Quarta, 21 Novembro 2018

 lulabolson

Esta semana, as pesquisas de intenção de voto à Presidência da República deram a tônica no debate da situação política nacional. A pesquisa CNT/MDA revela que Lula está com 37,3% das intenções de voto, Bolsonaro com 18,8% e os outros principais candidatos entre 6% a 4%. O IBOPE coloca Lula com 37%, Bolsonaro com 18% e os outros entre 6% e 4%. E o Instituto DATAFOHA dá 39% para Lula, para Bolsonaro 19% e os outros entre 8% e 5%.

Outra pesquisa DATAFOLHA, da mesma semana, que mede a preferência do eleitorado sobre partidos políticos, revela que o PT supera de longe todos os outros partidos na preferência do eleitor. PT com 24%; PMDB e PSDB com 4%; PSOL, PDT, PSB e PSL com 1%.

Eleições golpistas refletem de forma distorcida a polarização da luta de classes

Esses levantamentos são muito sintomáticos. Lula, condenado criminalmente e cumprindo pena, lidera todas as pesquisas, seguido de Bolsonaro, que amealha um pouco mais da metade dos votos do petista. Os outros candidatos não chegam a um terço dos votos do segundo colocado.

Esses números revelam a polarização da luta de classes. A conjuntura de crise econômica e de aumento da exploração combinada com a resistência dos trabalhadores e o crescimento da ultradireita estão bem ilustrados nesses levantamentos. A indicação de voto em Lula reflete a resistência dos trabalhadores aos ataques da patronal. A indicação de voto em Bolsonaro reflete as posições de direita que no Brasil se manifestam como antipetismo, anticomunismo e antiesquerdismo.

Essa realidade reflete a polarização mundial, que escalou após a crise de 2008, com o avanço da extrema direita em vários países, notoriamente com a vitória de Donald Trump nos EUA.

A resistência dos trabalhadores é espelhada no campo eleitoral, de uma forma distorcida, pela falta de uma direção revolucionária para encaminhar as lutas operárias, pois a direção burocrática canaliza toda a indignação popular para o campo eleitoral.

Essa resposta dos explorados no campo da superestrutura política não é só no Brasil. Em maio deste ano ocorreu a vitória de Maduro na Venezuela com 67% dos votos. Pode-se dizer que houve manipulação, mas o certo é que a direita não venceu, perdeu. No México, em junho deste ano, Lopez Obrador vence com 53%. O golpismo financiado pelos EUA, na Nicarágua, não conseguiu depor Daniel Ortega e antecipar as eleições como era a intenção da direita. E em outubro, a vitória de Lula seria certa não fosse a condenação em 2º grau num processo relâmpago e sem provas.

Haddad no 2º turno?

Porém, há uma possibilidade que dê PT este ano. Haddad pode ir para o 2º turno e vencer. E essa vitória petista vai influenciar, inevitavelmente, as eleições na Argentina no ano que vem. E assim vai dar a tônica de uma resposta dos trabalhadores ao aperto promovido pela exploração capitalista, e confirmará uma mudança de conjuntura a nível regional envolvendo toda a América Latina.

Essa situação reflete a crise capitalista mundial, que obriga os EUA a entrarem numa guerra comercial com a China e com os outros países imperialistas. Também expressa a violenta crise política interna que vive a potência norte-americana, com as trapalhadas do governo Trump, ameaçado de sofrer um processo de impeachment.

Por sua vez, essa crise da dominação do imperialismo se manifesta no Brasil com uma crise no processo de golpe de Estado. A crise do golpe se deu em razão de que não bastava prender Lula para o PT não vencer as eleições. O cálculo era de que com Lula preso, o PT seria desmoralizado e não teria força para reagir e iria decair muito mais do que quando das eleições municipais de 2016, momento em que o PT foi dizimado nas urnas e perdeu mais de 60% de suas prefeituras.

A contradição se deu em que a população identificou a prisão de Lula como perseguição política o que reverteu em votos para o PT. O feitiço virou contra o feiticeiro. A prisão de Lula deu efeito contrário, foi um verdadeiro tiro no pé da direita. Colocaram o líder petista em evidência máxima, todos os dias na mídia com um fato novo, o que favoreceu sobremaneira a campanha do PT.

O imperialismo não conseguiu construir seu candidato ideal

A postura do Judiciário golpista foi tão medonha, de uma grosseria tal, que suscitou uma campanha nacional e internacional pela libertação de Lula, preso injustamente apenas para que não participasse das eleições de outubro. Mobilizaram até o Papa, que enviou seu representante para, sem sucesso, visitar Lula na prisão. Mais recentemente, o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que o Estado brasileiro tomasse todas as medidas necessárias para garantir os direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive o acesso à imprensa.

Olhando retrospectivamente, teria sido mais inteligente não prender Lula e minar sua candidatura por outros meios. E se formos mais a fundo, do jeito que as coisas estão, teria sido preferível deixar o governo Dilma/Temer sangrar mais dois anos para, com facilidade, derrotar o PT em 2018. Mas assim não se deu. O imperialismo privilegiou uma política truculenta, golpista, a moda Trump, que até o momento está produzindo efeito contrário.

Talvez por aí até tivesse sido possível construir uma alternativa da direita para que se contrapusesse ao candidato petista, pois um dos calcanhares de Aquiles da burguesia é a falta de uma candidatura viável de direita.

Bolsonaro perde em uma disputa com o PT no 2º turno e não é totalmente confiável ao capital financeiro internacional. Alckmin, não vai chegar lá. Ainda que nenhum deles tenha sido o modelo de candidato ideal para o imperialismo, que sempre preferiu um outsider, “apolítico”, de extrema direita, que liderasse a direitização do regime político rumo ao bonapartismo aberto.

Um governo tucano liderado por um petista?

Por tudo isso é que a burguesia corre o risco de ter que engolir uma saída com o PT no próximo período. O que vai sobrar para a classe dominante seguir em frente será a socialdemocracia, pois é bem provável que o PT venha a ganhar essas eleições.

Se assim for, será um governo bem mais à direita que o de Lula e o de Dilma, pois provavelmente terá que montar um ministério que contente todos seus aliados no 2º turno, o que há de pior na política brasileira. Será um governo de “pacto social”, de “unidade nacional”.

Mesmo assim, inevitavelmente, será bombardeado pela extrema-direita, não vai conseguir governar, vai depender do Centrão no Congresso e talvez nem termine o mandato. Será um governo de muita crise, com a possibilidade de explodir de vez o regime político e com tendência de polarização ainda maior.

É por isso que os analistas burgueses dizem que tem que ver se acontecerá a transferência de votos de Lula para Haddad, que tem que esperar começar o horário eleitoral para ver se Alckmin reage e supera Bolsonaro, etc., etc.

Mais pura balela! O que não querem é admitir o óbvio. Lula transfere votos para Haddad, Alckmin não supera Bolsonaro. E uma disputa entre Haddad e Bolsonaro no 2º turno divide a burguesia. Até FHC já afirmou que o PSDB deve apoiar Haddad no 2º turno e o Centrão vai preferir Haddad do que Bolsonaro, ou no mínimo vai rachar. Haddad e o PT tem uma política muito parecida com o PSDB. Haddad é muito parecido com Fernando Pimentel, governador do PT de MG que mais parece um tucano. 

Um novo golpe do Judiciário?

Agora, a única maneira da burguesia evitar uma vitória petista é cassando a chapa do PT, com a Justiça Eleitoral impugnando a chapa Lula/Haddad e não dando alternativa para o PT apresentar outro candidato.

Essa foi a possibilidade que a direita considerou quando trocou a relatoria do processo de impugnação da candidatura Lula. Pois aqui temos um pequeno golpe interno ao TSE, em que a Presidente do Tribunal, ministra Rosa Weber, tirou das mãos do ministro Admar Gonzaga a relatoria do processo de impugnação do registro de candidatura do ex-presidente Lula e passou para o ministro Roberto Barroso.

O ministro Luís Roberto Barroso concentra os dois processos do PT no TSE, o de registro da candidatura e o da impugnação da candidatura. Ele deverá ter muito peito para, com um canetaço, tirar o PT da disputa.

O que dificulta para eles darem esse golpe é que o campo petista é muito maior que o campo antipetista. É pelo menos o dobro. E eles têm medo de uma rebelião popular.

+ Política

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