Quarta, 16 Janeiro 2019

Lula CUT

 

Esse início de 2019 marca uma virada histórica na situação nacional e no movimento operário brasileiro. Há um ano quem poderia prever a subida de um governo de extrema direita no Brasil? E que os militares viriam a dar as cartas nesse novo governo?

Quem imaginaria que o ministro Dias Toffoli, um dos mais “democráticos” ministros da 2ª turma do Supremo Tribunal Federal, após assumir a presidência do Supremo no lugar da ministra Carmem Lúcia, seria teleguiado por um general quatro estrelas que ocuparia a sala ao lado da presidência?

E no Congresso Nacional, quem apostaria que os caciques dos principais partidos fossem retirados na cara dura, e no seu lugar fossem colocados os candidatos do PSL? Quem imaginaria tudo isso há um ano? E onde está a raiz dessa mudança?

 

A crise do sistema capitalista joga as instituições para a direita

A explicação, nós temos que buscar na realidade mundial, na situação de crise capitalista generalizada, globalizada. Aí está o segredo para entender a situação política nacional.

A crise econômica mundial é tão grande que está colocada na realidade a possibilidade de explosão de uma outra bolha financeira maior que a de 2008. Assim, para se safar da atual crise, os países imperialistas, mais a China e Rússia, entraram numa guerra comercial ferrenha pela disputa de fatias do mercado mundial.

Mas com o Brasil e a América Latina não tem guerra comercial. Aqui, os EUA promovem uma guerra híbrida, para mudar o regime político sem disparar nenhum míssil, sem invasão de tropas. Apenas com a intervenção de agentes de inteligência norte-americana, que manipulam as instituições, contando com a total submissão dos capitalistas brasileiros e até com a colaboração da burocracia dirigente do movimento operário.

Assim, promoveram um golpe de Estado no Brasil, num processo que não é de hoje, que vem sendo promovido pelo menos desde o impeachment de Dilma Rousseff e que teve como ponto alto a eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro. Tudo com o objetivo de saquear as riquezas nacionais.

Por isso, o governo golpista de Bolsonaro/general Mourão vai atacar com tudo os direitos dos trabalhadores, vai promover um ajuste fiscal draconiano, com as reformas trabalhistas, da previdência e com as privatizações.

 

As instituições operárias também vão à direita

Os trabalhadores terão que resistir a esses ataques, se não quiserem cair na miséria do desemprego, do subemprego, da marginalização total. Para tanto, os trabalhadores precisarão de uma direção firme que encaminhe as lutas contra o governo. Mas quando se procura uma direção firme para o movimento operário, o que é que se encontra!? Se encontra uma burocracia derrotada, desmoralizada e num franco deslocamento à direita rumo à integração total ao regime bolsonarista.

Voltando às perguntas estapafúrdias de um ano atrás: quem acreditaria que Haddad, após fazer uma campanha, no primeiro turno, tendo como referência Lula, usando a máscara de Lula e se beneficiando da transferência dos votos de Lula, iria para ao segundo turno e imediatamente descartaria Lula, abandonaria a marca de que “Haddad é Lula e Lula é Haddad”, abandonaria até a cor vermelha e passaria a usar o verde-amarelo?

E mais, que afirmaria categoricamente que se aleito fosse não indultaria Lula? E pior, quem imaginaria que Haddad entregaria a eleição para Bolsonaro e desejaria sucesso na sua empreitada de atacar os direitos dos trabalhadores?

Pois tudo isso aconteceu devido ao aperto político promovido pelo imperialismo, mas também devido à política de capitulação sistemática à burguesia da direção do PT e da CUT e de toda a esquerda.

Hoje, a realidade é que Lula está apodrecendo na cadeia e os quadros lulistas passando para o lado de Haddad, que juntamente com sua tendência, a “Mensagem ao Partido”, em última análise, foram os responsáveis pela destruição política de Lula e do lulismo.

 

Leia também: http://www.gazetarevolucionaria.com.br/index.php/politica/612-fim-lulismo

 

PT light, CUT light

E agora, esta, como agrupamento de maior influência interna ao partido, que controla a cúpula do PT, está cooptando os quadros lulistas. Apenas dois exemplos de vira-casaca:

O primeiro é Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, eleito Senador da República, lulista, cogitado a ser o vice de Lula antes de Haddad, que nas vésperas do 1º turno afirmou que Haddad era muito fraco e defendeu Ciro Gomes.

Pois muito bem. No 2º turno, Jaques Wagner integrou a coordenação da campanha de Haddad e foi um dos responsáveis pelo giro à direita da campanha, quando deu a linha de que era hora de “Haddad ser Haddad” e tirar Lula e o PT da campanha. Ele também assumiu a tarefa de buscar o apoio de Ciro Gomes e do PSDB, o que obviamente não prosperou uma vez que Ciro Gomes e FHC fugiram para a Europa e o PSDB se dividia numa crise bárbara.

O segundo exemplo de lulista que virou a casaca e se tornou haddadista foi Vagner Freitas, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que diz que se arrependeu de chamar Bolsonaro de golpista e que considera o governo Bolsonaro legítimo, eleito pelo povo e que quer negociar com este.

Em nenhum momento ele fala que os trabalhadores têm que dar uma pressão nesse governo, que temos que resistir para que não sejam retirados os nossos direitos. Direitos, estes, que foram conquistados com muita luta.

Na verdade, ele abandona o discurso “combativo” da CUT, que sempre foi tão somente um discurso, uma vez que a prática era imobilista, para descambar para o rumo oportunista da negociação com o governo.

 

Negociar sem mobilização significa capitular aos golpistas

E o que significa isso? Significa que o que for negociado com o governo, as Centrais Sindicais vão empurrar goela abaixo dos trabalhadores. Em última análise, as Centrais Sindicais irão convencer os trabalhadores de aceitarem a política do governo Bolsonaro, porque “já foi negociado”.

Vão dizer que era o melhor que conseguiram na negociação e, na prática, assumirão a política do governo e procurarão impedir qualquer luta contra essa política. Vagner Freitas não será diferente dos outros pelegos das outras Centrais, como o Paulinho da Força e os pelegos da UGT.

E as outras Centrais Sindicais menores, como a Conlutas e a Intersindical, bem como os sindicatos, ficarão reféns dessa política pelega, traidora dos interesses dos trabalhadores.

Pois todos sabemos que é prática do peleguismo sindical mais arraigado priorizar as negociações com o governo patronal sem estar amparado por uma ampla mobilização que dê cacife para os dirigentes da classe.

Sentar na mesa de negociações com os trabalhadores desmobilizados só pode ter como resultado um acordo rebaixado e um compromisso de defender esse acordo péssimo perante a classe. Por isso os pelegos não mobilizam, para aprovar suas traições em assembleias esvaziadas.

 

Assista: https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=Z2DuXyMaLto

 

A “Carta de Lula ao PT” virou letra morta

Esse giro à direita é histórico. Marca o fim da corrente lulista no movimento operário brasileiro. Não sobrou ninguém para aplicar a política dada por Lula, desde a prisão em Curitiba, em sua “Carta ao PT”, de 30 de novembro.

Nessa carta, Lula denunciou o golpe e o golpismo do judiciário, a intervenção dos agentes norte-americanos que financiaram a indústria de Fake News e que engordaram o caixa 2 de Bolsonaro e, também, Sérgio Moro, a Lava Jato e Jair Bolsonaro como golpista, entreguista e privatista. E, por fim, chamou a “voltar às ruas, às fábricas, aos bairros e favelas” e a se “reconectar com as bases”.

Mas quem deveria aplicar esse programa? A corrente lulista. Só que a corrente lulista não existe mais. Os quadros lulistas migraram para a corrente de Haddad, e criaram um grande vácuo na direção do movimento operário brasileiro.

Os sindicatos, todos, vão girar à direita, vão evitar se enfrentar com o regime bolsonarista no afã de manterem seus cargos e privilégios.

 

Construir o Partido Operário Revolucionário

Mais do que nunca está colocada a necessidade urgente de se construir o partido operário revolucionário, que venha preencher esse vácuo de direção e que conduza os trabalhadores nos grandes embates que estão por vir, entre a classe operária e a burguesia, porque os trabalhadores vão resistir e vão se levantar contra os ataques promovidos pelos capitalistas, ao seu nível de vida.

E isso vai acontecer porque a crise econômica não se resolverá, pelo contrário se aprofundará e a burguesia, por meio de seus governos, vai aumentar a exploração para aumentar a taxa de extração de mais valia, até a última gota de sangue da população.

O movimento operário não está derrotado, e ele vai se levantar em respostas a estes ataques, num grande ascenso de lutas, mobilizações e protestos que vai colocar esse regime contra a parede.

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