Quinta, 13 Dezembro 2018

luta de classes

 

No Manifesto Comunista, escrito em 1848, Marx e Engels distinguem as classes sociais fundamentais no capitalismo: a burguesia e o proletariado.  O Manifesto afirma que a burguesia produz seus próprios coveiros que são os proletários, portanto a luta do proletariado começa no início de sua própria existência. Além desta separação antagônica das duas classes sociais fundamentais encontramos no capitalismo uma série de frações da classe dominante.

Dentro da própria burguesia temos a burguesia industrial, a burguesia comercial, a burguesia do setor de serviços, a burguesia imperialista, a burguesia local dos países atrasados, etc. Como o objetivo no capitalismo é se apropriar de uma parte da riqueza social estes setores entram em disputa, em luta, principalmente porque, conforme a crise vai aumentando, o bolo vai se reduzindo.

Os grandes capitalistas personificam o grande capital e a luta se torna cada vez mais acirrada. As disputas entre as frações da classe burguesa se fundam em interesses materiais concretos, Marx desenvolveu isso claramente no Dezoito de Brumário e no Luta de Classes na França.

Nesse momento, no mundo inteiro, vemos acirrar a luta entre as frações da burguesia e a classe operária, que se encontra semiparalisada desde a década de 1980 no Brasil e no mundo. Essa semiparalisia se manifesta, ainda que não haja uma derrota física e cabal do movimento de massas e sua vanguarda, no caráter das lutas que são nitidamente de resistência e que isoladas tendem a se esvair sem dar o salto qualitativo para a unificação. Isso devido à aplicação das políticas neoliberais e ao giro à direita das direções do movimento de massas que traíram e traem descaradamente todas as lutas.  

O movimento operário nos países ocidentais, que sempre tinha sido a vanguarda da classe operária mundial, foi esvaziado devido à queda da União Soviética, a traição da esquerda e da burocracia sindical, em primeiro lugar, além da burocracia dos movimentos sociais, que acabou se integrando ao regime com mala e cuia.

A queda das burocracias na União Soviética foi um rompimento nos entraves impostos pelas direções stalinistas, mas esse fenômeno foi capitalizado pela burguesia imperialista em razão da não existência de um partido revolucionário que levasse as massas a uma revolução política, tomando o poder. O impacto foi tamanho que mesmo no Ocidente, muitos partidos ligados ao stalinismo mudaram de nome ou se integraram de vez à social democracia.

Outros, como na América Latina, se apegaram ao castrismo em sua política de pacificação do movimento de massas. Por sua vez a social democracia foi sendo levada cada vez mais à direita na medida em que o capitalismo foi aprofundando sua crise, mas teve um certo fôlego na composição dos seus aparatos quando ganhou quadros dirigentes oriundos do stalisnismo.

Com a queda do aparato stalisnista internacional e com duas décadas de neoliberalismo criou-se uma enorme confusão na consciência dos trabalhadores. O imperialismo aproveitou para fazer uma campanha de repetição incessante sobre o “fracasso do socialismo” e a “vitória do capitalismo”. Ocorre que nem um nem outro foi vitorioso, porque o capitalismo levou milhões de pessoas no mundo inteiro à miséria quase que absoluta e o socialismo não chegou a triunfar porque as diversas revoluções no século XX foram abortadas pela traição de suas direções.

Ainda estamos numa situação de semiparalisia devido a esses dois fenômenos: o enfraquecimento da indústria nos países ocidentais com transferência das linhas de produção para os países asiáticos e, ao mesmo tempo, a incorporação da burocracia política e social ao regime burguês, principalmente ao imperialismo.

Mas a base social dessa política acabou sendo muito afetada com a crise capitalista de 2008 onde as políticas neoliberais colapsaram. Porém, o imperialismo não foi capaz de criar uma alternativa a não ser aplicar mais neoliberalismo devido ao alto grau de crise em que se encontra todo o sistema econômico.

Nessa conjuntura, os trabalhadores encontram-se divididos claramente em três alas ou grupos fundamentais, quais sejam: uma ala revolucionária, uma ala contrarrevolucionária e uma ala "confusa". Com a semiparalisia da classe, é normal que o peso da ala revolucionária seja bem pequeno, em torno de 5 a 10%, enquanto outra parcela minoritária se coloca numa postura contrarrevolucionária ao lado do grande capital ou pressionada pelos setores comprados da burocracia sindical e partidária. A grande maioria, cerca de 80%, é composta de trabalhadores completamente indecisos, temerosos e sem saber o que fazer diante da crise, em geral não têm confiança nas direções dos movimentos organizados.

Conforme a crise aumenta e as contradições de classe vão avançando, uma parte considerável de indecisos, de centro, começa a ser empurrada para a ala que está em movimento, a ala dos ativistas revolucionários, como aconteceu várias vezes na história onde o grosso dos trabalhadores tende a se juntar aos movimentos nos momentos de pico.

Temos um exemplo clássico que foi o maio francês de 1968, que está completando 50 anos agora, quando na França cerca de 30 milhões de trabalhadores dos quais 11 milhões eram operários, impulsionados pelo movimento estudantil, que faz parte das camadas médias da população, chamaram uma greve geral que durou duas semanas e ocuparam todas as principais fábricas francesas. Ou seja, o grau de radicalização do movimento operário foi enorme. Não era só 10% da classe operária mobilizada, provavelmente era 80% ou mais. E o percentual de contrarrevolucionários tinha diminuído muito.

Isso não ocorre a todo momento porque a história sempre acontece por meio de ciclos, conforme Hegel afirmou e Marx desenvolveu, por meio de espirais que voltam ao mesmo lugar, mas em um estágio superior.

Tivemos outros exemplos como o "cordobazo" na Argentina em 1969, que foi uma situação muito parecida e influenciada também pela crise de 67 e pelo maio francês. Nas grandes greves operárias, no Brasil, na década de 1980 aconteceu a mesma coisa. Há uma pressão muito grande do capital e a classe operária vai para a luta, se organiza de formas diferentes e supera o período anterior.

Esses movimentos foram todos derrotados porque o grande capital ainda mantinha um centro contrarrevolucionário que era os Estados Unidos e que, em termos de configuração social e de conformação econômica, era muito forte porque vinha de um movimento ultraconservador e contrarrevolucionário, o macartismo da década de 50 e parte da década de 60.

A luta de classes evolui e a tendência é que no próximo período a classe operária entre em movimento. Quando afirmamos isso, normalmente tem muitas pessoas que olham com desconfiança. Mas o que acontece é que a classe operária não vai ser colocada em movimento pela esquerda atual, inclusive porque a esquerda que aí está encontra-se em estágio avançado de decadência, já em fase moribunda, completamente integrada ao regime. Ela vai ser colocada em movimento pela pressão e ataques do grande capital. Devido a crise, o grande capital é obrigado a atacar os trabalhadores e esses ataques acabam gerando, em algum momento, uma reação como sempre aconteceu na história.

É necessário deixar o alerta de que a democracia burguesa é a ditadura do capital sobre o trabalho, não há reino de liberdade para os trabalhadores se não se tornarem livres da exploração, da apropriação privada do que produzem, do fim da propriedade privada dos meios de produção. A ditadura do proletariado é a única forma de se alcançar a liberdade e a emancipação da classe trabalhadora. Por isso é necessário que os trabalhadores criem suas próprias organizações livres de burocratas e aproveitadores e avancem na construção do partido operário revolucionário como instrumento para a tomada do poder.

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