Sexta, 19 Outubro 2018

Por Florisvaldo Lopes

ovo50

Nessas eleições, o conjunto da esquerda tenta canalizar tudo para obter o voto dos explorados nas eleições burguesas que, pelo que tudo indica, servirão para que o capitalismo imponha um governo muito mais duro que o atual governo golpista. 

Assim, com o avanço do golpismo e a confusão política no Brasil atual, a esquerda pequeno burguesa e os grupos políticos que se dizem “revolucionários” se transformaram simplesmente em oportunistas, todos à espera dos acontecimentos, de uma maneira totalmente integrada ao regime burguês e sem fazer qualquer crítica à burocracia de esquerda.

A indefinição acontece porque o capitalismo ainda está tentando achar seu candidato, quer dizer, está manipulando o sistema para impor o candidato ideal. Como é feita essa seleção de candidatos? Simples, entre os velhos aliados que apontam candidatos, como por exemplo, Geraldo Alckmin (PSDB), o capitalismo, ao perceber que esses não serve mais a seus propósitos, trata logo de ir queimando-os com a tal caça aos corruptos.

A esquerda, nesse cenário confuso, movimenta todo seu aparato para viabilizar a candidatura Lula e para isso usa as velhas demagogias de sempre, falando que esse, uma vez eleito, vetará todos os ataques aprovados pelos golpistas, que o Brasil voltará a ter emprego, etc. O que essa esquerda esquece é que o Estado tem dono, e o dono não é o povo, e sim os capitalistas, que passam por uma crise econômica poucas vezes vista na história.

Aí fica a pergunta, nessa conjuntura de crise capitalista mundial e sendo o grande capital quem controla o Estado, é mesmo possível reformar este para melhorar a vida dos explorados? Nós marxistas sabemos que, em momentos de bonança, quando o capitalismo dá algumas migalhas aos oprimidos com uma mão, em momentos de crise retira o que deu com as duas mãos. Isso é o que vemos acontecer atualmente e vai continuar acontecendo esteja na gerência do Estado quem estiver, seja ele de esquerda, de direita ou de centro.

 A política imperialista para o Brasil implica em que, para explorar melhor a mais valia, a carga horária de trabalho deve ser estendida, as folgas remuneradas devem ser cortadas, os direitos conquistados com muita luta devem ser retirados e os empregos devem ser drasticamente reduzidos.  O capitalista em crise não investirá para criar novos postos de trabalho, pelo contrário, reduzirá seus quadros para assim tentar manter sua taxa de lucros.

Dentro dessa conjuntura, as falsas promessas dos candidatos, sejam eles de que partido forem, não passam de mentiras em busca do voto da população nessas eleições golpistas.

Qual deve ser a política correta para esse momento?

Em primeiro lugar, analisar calmamente a situação política nacional e internacional, a crise econômica mundial e as forças que estão em luta por trás dos acontecimentos. A partir daí tentar, com uma análise dialética dos acontecimentos, desenvolver teses claras que sirvam de esclarecimento à classe operária.

A nossa classe é o agente revolucionário que deve se desenvolver de classe em si, para uma classe para si, ou seja, uma classe que perca as esperanças impostas a ela pela elite exploradora ao longo dos tempos e perceba que só a união e a luta dos explorados pode retirar o Estado da mão dos exploradores colocando o mesmo sobre seu domínio.

Essa é a única forma dos explorados deixarem de ser uma classe em si para ser uma classe para si. Simultaneamente, devem lutar pela construção do partido revolucionário de massas, dos explorados da cidade e do campo, essa é a forma de organização que controlada com mão de ferro pelos explorados servirá para a tomada do poder de Estado.

Em segundo lugar, nessa conjuntura de crise capitalista mundial, cabe aos revolucionários falarem a verdade aos trabalhadores. A verdade é que, com a crise econômica atual, o capitalismo, principalmente os monopólios imperialistas, usarão cada vez mais o Estado para retirar direitos dos trabalhadores e acabar com os gastos em projetos sociais, para manter sua taxa de lucros.

A tendência é mais desemprego, mais apropriação das empresas estatais pelos monopólios imperialistas a troco de nada. As riquezas do país que deveriam beneficiar sua população somente serão mantidas com a destruição do sistema que faz do Estado o seu braço forte contra a classe operária, ou seja, do capitalismo.

Em terceiro lugar, os revolucionários precisam fazer a crítica à política pequeno burguesa de Frente Popular, assim como os mestres do marxismo, Lenin e Trotsky ensinaram. Ao longo da história, a Frente Popular tem sido uma forma usada pela burguesia para controlar as lutas das massas exploradas. Negar-se a fazer essa crítica é adotar a política oportunista de conciliação de classes, ou seja, é trair a classe operária assim como vários grupos que se dizem revolucionários têm feito.

Para manter sua base econômica financeira eles mentem aos trabalhadores, criando ilusão na democracia burguesa, induzindo-os ao voto nas eleições burguesas como que se assim se resolvessem todos os problemas. Pior ainda, as próximas eleições, de outubro, são totalmente golpistas, devido a estarmos vivendo em um Estado de exceção onde quem dá as cartas na política nacional é o Poder Judiciário.

Trabalhadores do Brasil e do mundo uni-vos!
Sozinhos somos fracos, unidos somos a única força que os capitalistas, donos do Estado e de seu aparato, temem!

Nacional

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