Sábado, 15 Dezembro 2018

fantasma3


Desde o golpe parlamentar que depôs Dilma Rousseff (PT), o grande capital internacional vem tentando e conseguindo parcialmente impor reformas que retiram direitos dos trabalhadores e entregam setores importantes da economia nacional. Os ataques só não foram mais profundos devido às contradições entre os capitalistas e à crise que se aprofunda cada um está tentando se salvar à sua maneira.

Os ataques aos trabalhadores já haviam se iniciado durante o governo Dilma Rousseff, que vinha tentando se manter com agrados aos capitalistas, retirando direitos mesmo tendo prometido na campanha eleitoral, em 2014, para o seu segundo mandato, que não mexeria em direitos trabalhistas. Por exemplo, restrições no seguro-desemprego, auxílio-doença, pensão por morte, e o fator previdenciário 85/95 (soma de idade mais tempo de contribuição, respectivamente para homens e mulheres) foram golpes do governo petista contra os trabalhadores. Como se não bastasse, a presidenta Dilma sancionou a Lei Antiterror com o objetivo principal de criminalizar os ativistas dos movimentos sociais. Apesar disso, o governo Dilma não atacava os direitos dos trabalhadores como era desejado pelo imperialismo. Esse foi o principal fator para o seu impeachment, sendo a campanha contra a corrupção apenas um subterfúgio para pressionar o governo, qualquer governo, para que continuasse a entrega das riquezas nacionais e aplicasse medidas de redução de investimentos estatais nas áreas sociais. O descontentamento com o governo petista cresceu na medida em que a crise econômica se aprofundava e não era mais possível praticar caridade governamental com os preços das nossas matérias primas caindo.

Temer assumiu como vice de Dilma - o PT praticou o modelo de frente popular, que incluía vários elementos e partidos de direita já bastante “tradicionais” na política nacional - e foi, desde o início um governo fraco, que agiu pressionado pelo Judiciário, tornando-se , com a Operação Lava Jato, a principal instituição de pressão do imperialismo norte-americano nas decisões políticas. Porém, por falta de opção não foi substituído, um a um os candidatos de plantão foram caindo nas delações premiadas, uma vez que todos grandes partidos foram atingidos. Depois de destruírem o PT, o PMDB, um partido enorme, sem nenhuma linha política bem definida, mas enraizado em quase todos os municípios, foi colocado na gordura quente das delações e fritado: seus principais caciques apareceram no topo da lista dos maiores corruptos. E sobrou também para o PSDB que se fragmentou quando seu candidato a presidente apareceu em gravações feitas pela Polícia Federal, traficando influência e engordando seu patrimônio. A linha do imperialismo ficou muito clara. Era necessário colocar todos sob suspeição para impor medidas que revertessem a subida da taxa de lucros do grande capital. A imprensa burguesa e principalmente a Rede Globo foi usada para manipular a opinião pública.

O regime político entrou completamente em crise e todos os prováveis substitutos de Michel Temer foram sendo molestados pela Operação Lava Jato. Uma crise começou a se instalar no próprio Judiciário com posições conflitantes entre os membros do Supremo Tribunal Federal. É praticamente um governo paralelo que revoga e impede a posse de ministros e deputados, como é o caso agora do bloqueio de uma posse no Ministério do Trabalho, de Cristiane Brasil, que, eliminando as questões de ordem moral, não teria nenhum impedimento.

O objetivo mais imediato agora, depois da reforma trabalhista, era a "reforma" da Previdência. O governo Temer apesar de todos os gastos em propaganda e compra de votos não conseguiu ainda aprová-la. Mesmo colocado contra as paredes com o vazamento das gravações do dono da JBS, Wesley Batista e com os militares, através do general Hamilton Mourão, declarando que estariam de prontidão para intervirem para colocar ordem na casa. Foi pressão sobre pressão, mas o governo moribundo de Temer não caiu. Faltou o principal elemento, a mobilização de massas. O clamor das ruas. A mobilização de base. As greves gerais.

Manobras eleitoreiras

Pela falta de grandes mobilizações de massas, que só não existiram pelo boicote das direções burocráticas, o governo Temer se mantém aprofundando em crise e é um verdadeiro governo zumbi. Temer ainda não conseguiu impor a “reforma” da Previdência, existe enorme pressão para que ele a faça, pois seriam bilhões a serem irrigados para o capital especulativo, para a corrupção legalizada que é o pagamento da dívida pública.  Por isso insiste em manter a indicação da deputada Cristiane Brasil para ministra do trabalho, pois há acordo com o PTB para votar a reforma.  Some-se a isso a pressão do imperialismo de rebaixar a nota do Brasil na agência de classificação de risco Standart & Poor’s, esta semana.

O PT e a CUT não fizeram praticamente nada, além de algumas passeatas e atos controlados com a participação de um público restrito à militantes, para impedir o golpe, tanto o de deposição da presidenta Dilma, como o golpe da retirada dos direitos dos trabalhadores. O movimento sindical brasileiro está profundamente atrelado aos aparatos do Sindicato de Estado e, nesse sentido, não só a CUT como as demais centrais e burocratas sindicais vivem apartadas da classe trabalhadora com os benefícios que recebem em forma de verbas descontadas dos trabalhadores. A burocracia sindical é uma força material sustentada com o dinheiro dos trabalhadores e que tem muitos privilégios. A primeira vantagem da burocracia é não ter o chefe no seu calcanhar todos os dias, sem horário de trabalho e com recursos financeiros, sem o controle dos filiados nem dos trabalhadores. O grosso dos burocratas, os mais recalcitrantes, não trabalham e, portanto, não são mais trabalhadores, mas privilegiados que se valem do controle dos Sindicatos, que devem ser instrumentos de luta dos trabalhadores e não propriedade particular de burocratas. A maioria desses burocratas tem algum vínculo partidário e muitos deles se lançam candidatos ao parlamento ou ao executivo, contando os pontos que somam diante da classe trabalhadora e se conseguem se eleger mantêm o padrão de vida desejado, se não conseguem retornam ao aparato sindical, mas é dificílimo que retornem ao local de trabalho, mesmo quando do setor público.

Por isso é que vemos dirigentes sindicais fazendo todos os tipos de manobras, inclusive aquelas que impedem a mobilização dos trabalhadores para se manterem nos aparatos dos sindicatos. Com o fim do Imposto Sindical, aquele dia que é descontado de todos os trabalhadores braseiros uma vez por ano, eles estão ainda mais na defensiva para tentar um acordo com o governo (mesmo o golpista) e com os patrões para verem novas formas de alavancar recursos que possam manter seus privilégios. São interesses materiais, em geral, que movem as pessoas e, por consequência, as lideranças sindicais e partidárias. Muitos aguerridos defensores da democracia e da volta de Lula estão no fundo pensando em um cargo e no salário diferenciado.

Com os ataques e quase destruição do PT, a burocracia vê na eleição de Lula uma esperança para recompor e aumentar seus privilégios, por isso aposta todas as fichas nesta candidatura. Lula é disparado o candidato preferencial do eleitorado e uma pedra no sapato do imperialismo que prefere vê-lo fora do jogo eleitoral para impor um candidato que possa colocar o Brasil ainda mais sob o jugo norte-americano. É devido a isso que a Operação Lava Jato condenou Lula sem provas, usando apenas evidências e convicções, e agora o TRF4 adianta o julgamento da votação do recurso da defesa de Lula, pulando olimpicamente por cima de outros julgamentos mais antigos, para inviabilizar a sua candidatura, já que a intenção é colocar um governo de estilo bonapartista.

A esquerda em geral e o petismo em particular ou mesmo certo lulismo, não vão além das expectativas eleitorais e inviabilizam as mobilizações de massas canalizando tudo para os atos “em defesa da democracia e de Lula”. Evidente que uma eleição sem a participação do candidato petista seria um descaramento sem tamanho, mas não se pode compactuar com política de frente popular praticada nos governos petistas e nem com a paralisia geral que tomou conta da maior central sindical do país. Não lutar contra as reformas impostas pelo golpismo é o mesmo que fazer um acordo tácito com o grande capital através do ardiloso jogo eleitoral que, neste momento, se dá em meio ao processo golpista e aponta tão somente ilusões. O que seria um eventual governo Lula sem, no mínimo, os direitos trabalhistas e previdenciários existentes no primeiro governo de Lula?

Só a luta pode mudar a vida

O petismo e a esquerda universitária e reformista trataram de converter a luta direta dos trabalhadores em disputa eleitoral, onde alguns líderes vencem na vida e a classe trabalhadora continua sendo o que sempre foi. Essa situação tende a ser ultrapassada conforme a crise econômica se aprofunda e a classe trabalhadora fica cada vez mais pauperizada.

A luta de 2018 não pode ter como eixo central as eleições. É necessário organizar os trabalhadores e os terceirizados a partir dos seus locais de trabalho na cidade, junto com os trabalhadores sem terra em todas as ocupações para enfrentarem a grande burguesia e os latifundiários. A classe trabalhadora não pode esperar que um eventual governo Lula venha a ser menos ruim que um governo Temer para avançar na sua organização, mesmo porque nada garante que haverá eleições, nada garante que Lula será candidato, e, principalmente, nada indica que se Lula for eleito fará um governo mais para os trabalhadores e menos para os patrões.

Fora Temer e todos os golpistas!
Contra as reformas trabalhista e previdenciária!
Abaixo a farsa da disputa eleitoral!
Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo!

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