Segunda, 20 Agosto 2018
  1. Os eventos na Áustria que sucederam os da Alemanha terminaram por colocar uma lápide no reformismo "clássico" (1). A partir de agora, apenas os líderes mais burros do sindicalismo britânico e americano e seu seguidor Francês Jouhaux (2), o presidente da Segunda Internacional Vandervelde e dinossauros políticos semelhantes ousarão falar abertamente de desenvolvimento pacífico, reformas democráticas, e assim por diante. Agora, a grande maioria dos reformadores conscientemente muda de cor. O reformismo se adapta aos inúmeros tons de centrismo prevalecentes no movimento operário de todos os países. uma situação inteiramente nova, de uma forma sem precedentes, para o trabalho do marxismo revolucionário (bolchevismo) foi assim criada. A nova internacional fundamentalmente poderá avançar às custas das tendências e organizações agora existentes. Ao mesmo tempo, a luta do revolucionário internacionalista não pode ser formada de outro modo que não através da luta contra centrismo, de maneira constante. Sob essas condições, a intransigência ideológica e a política de frente única flexível são os dois instrumentos para alcançar o mesmo objetivo.internacional2
  2. Em primeiro lugar, devemos compreender os aspectos mais característicos do centrismo moderno. Não é fácil; primeiro, porque devido à sua ambiguidade orgânica, o centrismo é adapto com dificuldade a uma definição positiva. Caracteriza-se mais pelo que ele não tem do que pelo que ele tem. Em segundo lugar, o centrismo nunca jogou a tal ponto com todas as cores do arco-íris como agora, porque a classe operária nunca esteve em um estado de turbulência, como acontece atualmente. Pela própria essência do termo, turbulência política significa realinhar, oscilar entre dois polos - o marxismo e reformismo, ou seja, através dos vários estágios do centrismo.
  3. Mesmo sendo difícil dar uma definição geral do centrismo, que necessariamente sempre será "cíclica" pela própria natureza, pode e deve apontar as características mais importantes e peculiaridades dos grupos centristas que nasceram a partir dos destroços da Segunda e Terceira Internacionais.
  4. a) No campo da teoria, centrismo é amorfo e eclético; sempre que possível ilude as obrigações teóricas e tende (de palavra) a favorecer a "prática revolucionária" sobre a teoria, sem compreender que somente a teoria marxista pode fornecer uma orientação revolucionária para a prática.
  5. b) A nível da ideologia, o centrismo carrega uma existência parasitária. Argumentos dos velhos mencheviques (Martov, Axelrod, Plekhanov) são usados contra os revolucionários marxistas sem sequer suspeita-lo. Por outro lado, ele toma emprestado dos marxistas, principalmente dos bolcheviques leninistas, os principais argumentos contra a ala direita, mas para suavizar os aspectos mais agudos da crítica e evitar tirar conclusões práticas remove todo o sentido das posições revolucionárias.
  6. c) O centrismo está muito disposto a proclamar sua hostilidade contra o reformismo, mas nunca menciona o centrismo. Além disso, ele acredita que a definição de centrismo é "incerta", "arbitrária" e assim por diante; em outras palavras, o centrismo não gosta de ser chamado pelo nome.
  7. d) O centrista, sempre inseguro quanto a sua posição e seus métodos, odeia o princípio revolucionário que coloca sempre dizer as coisas como elas são. Ele tende a substituir a política revolucionária de princípios pelas manobras pessoais e muita diplomacia entre as organizações.
  8. e) O centrista sempre defende espiritualmente os grupos de direita e está inclinado a submeter-se aos mais moderados, a silenciar seus erros oportunistas e ocultar suas ações para os trabalhadores.
  9. f) O centrista muitas vezes esconde suas oscilações falando sobre o perigo de "sectarismo", que para ele não consiste na propaganda abstrata passiva ao estilo bordiguista, mas seria o interesse ativo pela pureza de princípios, a clareza de posições, a perfeição política e organizacional.
  10. g) A posição centrista entre o oportunista e o marxista é semelhante, em certo sentido, à pequena burguesia entre o capitalista e o proletário: ele se humilha perante o primeiro e despreza o segundo.
  11. h) A nível internacional, o centrista se caracteriza, se não fosse por sua cegueira, pelo menos, por ser míope. Ele não entende que no momento atual só pode construir um partido revolucionário nacional como parte de uma luta Ao escolher os seus aliados internacionais é ainda menos cuidadoso que em seu próprio país.
  12. i) Na política centrista da Comintern, o centrismo vê apenas desvios aventureirismo e putchismo "ultraesquerdista", ignorando completamente os ziguezagues oportunistas à direita (Kuomintang, anglo-russa Comissão, a política externa pacifista, bloco antifascista, etc.).
  13. j) O centrista está pronto para se juntar à política de frente única, mas desprovida de qualquer conteúdo revolucionário transformando-o de um método tático em um princípio mais elevado.
  14. k) O centrista usa o moralismo patético para esconder seu vazio ideológico; Ele não entende que a moral revolucionária é forjada só na base de uma doutrina e uma política revolucionária.

Sob a pressão das circunstâncias, o centrista eclético pode vir a aceitar as conclusões mais extremas, apenas para voltar atrás na prática. Aceita a ditadura do proletariado, mas deixando uma ampla margem para interpreta-la de forma oportunista. Ele proclama a necessidade da Quarta Internacional, mas trabalha para a construção da Internacional Dois e Meia, etc.

  1. O exemplo pior do centrismo é, se quiserem, o do grupo alemão Neu beginnen [Iniciar Novamente]. Depois de repetir superficialmente a crítica marxista do reformismo, conclui que todas as desgraças do proletariado vêm de suas divisões e a salvação seria proteger a unidade dos partidos social-democratas. Estes senhores colocam acima dos interesses históricos do proletariado a disciplina organizacional de Wels e companhia. E uma vez que Wels e companhia subordinam o partido à disciplina da burguesia, o grupo Neu beginnen, disfarçando-se com a crítica de esquerda roubada dos marxistas, é na verdade uma agência a mando da ordem burguesa, embora seja uma agência de segunda classe.

O chamado London Bureau (agora de Amsterdão) é uma tentativa de criar um foco de atração internacional para o ecletismo centrista que visa unificar os grupos oportunistas de direita e de esquerda, que não se decidem de uma vez por todas, por uma orientação e um programa revolucionários. Neste, como em outros casos, os centristas tentam direcionar o movimento obliquamente, seguindo uma linha diagonal. Os elementos que compõem o bloco empurram em direções opostas: o NAP é voltado cautelosamente em direção à Segunda Internacional; o ILP em parte, à Terceira e em parte para a Quarta Internacional; o SAP e o OSP - com dúvidas e de maneira hesitante em direção à Quarta Internacional. Para operar e manter a ambiguidade ideológica de todos os seus participantes e tentar competir na criação do novo bloco internacional, o Bureau de Londres desempenha um papel reacionário. O fracasso deste agrupamento é absolutamente inevitável.

  1. A definição de política de Comintern como centrismo burocrático permanece em pleno vigor. Na verdade, apenas o centrismo pode sempre saltar do aventureirismo de ultra-esquerda à traição oportunista, somente a poderosa burocracia soviética poderia durante dez anos garantir uma base estável para os ziguezagues políticos calamitosos.

Ao contrário dos grupos centristas formados a partir de social-democracia, o centrismo, neste caso, é um produto da degeneração burocrática do bolchevismo; caricaturesca - na forma mantém algumas das suas características, ele ainda leva um número considerável de trabalhadores revolucionários e meios materiais e técnicos extraordinários. Mas pela sua influência política é a variedade mais crassa, perturbadora e prejudicial do centrismo. A derrota política da Comintern, é óbvio para todos, significa necessariamente a decomposição do centrismo burocrático. Nesta área, o nosso objetivo é salvar os melhores elementos para a revolução proletária. Junto com a crítica de princípios incansável, o nosso principal meio para influenciar os trabalhadores do Comintern é a maior penetração das nossas ideias e métodos nas amplas massas, a grande maioria estão fora dela.

  1. Neste momento, em que o reformismo é forçado a resignar-se a tornar-se centrismo ou diluído no mesmo, alguns grupos centristas de esquerda deixaram de evoluir à esquerda ou até mesmo regrediram. Eles dizem que os reformistas já fizeram quase tudo, que tudo o que é necessário seria não fazer exigências exorbitantes, revisões ou fraseologia extrema; então, assim, de uma só vez, seria possível criar o partido de massas "revolucionário".

Na verdade, o reformismo, forçado pela evolução da situação política e pelo desacredito, sem um programa claro, sem tática revolucionária, só pode acalmar os trabalhadores avançados inculcando a ideia de que a regeneração revolucionária de seu partido já foi alcançada.

  1. Para um marxista revolucionário, neste momento, a luta contra o centrismo substituiu quase inteiramente a luta contra o reformismo. Na maioria dos casos, resulta inútil o simples contraste entre a luta legal com a ilegal, a violência e os meios pacíficos, a democracia e a ditadura. Agora, o reformista aterrorizado, desautorizándose a si mesmo, está disposto a aceitar as fórmulas mais "revolucionárias" desde que não o forçe a romper com a sua indefinição, indecisão e passividade expectante. Portanto, segundo os centristas, a luta contra oportunistas escondidos ou mascarados deve livrar completamente do terreno das conclusões práticas derivadas das condições revolucionárias.

Antes de aceitar o discurso centrista sobre a "ditadura do proletariado", devemos exigir o defesa da luta contra o fascismo, uma ruptura completa com a burguesia, a construção sistemática de milícias dos trabalhadores, a sua formação num espírito militante, a criação de centros defesa interpartidária antifascistas nos quartéis, eliminar das suas fileiras parlamentares, sindicalistas e outros traidores, lacaios da burguesia e oportunistas. Precisamente neste plano deve livrar-se a luta principal contra o centrismo. Para fazer isso com sucesso, você tem que ter as mãos livres, ou seja, manter a independência organizacional mais completa e a crítica intransigente em relação às manifestações mais "esquerdistas" centrismo.

  1. Os bolcheviques leninistas de todos os países têm de compreender claramente as peculiaridades dessa nova etapa na luta pela Quarta Internacional. Os eventos na Áustria e na França conduziram poderosamente ao realinhamento das forças do proletariado em uma direção revolucionária. Mas precisamente este fenómeno universal de substituição aberta do reformismo pelo centrismo exerce uma poderosa atração para os grupos centristas de esquerda (SAP, OSP), que ainda ontem estavam dispostos a juntar-se aos bolcheviques leninistas. Este processo dialético pode produzir a impressão superficial de que o setor marxista está novamente "isolado" das massas. Erro flagrante! As oscilações do centrismo para a direita e para a esquerda é próprio da sua natureza. No nosso caminho, vamos atravessar ainda dezenas e centenas de episódios como estes. Seria a pior das fraquezas ter medo de ir para a frente só porque tropeçou em obstáculos ou porque todos os nossos companheiros de viagem não irão nos acompanhar até o fim.

lutadetrotskyAs condições gerais para a formação da Quarta Internacional sobre a base do bolchevismo genuíno tornam-se cada vez mais favoráveis, se as novas vacilações oportunistas centristas de nossos aliados provarem ser temporárias ou permanentes (na verdade, haverá ambos os tipos). A perseguição de esquerdistas comuns por centristas de "extrema esquerda" ou moderados por esquerdistas ou direitistas pelos moderados, como um homem que persegue sua própria sombra, não conseguirá criar qualquer organização de massas estável; a miserável experiência do Partido Independente da Alemanha (USP) (3) permanece em vigor. Sob a pressão dos acontecimentos e com a ajuda da nossa crítica e as nossas palavras de ordem, os trabalhadores avançados irão superar as hesitações dos líderes da esquerda centrista e, se necessário, também ultrapassarão esses mesmos líderes. No caminho para uma nova vanguarda proletária internacional não vão encontrar outra resposta do que as produzidos pelo bolcheviques leninistas baseadas na experiência internacional, durante dez anos de luta teórica e prática constante.

  1. No ano passado, a nossa influência política aumentou em vários países. Em cima das seguintes condições poderemos desenvolver e ampliar estes êxitos em um tempo relativamente curto:
  2. a) Não superar o processo histórico, não fazer jogo de esconde-esconde, mas dizer coisas como elas são.
  3. b) Analisar teoricamente as mudanças na situação geral, que no momento presente, muitas vezes, são muito nítidas.
  4. c) Avaliar cuidadosamente o estado de espírito das massas, sem prejuízo, sem ilusões, sem auto-engano, e, portanto, com base em uma estimativa correta da relação de forças dentro do proletariado, evitando o oportunismo e o aventureirismo e galvanizar as massas para a frente, evitando que elas retrocedam.
  5. d) Cada dia, hora após hora, devemos nos perguntar qual deve ser o nosso próximo passo prático, preparar incansavelmente e, baseando-nos na experiência, explicar aos trabalhadores as diferenças de princípio entre o bolchevismo e todos os outros partidos e correntes.
  6. e) Não confundir os objetivos táticos da frente única com o objetivo histórico fundamental, a criação de novos partidos e uma nova Internacional.
  7. f) Não desprezar nem os mais fracos como aliados na atividade prática.
  8. g) Analisar criticamente até o mais "esquerdista" dos aliados como um adversário em potencial.
  9. h) Tratar com a maior atenção os grupos que realmente se inclinam em direção a nós; com paciência e cuidado ouvi-lhes as críticas, dúvidas e hesitações; ajudá-los a avançar para o marxismo; não termos medo de seus caprichos, ameaças e ultimatos (os centristas são sempre caprichosos e suscetíveis). Mas não façamos nenhuma concessão de princípio.
  10. i) E mais uma vez, não tenhamos medo de dizer as coisas como elas são.

NOTAS

(1) Durante 1933, o regime Dollfuss na Áustria foi eliminando os direitos democráticos dos trabalhadores, enquanto o poderoso socialdemocracia austríaca protestava e ameaçava entrar na luta, se Dollfuss fosse longe demais. A crise eclodiu no início de 1934, quando as provocações do governo escalaram e os socialdemocratas convocaram uma greve geral. Os trabalhadores de Viena lutaram com armas na mão, entre 11-16 de fevereiro até serem esmagados pela artilharia do governo. Houve centenas de mortos e milhares de prisioneiros. A Socialdemocracia foi destruída apesar do heroísmo dos trabalhadores.

(2) Leon Jouhaux (1870-1954): Secretário-Geral da CGT, a principal central sindical da França. Foi reformista, social-patriota e defensora da colaboração de classes.

(3) O Partido Social-Democrata Independente (USP) da Alemanha foi fundado em 1917 pelos elementos centristas do Partido Social Democrata. A maior parte da USP entrou, em 1920, no Partido Comunista Alemão, enquanto a minoria continuou a existir como uma organização independente filiada à Internacional Dois e Meio até 1922, quando o USP voltou para as fileiras do partido socialdemocrata oficial, exceto um pequeno grupo centrista liderado por Ledebour.

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