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No Brasil, há uma esquerda que podemos chamar de golpista, porque longe de combater o golpe tem tentado fazer acordos de todos os tipos com a direita, inclusive com o imperialismo. A cúpula do PT é especialista nisto, com Lula na cabeça, mas o PSOL faz a mesma coisa. No Rio de Janeiro, Freixo, nas eleições, foi apoiado pela própria Rede Globo. E agora com a intervenção, chamou alguma manifestação? Tentou organizar os trabalhadores e as massas para resistir ao avanço do golpe? Não, não fizeram absolutamente nada. Nem no Rio de Janeiro e nem em lugar nenhum. O negócio deles é avançar na via jurídica; o PT tentando salvar Lula da prisão, por meio de manobras jurídicas, e evitar a implosão do Partido, e os demais, como o PSOL e o PSTU, tentando pegar alguma migalhinha do colapso e da crise do PT.

Toda a política de frente popular no Rio de Janeiro e no Brasil desde o PT até o PSOL é abertamente escandalosa. Por exemplo, os protestos agendados contra a reforma da Previdência são manipulados no sentido de que não há convocação e nem organização pela base. De fato, tudo é feito para que nada aconteça.

Esse problema da esquerda no Brasil se repete no mundo todo. A esquerda está praticamente falida, atrelada ao Estado burguês. A causa principal é que o movimento operário está paralisado e a aceleração econômica que houve na Ásia desde a década de 1980 criou um fator de estabilização relativo. A China é ainda um grande canteiro de obras, também o Vietnã, um pouco menos o Camboja e a Tailândia, a Malásia, as Filipinas e a Indonésia. A bola da vez é a Birmânia.

Toda essa região serviu para uma relativa estabilização do capitalismo mundial. Mas enfrenta um problema. Esta estabilização, a partir da crise de 2008, entrou em crise. O grau de endividamento da China é gigantesco. Só o das empresas ultrapassa os US$ 19 trilhões , o que significa mais de 170% do PIB, e a tendência é só se agravar. Portanto, tudo aponta para um grande colapso capitalista mundial.  O Brasil e a Argentina estarão na linha de frente. A crise só poderá levar à uma grande mobilização operária.

Toda a imbecilidade que vemos na esquerda pequeno burguesa atrelada ao regime e na esquerda contemplativa fragmentada em pequeníssimos grupos desconectados do movimento operário e social, conectados apenas na Internet, tende a ser ultrapassada no próximo período. O movimento de massas trará uma mudança na situação política.

No momento, devemos denunciar a intervenção militar no Rio de Janeiro com veemência e a “reforma” da Previdência, denunciando, também, a traição da esquerda frente populista, chamando a população e os trabalhadores a se mobilizarem contra os ataques golpistas e contra o próprio golpe militar no Brasil.