura que resolveria em parte o problema.

É preciso lutar pela articulação dos movimentos sociais para enfrentar o recrudescimento do regime político, como componente da luta pela unidade da classe operária e dos trabalhadores contra esse sistema explorador e gerador de miséria.

Por que o grosso dos trabalhadores não se levanta?

As pessoas que participam do acampamento de SBC expressam o aumento da crise no Brasil. Muitas pessoas acampadas dizem que perderam o emprego e agora precisam tomar uma decisão, comer ou pagar o aluguel. O grau de radicalização da luta ainda é relativamente fraco e, em boa medida, ele é canalizado para os mecanismos institucionais pelo núcleo central da liderança do MTST. Mas a fervura do descontentamento social continua esquentando.

Uma pergunta que paira na mente da maioria da população é o porque os trabalhadores não se levantam perante os ataques do governo e do grande capital. Há o problema da recessão, que gera o medo do desemprego. Há a traição da esquerda e da burocracia que se apropriaram dos órgãos de defesa dos trabalhadores que foram construídos por meio de muitas lutas. Mas o aperto, os ataques, continuam aumentando. A crise do capital é enorme e, por esse motivo, se vê obrigado, a escalar os ataques para estabilizar a crescente queda da taxa de lucros.

No próximo período, haverá estouros sociais, como reação inevitável aos crescentes ataques, que tendem a ser grandes e a acontecer em escala mundial. 

  

Nacional

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