Sábado, 20 Outubro 2018

marxengels

Os grupos esquerdistas sectários adotam, com relação aos centrais sindicais ou sindicatos, uma política de autoisolamento, não intervindo de forma revolucionária nos mesmos.

Ao longo de nossa militância política, desde o final dos anos 70 do Século passado, vivemos a experiência da OSI (Organização Socialista Internacionalista), lambertista, hoje jornal “O Trabalho” que, à época, defendia a formação de “sindicatos livres”, contra os sindicatos tradicionais, por considerá-los pelegos e imprestáveis para o desenvolvimento de uma política sindical revolucionária.

Embora a formulação fosse sectária, na prática ela se chocava com a realidade, pois a OSI intervinha em vários sindicatos, como os dos Bancários, Metalúrgicos, Coureiros, Vidreiros, sendo que inclusive participava das diretorias dos mesmos.

Ao que recordamos, somente houve uma caso em que aparentemente a “política dos sindicatos livres” deu certo. Foi em Belo Horizonte, onde surgiu o Sindicato dos Trabalhadores da Educação, mas acreditamos que mais pelo fato de ser um caso extremo, porque o sindicato oficial era na verdade fantasma.

Ainda na OSI, vivenciamos um exemplo internacional dessa política de autoisolamento esquerdista e sectário. A OSI juntamente com o OCI (Organização Comunista Internacionalista) francesa, o Partido Obrero Revolucionário, da Bolívia, a Política Obrera, da Argentina, e alguns grupos formavam o Corqui (Comitê pela Reconstrução da IV Internacional).

Havia também uma seção chilena no Corqui, a qual interveio nos sindicatos, mesmo durante a ditadura de Pinochet.

A OCI francesa atacou os militantes chilenos, acusando-os de colaborar com os fascistas, enquanto eles foram defendidos por POR boliviano e PO argentina.

“Não podemos escolher por nosso gosto e prazer o campo de trabalho nem as condições em que desenvolveremos nossa atividade. Lutar para conseguir influência sobre as massas operárias dentro de um estado totalitário ou semitotalitário é infinitamente mais difícil que numa democracia. Isto também se aplica aos sindicatos cujo destino reflete a mudança produzida no destino dos estados capitalistas. Não podemos renunciar à luta para conseguir influência sobre os operários alemães simplesmente porque ali o regime totalitário torna essa tarefa muito difícil. Do mesmo modo, não podemos renunciar à luta dentro das organizações trabalhistas compulsórias, criadas pelo fascismo. Menos ainda podemos renunciar ao trabalho sistemático no interior dos sindicatos de tipo totalitário ou semitotalitário somente porque dependam, direta ou indiretamente, do estado operário ou porque a burocracia não dá aos revolucionários a possibilidade de trabalhar livremente neles. Deve-se lutar sob todas essas condições criadas pela evolução anterior, onde é necessário incluir os erros da classe operária e os crimes de seus dirigentes. Nos países fascistas e semifascistas é impossível concretizar um trabalho revolucionário que não seja clandestino, ilegal, conspirativo. Nos sindicatos totalitários ou semitotalitários é impossível ou quase impossível realizar um trabalho que não seja conspirativo. Temos de nos adaptar às condições existentes nos sindicatos de cada país para mobilizar as massas não apenas contra a burguesia, mas também contra o regime totalitário dos próprios sindicatos e contra os dirigentes que sustentam esse regime.”

Os bolchevique-leninistas encontram-se nas primeiras fileiras de todas as formas de luta, mesmo naquelas onde se trata somente de interesses materiais ou dos direitos democráticos mais modestos da classe operária. Tomam parte ativa na vida dos sindicatos de massa, preocupando-se em reforçá-los, em aumentar seu espirito de luta. Lutam implacavelmente contra todas as tentativas de submeter os sindicatos ao Estado burguês e de subjugar o proletariado pela "arbitragem obrigatória" e todas as outras formas de intervenção policial não somente fascistas, mas também "democráticas". Somente tendo como base este trabalho é possível lutar com sucesso no interior dos sindicatos contra a burocracia reformista e, em particular, contra a burocracia stalinista. As tentativas sectárias de criar ou manter pequenos sindicatos "revolucionários", como uma segunda edição do partido, significam, de fato, a renúncia à luta pela direção da classe operária. É necessário colocar aqui como um princípio inquebrantável: o auto-isolamento capitulador fora dos sindicatos de massa, equivalente à traição da revolução, é incompatível com a militância na IV Internacional.(Leon Trotsky, “Sindicato na época de decadência imperialista”, agosto de 1940).

A política de autoisolamento hoje em dia segue sendo aplicada por grupos esquerdistas sectários como a LBI (Liga Bolchevique Internacionalista) e seu filhote, a FCT (Frente Comunista dos Trabalhadores) no concernente à política divisionista da CSP-Conlutas (Central Sindical Popular) com relação à CUT (Central Única dos Trabalhadores), em claro seguidismo do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores  Unificados).

A LBI e a FCT em seguidismo ao PSTU impulsionaram a CSP-Conlutas, sendo que a LBI agora a acusa de ser uma organização pró-imperialista.

Concretamente, os referidos grupos viraram às costas aos trabalhadores, ignorando a principal central de trabalhadores do País.

Isso não fica impune, pois o PSTU acabou apoiando o golpe e rachou ao meio, com o surgimento do MAIS (Movimento de Alternativa de Independente Socialista), enquanto a LBI e a FCT transformaram-se apenas em blog, limitando-se a uma existência meramente virtual.

“Sob a influência da traição e da degenerescência das organizações do proletariado nascem ou se regeneram, na periferia da IV Internacional, grupos e posições sectárias de diferentes gêneros Possuem em comum a recusa de lutar pelas reivindicações parciais ou transitórias, isto é, pelos interesses e necessidades elementares das massas tais como são Preparar-se para a revolução significa, para os sectários, convencerem-se a si mesmos das vantagens do socialismo. Propõem voltar as costas aos "velhos sindicatos, isto é, às dezenas de milhões de operários organizados, como se as massas pudessem viver fora das condições da luta de classes real! Permanecem indiferentes à luta que se desenvolve no seio das organizações reformistas, como se pudéssemos conquistar as massas sem intervir nesta luta! Recusam-se a distinguir, na prática, a democracia burguesa do fascismo, como se as massas pudessem deixar de sentir essa diferença a cada passo!

Os sectários só são capazes de distinguir duas cores: o branco e o preto. Para não se expor à tentação, simplificam a realidade. Recusam-se a estabelecer uma diferença entre os campos em luta na Espanha pela razão de que os dois campos têm um caráter burguês. Pensam, pela mesma razão, que é necessário ficar neutro na guerra entre o Japão e a China. Negam a diferença de principio entre a URSS e os países burgueses e se recusam, tendo em vista a política reacionária da burocracia soviética, a defender contra o imperialismo as formas de propriedade criadas pela Revolução de Outubro.

Incapazes de encontrar acesso às massas, estão sempre dispostos a acusá-las de serem incapazes de se elevar até as ideias revolucionárias.

Uma ponte, sob a forma de reivindicações transitórias, não é absolutamente necessária a esses profetas estéreis, pois não se dispõem, absolutamente, a passar para o outro lado do rio. Não saem do lugar, contentando-se em repetir as mesmas abstrações vazias. Os acontecimentos políticos são para eles ocasião de tecer comentários, mas não de agir. Como sectários, os confusionistas e os fazedores de milagres de toda espécie recebem a cada momento chicotadas da realidade, vivem em estado de continua irritação, queixando-se sem cessar, do "regime" e dos "métodos" e entregando-se a intrigazinhas. Em seus próprios meios exercem ordinariamente, um regime de despotismo. A prostração política do sectarismo apenas completa, como sua sombra, a prostração do oportunismo, sem abrir perspectivas revolucionárias. Na política prática, os sectários unem-se a todo instante aos oportunistas, sobretudo aos centristas, para lutar contra o marxismo.

A maioria dos grupos e grupelhos sectários desse gênero, que se alimentam das migalhas caídas da mesa da IV Internacional, levam uma existência organizativa "independente", com grandes pretensões, mas sem a menor chance de sucesso. Os bolchevique-leninistas podem, sem perder seu tempo, abandonar tranquilamente estes grupos à sua própria sorte.

Entretanto, as tendências sectárias encontram-se também em nossas próprias fileiras e exercem uma funesta influência sobre o trabalho de certas seções. É uma coisa que é impossível suportar um único dia a mais. Uma política justa quanto aos sindicatos é uma questão fundamental de pertencer à IV Internacional. Aquele que não procura nem encontra o caminho do movimento de massas não é um combatente, mas um peso morto para o Partido Um programa não é criado para uma redação, uma sala de leitura ou um clube de discussão, mas para a ação revolucionária de milhões de homens. O expurgo das fileiras da IV Internacional do sectarismo e dos sectários incorrigíveis é a mais importante condição dos sucessos revolucionários.” (Leon Trotsky, “Programa de Transição da IV Internacional, setembro de 1938).

Por outro lado, é importante frisar a advertência de Trotsky: 

“Se é criminoso voltar as costas às organizações de massa para se contentar com facções sectárias, não é menos criminoso tolerar passivamente a subordinação do movimento revolucionário das massas ao controle de camarilhas burocráticas declaradamente reacionárias ou conservadoras disfarçadas ("progressistas"). O sindicato não é um fim em si, mas somente um dos meios da marcha para a revolução proletária.”

“A primeira palavra de ordem desta luta é: independência total e incondicional dos sindicatos em relação ao Estado capitalista. Isso significa lutar para transformar os sindicatos em organismos das grandes massas exploradas e não da aristocracia operária.”

“A segunda é: democracia sindical. Esta palavra de ordem deduz-se diretamente da primeira e pressupõe para sua realização a independência total dos sindicatos em relação ao estado imperialista ou colonial.”

“Em outras palavras, os sindicatos atualmente não podem ser simplesmente os órgãos da democracia como na época do capitalismo concorrencial e já não podem ser politicamente neutros, ou seja, limitar-se às necessidades cotidianas da classe operária. Já não podem ser anarquistas, quer dizer, já não podem ignorar a influência decisiva do estado na vida dos povos e das classes. Já não podem ser reformistas, porque as condições objetivas não dão espaço a nenhuma reforma séria e duradoura. Os sindicatos de nosso tempo podem ou servir como ferramentas secundárias do capitalismo imperialista para subordinar e disciplinar os operários e para impedir a revolução ou, ao contrário, transformar-se nas ferramentas do movimento revolucionário do proletariado.”

“A neutralidade dos sindicatos é total e irreversivelmente coisa do passado. Desapareceu junto com a livre democracia burguesa.” (Leon Trotsky, “Sindicatos na época da decadência imperialista”, agosto de 1940).

Concluindo, uma política justa quanto aos sindicatos é fundamental para a construção do partido operário marxista revolucionário e da Internacional comunista, operária e revolucionária.

Nacional

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