Quinta, 13 Dezembro 2018

cirogomes


A crise política no Brasil dispara como reflexo da crise econômica. Os candidatos da direita e da esquerda integrada ao regime estão inviabilizados e os votos brancos e nulos dispararam. Ou seja, há uma crise generalizada de conjunto do regime político.

O candidato Jair Bolsonaro passou a ser desprezado pela extrema direita que o apoiava de início, pela grande imprensa e pelo Judiciário, ele não está mais imune aos ataques. A rejeição ao presidente Temer é a maior de todos os tempos, de acordo com a Datafolha, está acima de 88% e com isso fica inviabilizada a candidatura de Henrique Meirelles, ex ministro da Fazenda, que não decola. Se trata de uma carta fora do baralho.

Todos os demais componentes do golpe estão avançando, por exemplo, com a retirada dos candidatos chamados "outsiders" como Luciano Hulk, apresentador de televisão, e Joaquim Barbosa, os candidatos que sobram estão num grau de desgaste muito elevado. Isso só demonstra, o que já publicamos por diversas vezes, uma movimentação geral do imperialismo contra todo o regime político através da Operação Lava Jato juntamente com todo o poder Judiciário, a grande imprensa etc.

O que não podemos esquecer quando constatamos esse tipo de problemas é que a evolução do golpe de Estado no Brasil se deve, em primeiríssimo lugar, a um problema prático, concreto, de que o imperialismo funciona com a junção do capital industrial com o capital bancário, conforme Lenin explicou em 1916. É preciso garantir a taxa de lucro dos grandes monopólios, das grandes empresas chamadas multinacionais que pertencem atualmente às 148 famílias mais ricas do mundo, proprietárias das 1.100 principais empresas que, por sua vez, controlam diretamente outras 30.000 empresas maiores do mundo. O imperialismo não confia em nenhum dos componentes do regime político porque estão numa crise brutal. O imperialismo, por exemplo, está pouco se importando em fazer alianças com setores mais entreguistas das burguesias nacionais, aliás essa distinção está praticamente diluída pela crise.

A direita neoliberal colapsou com a crise de 2008 e a esquerda se integrou ao regime e, praticamente, perdeu o apoio das massas, a não ser o apoio eleitoral sem mobilização. Nesse sentido, chama muito a atenção a matéria publicada pela revista Veja que revelou e-mails enviados pelo ex presidente FHC à Odebrecht, com toda uma série de detalhes, pedindo doações a tucanos nas eleições de 2010.

Por que a revista Veja, que é de extrema direita, teria interesse em queimar FHC? É simples, porque a fritura não é apenas dele, mas da ala centro do regime como um todo, porque o imperialismo precisa aplicar ataques maiores contra os trabalhadores e o grande capital não confia que o PSDB, o MDB e, mesmo o PT, consigam fazer. Precisa espoliar ao máximo os trabalhadores e as massas. Precisa implantar no Brasil um modelo, um laboratório, a ser copiado no restante da América Latina. Esses partidos não são suficientemente confiáveis para aplicar uma reforma trabalhista muito mais dura, que retire todos os direitos, para acabar com a Previdência, para entregar de bandeja todas as empresas nacionais e, além disso, para conter o inevitável avanço e a reação do movimento de massas.

Com a revelação desses e-mails se queima mais uma candidatura, a do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que já estava fragilizada com as denúncias de corrupção no DERSA, na obra do Rodoanel e de outras.  Em primeiro lugar o jogo de Alckmin era se apresentar como a direita mais confiável, tentando atrair votos que eram direcionados para outras alas do regime político de centro, principalmente para o MDB e parte do PT, mas o problema é que a burguesia imperialista e  até a burguesia paulista têm desconfianças.

Aqui entra o jogo de Ciro Gomes, candidato do PDT, que uma parte da esquerda vê como alternativa a Lula. Dentro desse jogo político ele tenta se apresentar como um nacionalista, como um desenvolvimentista, mas sua política sempre foi de manter todos os acordos. Ele é um elemento burguês do regime político e isso ficou claro nas duas oportunidades em que foi ministro. Tanto no governo Itamar Franco quanto no primeiro governo de Lula, quando foi governador do Ceará e prefeito de Fortaleza, etc. Ele é um elemento do regime e, pior ainda, embarcou na campanha anticorrupção da direita, apoia e está alinhado com a Lava Jato contra o MDB. Recentemente se aproximou do DEM mantendo uma reunião com o presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia.

De fato ele tem como disputa principal não os votos do PT, que migrariam num segundo turno rapidamente para Ciro na sua maioria, mas ele tende a disputar o espaço político de Alckmin, que seria um grande enigma, o espaço deixado pela fritura e decadência dos grandes chefões do PSDB como Serra, Aécio Neves, Marconi Perillo de Goiás, Beto Richa do Paraná, etc. Ainda tem todo o problema com os governadores nordestinos que são seguidores de Lula e que agora estão órfãos. Há uma disputa por esses votos de cabresto do Nordeste.

Temos também a aproximação de Ciro Gomes com a burguesia paulista que desconfia tanto de Bolsonaro quanto de Alckmin porque não é somente o imperialismo que desconfia desses senão a própria burguesia paulista.

Dentro dessa política de integração ao regime e do total direcionamento para o jogo eleitoral a política do PT é manter a candidatura Lula até o último momento. Perto do prazo final e quando ficar claro que o golpismo não vai permitir que Lula se candidate, indicará o vice que deverá assumir o lugar deste na chapa. Essa seria a jogada. Obviamente deixa para o final porque senão a extrema direita, a Lava Jato e a imprensa vão triturar esse vice. Isso explica, por exemplo, como o possível vice na chapa Fernando Haddad está completamente calado, o próprio Jacques Vagner e outros também. Mas para que essa estratégia, que é meramente eleitoral, funcione precisaria se ver a capacidade de Lula em transferir os votos de sua candidatura e todo o ataque que a direita irá impor. Porque essas não são eleições normais, são eleições abertamente golpistas, chamadas por um regime golpista, dentro da pressão ainda mais golpista do imperialismo por meio da Lava Jato, do Judiciário, etc.

Sem denunciar, sem entender isso, tentar tratar como eleições democráticas normais é se integrar não somente a um regime democratizante burguês senão se integrar ao próprio regime golpista. Conforme temos qualificado algumas vezes, acaba se transformando numa esquerda integrada ao regime e golpista ao mesmo tempo. A política de frente ampla do PT junto com o PDT, PC do B, PSDB, etc., é uma política muito mais cretina que a política atual. É uma política que confia no regime político e tenta criar uma grande frente de esquerda, oportunista, para segurar o regime político em troca de manter os privilégios que esses setores burocráticos detêm hoje em dia.

Como conclusão, vemos uma grande crise do regime político de conjunto. Todos os elementos integrados ao regime estão contra a parede, principalmente os da direita centrista. A crise é total de parte da extrema direita onde Bolsonaro é um dos elementos. Componentes da extrema direita como o Judiciário, que funciona como uma espécie de partido, também estão em crise. O STF, por exemplo, está dividido. O chamado PIG, Partido da Imprensa Golpista, também está em crise. Por que toda essa crise? Isso se deve em primeiro lugar à pressão do imperialismo norte americano para apertar o Brasil e extrair o máximo do país, e que isso ainda sirva de modelo para a América Latina como um todo, onde a crise também é fenomenal. A receita é mais neoliberalismo, com uma liquidação das estatais lucrativas que ainda sobraram e retirada de direitos trabalhistas e sociais.

A esquerda integrada ao regime político se encontra numa crise tão grande ou pior que a da direita. São elementos do regime político em várias alas perante a pressão da direita e a pressão do movimento de massas que é potencial. Quando o movimento de massas, em cima desses ataques, entra em movimento a crise do setor de centro tende a se acelerar ainda mais e tende a se colocar a luta entre os polos do regime político. Basicamente seria entre a classe operária e o movimento de massas, por uma parte, e a burguesia principalmente a imperialista por outra. 

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