Quarta, 16 Janeiro 2019

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Bolsonaro tomou posse no dia 1º de janeiro de 2019 com enorme deslocamento de tropas das Forças Armadas para Brasília. Era necessária uma demonstração de força para fazer jus ao discurso da ideologia bolsonarista, com a nata da extrema direita mundial presente, inclusive com o facínora presidente de Israel Benjamim Netanyahu.

Dada a extrema crise econômica do capitalismo globalizado, que não encontra saídas mais para a recuperação das taxas de lucros dos grandes monopólios, nem mesmo com mais neoliberalismo e especulação financeira, o imperialismo precisa de uma guerra para destruir as forças produtivas e dar início a um novo ciclo de crescimento. Mas uma guerra é uma guerra que, além de toda destruição e mortes, coloca em risco o próprio sistema capitalista.

Foi durante a Primeira Guerra Mundial que aconteceu a Revolução Russa que expropriou milhares de capitalistas e derrubou a dinastia dos Romanov. Depois, na Segunda Guerra Mundial, todo o Leste Europeu viu seus capitalistas perderem a propriedade privada dos meios de produção. Na sequência veio a revolução chinesa onde  foram feitos a coletivização das terras, o controle estatal da economia e a nacionalização de empresas estrangeiras.

A luta de classes não tira férias para que os capitalistas resolvam seus problemas, muito pelo contrário, são nestes momentos em que ela se apresenta com o máximo vigor. A crise capitalista transforma-se em crise revolucionária.

A disseminação, por parte de Bolsonaro e dos seus seguidores, de que romperiam relações comerciais com os países onde existem ditaduras (comunistas), nada tem a ver com a defesa da democracia. Se assim o fosse, o primeiro país com o qual haveria um rompimento seria a China, mas não se vê ninguém no governo dizendo que não fará negócios com aquele país, que vai invadi-lo ou que vai expulsar os camelôs que vendem eletrônicos chineses em todas as esquinas do Brasil.

Mas contra Cuba, que tem uma economia fraca, e a Venezuela que tem a maior reserva de petróleo do mundo e sofre um cerco do imperialismo norte-americano, o governo de Bolsonaro diz que vai fazer isso e aquilo. Inclusive Bolsonaro já participa de uma grande articulação com os Estados Unidos e Israel para invadir a Venezuela. Pura rapinagem se não passarem de bravatas e parece que não, pois o imperialismo tem enorme interesse de implantar bases militares dentro do Brasil, com interesses os mais escusos. Pode usar a invasão da Venezuela com toda a máquina de propaganda possível como desculpa para justificar a invasão e passar a controlar também, e diretamente com suas próprias forças armadas, a tomada das riquezas brasileiras.

A agressão que a Venezuela já vem sofrendo e uma possível invasão militar devem ser rechaçadas com todas as forças pelas organizações revolucionárias e mesmo progressistas. A agressão à Venezuela é além de tudo um ataque a todo o povo latino-americano. Organizar a defesa da Venezuela, a começar pelo Brasil e pela Argentina, passa pela organização da luta contra a política de Bolsonaro e de Macri nesses países. A organização da luta nacional contra a entrega de todos as estatais (que são lucrativas, ninguém compra empresa que dá prejuízo), contra a “reforma” da Previdência e contra o aprofundamento da “reforma” trabalhista deve começar por romper a fragmentação da classe trabalhadora dos dois países, nos sindicatos controlados pela burocracia neopelega já há muitos anos adaptada ao regime burguês.

Neste sentido temos que rechaçar as declarações do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, e de João Pedro Stédile do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no sentido de reconhecer a legitimidade do governo Bolsonaro e apontar saídas negociadas com este. São vergonhosas as declarações desses líderes, justamente em relação a um governo que representa a extrema direita que não aceita qualquer concessão à classe trabalhadora. Inclusive Bolsonaro repetiu várias vezes que vai armar os latifundiários com fuzis calibre 7,62, que vai classificar a organização dos trabalhadores sem-terra como terrorista e que é contra a demarcação de qualquer tipo de terra para os índios.

Bolsonaro defende o agronegócio mais atrasado que existe, inclusive defende o uso indiscriminado de agrotóxicos que envenenam a água e os alimentos que são consumidos pela população. Negociar com este tipo governo é ser conivente com os ataques que ele pretende fazer.

O problema é ainda maior na medida em que todo o movimento sindical, todas as centrais sindicais (todas!) vão se adaptando à “nova realidade” não para organizar a classe trabalhadora para a luta, mas para garantir o seu lugar dentro desses aparatos sindicais criados desde Getúlio Vargas para impedir a livre organização dos trabalhadores. Essa burocracia sindical também se encontra bastante enfraquecida depois do fim do imposto sindical e agora com o superministro Sérgio Moro com o poder nas mãos da “Carta Sindical”. Não podemos esquecer que os sindicatos no Brasil funcionam não apenas com o consentimento do Estado, mas com a autorização deste, fatiando a classe trabalhadora em categorias e subcategorias.

Outro erro, este de caracterização, é ver o governo Bolsonaro como sendo forte e todo-poderoso e que vai impor de qualquer jeito os seus objetivos. Não é assim, Bolsonaro não conseguiu ainda fazer a “reforma” da Previdência, apesar de estar tentando desde o resultado das eleições e apesar das prolongadas férias da burocracia sindical (de toda a burocracia sindical!). É um governo que anda aos trancos e barrancos com declarações desencontradas entre os homens do primeiro escalão.

Caso houvesse minimamente uma organização da classe trabalhadora a nível nacional, contra todas as reformas propostas, este governo não conseguiria dar dois passos. Ao que tudo indica, a mobilização da classe trabalhadora, a exemplo do que vem ocorrendo na França, será espontânea e caso se organize uma direção revolucionária o Brasil e a América Latina poderão entrar em convulsão e criar uma situação sem saída para o imperialismo.

Então, contraditoriamente, o governo Bolsanoro apesar de suas fraquezas, das suas enormes contradições, vai atacar a classe trabalhadora, vai botar o terror nos Sindicatos e nos partidos da “oposição consentida”. A qualquer momento, a mando de Sérgio Moro e de Raquel Dodge e com a assinatura de Dias Toffoli, a Polícia Federal vai adentrar nas sedes dos Sindicatos e das organizações populares, em mais uma Operação da Lava Jato, e vai prender numa primeira leva centenas de dirigentes sindicais e que, na mídia, aparecerá estampado em letras garrafais que “CORRUPTOS E TERRORISTAS” foram presos!

Os trabalhadores sairão às ruas para impedir? Não, muitos vão aplaudir. Portanto não adianta a burocracia sindical ficar se fazendo de desentendida ou criando pequenas evasivas para se justificar diante dos trabalhadores e para passar alheia à repressão que virá. Quando a classe trabalhadora se levantar espontaneamente talvez já tenhamos mais da metade da burocracia sindical presa.

A saída é a unificação de todas as categorias a nível nacional, romper com a pequenez dos sindicatos por Municípios e Estados, romper com toda essa fragmentação da classe trabalhadora feita pelos diversos matizes da burocracia e construir campanhas de denúncias nacionais e até internacionais.

A educação, por exemplo, não pode ficar fazendo luta municipal, tem que se organizar por Estado sem distinção de funções ou de patrões e nacionalmente numa só luta em defesa do ensino público, gratuito, laico e de qualidade. Os trabalhadores da saúde também devem se unificar nacionalmente em defesa da saúde pública, sem distinção de municipalidade, seguimentos, funções, divisões sindicais, etc, numa ampla campanha em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e de melhores condições de trabalho e salários. Os trabalhadores nos Correios têm que se unificar numa única campanha contra a privatização da estatal, contra as terceirizações, sem divisão de sindicatos por Estados, junto com trabalhadores concursados e prestadores de serviços. Os petroleiros a mesma coisa.

É um absurdo que no Brasil os trabalhadores de uma mesma empresa, como é o caso dos ecetistas e dos petroleiros, tenham diversos sindicatos esfacelando a categoria.

A luta tem que ser unificada (no mínimo) nacionalmente!

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