Quarta, 21 Novembro 2018

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A convocação da “Greve Geral” para o dia 5 de dezembro acabou se transformando num abacaxi que a burocracia hiper desmoralizada não conseguiu descascar. No melhor dos casos, deveria ter sido uma paralisação, porque o que está colocado não é generalizar grandes e fortes greves senão a tentativa de manter o controle do movimento de massas. Conforme os ataques continuam contra os trabalhadores, existe a ameaça de que o movimento de massas ultrapasse a burocracia sindical, a política de conciliação de classes da “frente popular” encabeçada pelo PT. A crise é enorme, o arrocho salarial brutal e o desemprego se transformou num componente estrutural da crise.

Os últimos números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o desemprego e o subemprego somam, no Brasil 27,8 milhões de pessoas. Mas esses números consideram uma força de trabalho de apenas 65 milhões de trabalhadores e camuflam que apenas pouco mais de 33 milhões de trabalhadores contam com Carteira de Trabalho assinada e que, de acordo com os próprios números do IBGE, a metade desses trabalhadores ganha um mísero salário mínimo.

Na realidade, a força de trabalho no Brasil se encontra em torno aos 120 milhões de trabalhadores. O desemprego real, atinge pelo menos 70 milhões de pessoas. A situação é dramática, tão crítica que é preciso acompanhar com muito cuidado até quando os trabalhadores irão continuar paralisados. Há ainda o impacto da intensificação da crise no mundo que está indo para um novo colapso do capitalismo mundial.

A burocracia sindical e a “frente popular” fazem parte do regime

A votação da “reforma” da Previdência Social que iria acontecer no dia 6 de dezembro, não aconteceu por causa da crise do governo Temer, mesmo quando os componentes da “reforma” seriam muito menores do que o imperialismo queria. Mas o governo tenta sobreviver manobrando nos bastidores.

A burocracia de todas as centrais rapidamente marcaram a suposta “Greve Geral” para o dia 5 de dezembro, logo após a fraude que foi a “paralisação” que tinha acontecido algumas semanas atrás, quando não houve paralisação nenhuma; inclusive foi a pior paralisação desde 2013, no mínimo.

A “greve geral”, se depender da burocracia e da “frente popular”, só pode ser um fracasso total porque essa é a política que eles aplicam. Eles estão com muito medo. Eles querem controlar e canalizar o movimento grevista o máximo que puderem para os mecanismos institucionais. A burocracia sindical tenta usar os trabalhadores como massa de manobra para pressionar o governo porque perdeu o imposto sindical e ela está querendo algum mecanismo para voltar a ter essa verba.

Um caso escandaloso apareceu na CUT que criou um PDV, um plano de demissão voluntária ou incentivado, para demitir os próprios funcionários. Isso revela que a crise é enorme e que a capacidade de luta dessa burocracia está praticamente extinta. Poderá dar uma viradinha à esquerda no caso de haver um grande ascenso de massas? Poderá, mas em bloco não. O normal é que aconteça como sempre aconteceu, com rachas enormes; mas é preciso levar em conta que são 30 anos de paralisia e altas traições. O que tende a acontecer neste momento é um grande bloco da burocracia sindical ir ainda mais para a direita junto com a burguesia, como sempre aconteceu, a burguesia mais reacionária. Alguns setores dela deverão rachar principalmente com a perda da base material da burocracia, que é o dinheiro do imposto sindical, e a pressão do movimento de massas que ameaça passar por cima.

É possível se preparar uma greve geral em três dias?

Preparar uma greve geral num curto período de tempo é impossível, principalmente no contexto de paralisia das lutas, que é provocado, como um dos principais pilares, pela contenção da burocracia e da política de “frente popular”.

Uma greve geral é a generalização de um conjunto de greves. Se não há greves, se trataria de uma grande paralisação. Mas para se preparar uma mobilização é preciso ir à base, discutir com os trabalhadores, elaborar e entregar panfletos; preparar a logística, carros de som, os piquetes para fechar as entradas das principais empresas, “convencer” os sindicatos dos transportes. É preciso ter uma política, um comando, palavras de ordem. O que houve na preparação das últimas duas “greves gerais”? Não houve absolutamente nada. Pura manipulação, mais uma farsa.

Em paralelo, aparecem algumas mobilizações espontâneas como, por exemplo, as mobilizações de antifascistas em vários lugares. Esses protestos semi espontâneos já tiveram importância em 2013 e 2014, apesar de que, no geral, acabaram manipulados pela direita.

Se acelera a traição da “frente popular”, a política da conciliação de classes, cada vez mais. Apesar do Brasil estar entrando no ritmo de final de ano e a burocracia estar conduzindo, como boiada para o matadouro, os trabalhadores para o abismo de final de ano, é óbvio que os ataques só irão continuar.

O revolucionários precisamos nos preparar para orientar o movimento de massas que, mesmo paralisado agora, tende a se colocar em movimento no próximo período.

A saída da crise é extraparlamentar

A saída da crise não pode acontecer por meio de eleições. A saída da crise num momento de grande crise só pode ser extraparlamentar, conforme o próprio Karl Marx explicou no livro O 18 Brumário de Luís Bonaparte, e em vários outros.

O imperialismo busca varrer o regime político atual e colocar outro no lugar. Essa é uma tese central. Por causa do aprofundamento da crise, que se transformou numa crise estrutural, precisa mudar o regime político para adequá-lo a essa situação. Precisa ser mais duro, com menos partidos, com maior facilidade para o grande capital controlar as massas, com maior capacidade de reação contra o movimento operário que, inevitavelmente, deverá entrar em movimento no próximo período.

Uma greve geral de verdade deverá ser construída retomando as greves gerais que aconteceram na década de 1980, principalmente com a generalização das greves com ocupações de fábrica de 1985 e 1986, as greves gerais de dezembro de 1987 e a de 1989; esta, proporcionalmente, foi a maior da história do Brasil, com mais de 30 milhões de trabalhadores que aderiram.

O papel dos revolucionários, neste momento em que o movimento de massas se encontra paralisado, deve ter no eixo se preparar para atuar no movimento de massas. A greve geral de verdade, como uma das formas de luta mais revolucionárias, precisa ser construída. Para isso, a classe operária precisa ser mobilizada por meio de palavras de ordem, por meio de boletins. É preciso atuar nas principais categorias. É precisa ter um órgão político central forte que oriente a luta geral. Nós nos esforçamos para construir o Jornal Gazeta Revolucionária. Apesar do medo da recessão e do desemprego, os trabalhadores começam a sentir os efeitos das “reformas” que, na prática, são verdadeiros massacres contra as condições de vida dos trabalhadores.

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