Quarta, 24 Outubro 2018

nulo

Na semana passada foi realizada na grande mídia uma campanha de desconstrução da candidatura de Bolsonaro, que culminou com o movimento #EleNão no sábado, dia 29 de setembro, com atos em todo o Brasil. Essa campanha da mídia foi deflagrada pela revista The Economist do dia 20 de setembro em que tinha na capa a foto de Jair Bolsonaro e a manchete: “A última ameaça da América Latina”.

Toda a mídia internacional e nacional se pautou por essa direção. No Brasil, os principais meios de comunicação produziram uma profusão de notícias negativas em relação à Bolsonaro.

Crise no STF

Todo esse clima favoreceu que o ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski autorizasse, na sexta-feira, dia 28 de setembro, à Folha de São Paulo entrevistar o ex-presidente Lula.

Essa entrevista poderia dar um impulso na candidatura do PT. E fazer Haddad ultrapassar Bolsonaro, pois as pesquisas estavam indicando uma tendência de crescimento de Haddad já com empate técnico entre os candidatos.

Assim, a liberação para Lula dar entrevista à Folha foi a gota d’água que acendeu o sinal vermelho na extrema-direita nacional. No mesmo dia de sexta-feira o ministro do STF, Luiz Fux, num ato claramente autoritário suspende a decisão de Lewndowski como se liminar fosse, quando na verdade era decisão de mérito.

Na segunda-feira, dia 1º de outubro, O ministro Lewndowski determinou o cumprimento da decisão tomada por ele na sexta-feira sob pena de configuração de crime de desobediência.

Permanecendo o impasse, o ministro da Segurança Pública, Raul Jugmann questionou o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, e este na própria segunda-feira, à noite, determinou a suspensão da decisão que liberava a entrevista de Lula, até que a questão fosse julgada no plenário da Corte.

O golpista Sérgio Moro e o PIG em ação

Na segunda-feira, também, o Juiz Ségio Mora vazou parte da delação premiada de Antônio Palocci, que afirma que Lula sabia da corrupção na Petrobras desde 2007 e revela o loteamento de cargos para garantir propinas para Caixa 2. E que a campanha de Dilma em 2014 custou R$ 800 milhões e em 2010, R$ 600 milhões, metade do que foi declarado para o TSE. É uma delação sem provas, vazada por Sérgio Moro às vésperas das eleições.

Ainda na segunda-feira, dia 1º, saiu mais a pesquisa do IBOPE e na terça-feira, dia 2, sai a pesquisa DATAFOLHA. Muito semelhante uma com a outra, que aferiam crescimento de Bolsonaro e estagnação e aumento da rejeição de Haddad.

IBOPE: Bolsonaro 31% e Haddad 21% com empate técnico entre os dois no 2º turno.

DATAFOLHA: Bolsonaro 32% e Haddad 21% com empate técnico no 2º turno.

Na quarta-feira, dia 03, saiu a nova pesquisa do IBOPE e quinta-feira, dia 04, a do DATAFOLHA.

IBOPE: Bolsonaro 32% e Haddad 23% com empate técnico entre os dois no 2º turno.

DATAFOLHA: Bolsonaro 35% e Haddad 22% com empate técnico no 2º turno.

Essas pesquisas foram totalmente diferentes das anteriores, o que indica manipulação, mas que não é novidade, pois as pesquisas servem para controlar e direcionar o cenário político conforme os interesses do capital.

Então, na semana passada tinha uma campanha na mídia contra Bolsonaro e esta semana inicia com uma campanha forte contra o PT. Será que o imperialismo mudou de orientação durante o final de semana? Certamente não. Apenas um exemplo: a agência de classificação de riscos Standard & Poor's afirma que “Bolsonaro é maior risco de que Haddad para a economia”.

O imperialismo já sinalizou contra Bolsonaro

Para entender essas contradições, tem que raciocinar do ponto de vista de classe, pois a sociedade é dividida em classes sociais e os movimentos na superestrutura político- jurídica da sociedade respondem a interesses materiais das diferentes classes e dos diferentes setores de classe. Aqui, mais especificamente com os interesses materiais conflitantes entre os diferentes setores da classe dos capitalistas.

O imperialismo por meio da revista The Economist sinalizou contra Bolsonaro porque prefere a estabilidade de um governo de unidade nacional em torno de Haddad. Governo este que seria formado com elementos pró mercado ocupando os cargos principais, como o economista Marcos Lisboa, presidente do INSPER, que é cotado para ser ministro da economia de Haddad, e com uma atuação discreta do PT, ficando em segundo plano no governo.

Porém, devido à polarização política, setores da burguesia nacional brasileira anseiam por resultados imediatos e veem em Paulo Guedes a possibilidade de alavancar seus lucros ainda que seja apenas no curto prazo, uma vez que a tendência de um governo Bolsonaro no médio prazo é a desestabilização política e a bancarrota na economia.

As contradições entre os setores burgueses

A burguesia no Brasil tem uma característica de não se preocupar em construir um projeto nacional. Ela vive mais é de priorizar os interesses regionais, setoriais e imediatos como, por exemplo, o latifúndio, o chamado agronegócio, setor de extrema direita que apoia a intervenção militar e foi ativo no lockout das empresas de transportes - a chamada greve dos caminhoneiros.

Os setores ligados à indústria, também sempre olharam só para o seu umbigo. Os médios e pequenos empresários à beira de falência e a classe média desesperada, têm esperanças de melhorar de vida iludidos com a propaganda da extrema direita.

Há também um setor de trabalhadores que está com a direita. Trotsky disse que a classe operária não é unificada e que tem setores que olham para trás e setores que olham para a frente. E a política de conciliação de classes do PT jogou muito trabalhador no colo da direita.

Há um setor grande da burguesia nacional que está com Bolsonaro. Mas também há importantes setores que estão com Haddad, que concordam com a linha do capital financeiro internacional de garantir algo mais duradouro e controlado do que um governo Bolsonaro que indica desestabilização e a possibilidade de colocar o país à beira de uma guerra civil.

E é sobre essa polarização que a burguesia internacional procura se adaptar flutuando sobre os diferentes setores nacionais na busca de uma solução que seja melhor para os negócios.

Haddad estruturará uma frente popular de centro-direita

Nesse sentido, a política do imperialismo está cuidadosamente direcionada para pressionar, controlar e conduzir a candidatura do PT e, na eventualidade de vencer as eleições, seu futuro governo, para uma localização política bem mais à direita do que os governos anteriores que foram encabeçados pelo PT.

O que implicaria em montar um governo mais à direita do que o governo Dilma e muito próximo do governo Temer ou FHC, pois o ideal da burguesia financeira é um governo de “coalizão nacional” com a maioria dos partidos envolvidos, com maioria no Congresso Nacional e que avance na aplicação de um brutal ajuste econômico contra os trabalhadores.

E o PT se presta para impulsionar esse tipo de governo, tanto é que Haddad já se aproximou do mercado financeiro em vários encontros com representantes desse setor e já se comprometeu a fazer um ajuste fiscal e a encaminhar ao Congresso uma proposta de Reforma da Previdência.

A lógica, guardando as especificidades, é semelhante à das eleições francesas no ano passado. O candidato centrista Emmanuel Macron fez um movimento para unir setores da esquerda e da direita para  enfrentar a extrema direita representada pela candidatura de Marine Le Pen.

Macron venceu e se revelou o candidato dos banqueiros internacionais. Aqui no Brasil, hoje, a pressão do imperialismo é para  que um futuro governo Haddad seja também o representante do capital conformando uma frente popular de centro-direita.

O golpe escalará para um patamar superior independente de quem seja o próximo governo

E também nunca podemos esquecer que há um golpe em andamento, que essas eleições foram manipuladas pelo golpismo e que no ano que vem o golpe vai escalar independente de quem compor o governo.

A lógica golpista não avança pelas instituições normais do regime democrático burguês, como o executivo e parlamento, que são eleitos pelo povo, mas pelas instituições que não são eleitas e que tem o monopólio da força e da interpretação e aplicação das leis e das ideologias, a seu bel prazer.

As eleições dão uma máscara democrática ao golpe e iludem a população que pensa que pode influenciar no futuro do país com o exercício do voto

O golpe é aplicado pela burguesia por meio do Poder Judiciário, principalmente a Lava Jato e o STF, mas em combinação com o Ministério Público, a Polícia Federal, as Polícias Militares, as Forças Armadas, os grandes meios de comunicação de massas (mídia golpista) e os grandes meios de contenção de massas (igrejas e burocracias sindical e de “esquerda” em geral).

E a ameaça de um golpe militar vai assombrar o próximo governo, principalmente se este for um governo Haddad, fazendo pressão para que se apliquem os planos de ajuste de interesse do imperialismo.

Por isso os trabalhadores não podem se iludir com essas eleições, que são na verdade uma continuidade do golpe por outros meios. Passado o 2º turno, com a ascensão do novo governo, independente de quem vencer, os ataques aos direitos dos trabalhadores virão com força, pois o novo governo terá mais “legitimidade” para aplicar os ajustes neoliberais.

Nós trabalhadores devemos votar nulo nessas eleições golpistas, rechaçando o circo eleitoral montado para enganar os incautos. E devemos, também, desde já preparar a resistência da nossa classe aos ataques que virão, pois só a força dos trabalhadores mobilizados poderá barrar a aplicação dos planos de arrocho e desemprego promovidos pelos capitalistas e seus capachos.

Voto nulo nas eleições golpistas!
Somente a mobilização dos trabalhadores pode barrar o golpe!

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