Quarta, 21 Novembro 2018

PT

É importante fazer a discussão do processo eleitoral compreendendo o contexto do golpe de Estado em andamento, pois de uma visão completa da realidade pode-se elaborar a política correta. A esquerda em geral não vê assim, ela, de forma deliberada e capitaneada pelo PT, insiste em fazer o jogo institucional como se estivéssemos na mais perfeita democracia.

Assim, se movimenta facilmente para a direita, deslocada da base dos trabalhadores, muito longe do chão de fábrica. Ela se move pela lógica parlamentar eleitoralista. E não cogita de atuar estimulando a mobilização dos trabalhadores, ainda que a única força capaz de barrar o golpe seja a força da mobilização.

Isso porque greve e protesto de trabalhadores perde voto da classe média e sem os votos da classe média não se ganha eleição. E aqui existe uma contradição indissolúvel. Como a estratégia da esquerda em geral é eleitoralista, ela não pode estimular o movimento de massas.

Estratégia parlamentar impõe a traição de todas as lutas

Então, como a esquerda se movimenta dentro de um contexto golpista? Indo cada vez mais à direita. Na medida em que a burguesia gira o regime político à direita, a esquerda, que está integrada ao regime, vai junto. E na medida em que não mobiliza a classe, colabora com o golpe e se torna uma esquerda golpista.

Vejamos alguns exemplos bem esclarecedores. Após o impeachment de Dilma, em 2016, nas eleições municipais, o PT, em vez de resistir ao aprofundamento do golpe, votou uma política de coligação com os partidos golpistas em todo o Brasil.

Em 2017, a CUT e as Centrais Sindicais, marcaram 3 greves gerais, sem contar os protestos espontâneos de 8 de março e 20 de março. Porém eles não prepararam essas greves para que elas tivessem sucesso, pelo contrário, marcaram as greves gerais para fim de semana ou feriado. E sem impulsionar um plano de lutas anterior para fortalecer o movimento. A última, inclusive, foi levantada poucos dias antes da data de sua realização.

Em 2018, seguiu o desmonte das greves com a traição da burocracia à greve nacional dos petroleiros. Era uma greve de 3 dias, não de tempo indeterminado, mas controlada. Detalhe: foi marcada para o feriadão de Corpus Christi. E só durou um dia, pois a burocracia aproveitou a multa imposta pelo TST para levantar a greve.

Ao mesmo tempo em que as direções do PT e da CUT militavam para desmontar as greves e segurar o movimento de massas, elas apostavam todas as suas fichas na via jurídica, apresentando miríades de recursos ao Poder Judiciário.

E nenhum desses recursos foi provido, justamente porque o Poder Judiciário, com a Lava Jato na ponta de lança e o STF dando o suporte necessário, impunha um verdadeiro Estado de exceção no país, sob as ordens do imperialismo norte-americano. Isso com o objetivo de avançar no golpe de Estado na intenção de impor um governo de extrema direita com um programa neoliberal de entrega total da economia.

- Leia também Por que a vitória de Bolsonaro é praticamente certa?  http://www.gazetarevolucionaria.com.br/index.php/politica/561-por-que-a-vitoria-de-bolsonaro-e-praticamente-certa

Capitulação ao Judiciário golpista

O PT chegou ao cúmulo de entregar Lula à Policia Federal sem opor nenhuma resistência. E não é que não houvesse clima para resistir, pois a disposição de luta dos trabalhadores demonstrada em 2017 e a insatisfação popular se refletiam nas intenções de votos em Lula, como uma expressão distorcida da luta de classes, que o tempo todo permaneceu liderando todas as pesquisas.

Outra medida aplicada pelo PT que vai no sentido de favorecer o regime golpista, foi adiantar a substituição de Lula por Haddad como candidato à presidência, uma semana antes do prazo. O que significou uma capitulação total para o TSE e o STF, que estavam pressionados pela liminar da ONU. Liminar esta que tinha caráter obrigatório e que autorizava Lula a ser candidato e fazer campanha mesmo estando preso.

Ainda, não podemos esquecer que os dois institutos jurídicos que garantem a segregação e a inviabilidade de Lula concorrer a cargo eletivo, são normas abertamente inconstitucionais. A prisão após condenação em 2ª instância e a chamada “lei da ficha limpa”, que retira a capacidade eleitoral ativa de condenado por órgão colegiado, vão de encontro à Constituição Federal, que garante em seu artigo 5º, inciso 57, que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.

Também não podemos esquecer que esses institutos jurídicos inconstitucionais foram sancionados pelos governos petistas juntamente com outros tão ou mais nefastos, como a “lei antiterror” a “lei das organizações criminosas”, etc. O que demonstra a colaboração petista com o golpismo de muito antes. E agora está sentindo o gosto do próprio veneno.

Essa capitulação de não aproveitar a resolução da ONU para levar adiante a candidatura de Lula, denunciando todo o circo golpista armado para impor um pleito viciado e manipulado até as últimas, foi muito horrível e desmascarou o PT e principalmente sua ala direita. Na medida em que jogou Lula aos leões e assumiu um claro acordo com o Judiciário Golpista livrando a cara do STF frente à ONU.

Uma campanha abertamente de direita no 2º turno

No 1º turno, Haddad surfou na transferência de votos de Lula, mas não aproveitou o máximo dessa transferência porque não tinha o perfil de um substituto de Lula. Gleisi Hoffman ou Jaques Wagner seriam melhores candidatos que Haddad. Mas aqui entra um componente determinante, que é a crise e a divisão interna do PT.

Haddad representa a ala mais à direita do PT, a tendência “Mensagem ao Partido”, que venceu a disputa interna contra o grupo de Lula e controla o Partido.

No 2º turno, Haddad se desfaz imediatamente de Lula e começa a aplicar a sua linha mais de direita. Abandona a cor vermelha e assume o verde amarelo e azul, abandona o programa de governo petista em favor de uma plataforma mínima, que viesse a possibilitar a conformação de uma “Frente Democrática”.

Essa Frente Democrática seria composta com os partidos da direita, personalizados por Alckmin, FHC, Ciro Gomes, Marina, Joaquim Barbosa e outros elementos da direita que por ventura viessem a aparecer.

Haddad não milita pela liberdade de Lula e disse que se fosse eleito não solicitaria o indulto para o ex-presidente. Haddad elogiou o juiz Sérgio Moro e defendeu a Lava Jato. Defende as instituições, e em 1º lugar o Judiciário golpista, faz conchavo com a cúpula católica e evangélica e promete não legalizar o aborto caso vença as eleições.

Com uma pauta de direita dessas... Como combater a direita? Não apresenta uma alternativa de luta para os trabalhadores e nem se propõe mobilizar os trabalhadores em defesa de um programa alternativo ao da direita. Assim não ganha eleição nem aqui nem na China. Se fosse Lula, a vitória estaria garantida. Com Haddad a derrota é que é garantida.

Justamente porque Haddad joga pra perder. Ele e toda a suposta “Frente Democrática” estão esperando a vitória de Bolsonaro para que possam se localizar dentro do regime como oposição consentida, legitimando o novo regime.

- Leia também:  A saga de um traidor. Doria e sua política (neo) liberal http://www.gazetarevolucionaria.com.br/index.php/politica/560-a-saga-de-um-traidor-doria-e-sua-politica-neo-liberal

Vergonhosa legitimação do golpe

A legitimação do golpe, do regime burguês e do governo Bolsonaro será sacramentada por Haddad se ele não apresentar até domingo os áudios que comprovam a denúncia da Folha de São Paulo de um esquema milionário ilegal em que empresários compravam serviço de mensagens de WhatsApp contra o PT.

Os referidos áudios contém a fala de Bolsonaro solicitando a empresários que comprem pacotes de disparos de fake news contra o PT pelo WhatsApp. O que caracteriza crime eleitoral tipificado como “Caixa 2” e financiamento empresarial de campanha. A prova mais cabal de que houve fraude nas eleições.

Esses áudios encontram-se em poder de Haddad e da Folha de São Paulo e se não forem divulgados até domingo, Haddad e o PT estarão legitimando definitivamente essas eleições golpistas fraudulentas como livres e democráticas.

E assim, no seu discurso domingo à noite, reconhecendo a derrota, Haddad atestará a lisura da vitória de Bolsonaro e, estará preparando seu lugar no novo regime como ala esquerda do bolsonarismo, como oposição parlamentar golpista consentida.

+ Política

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