Quarta, 21 Novembro 2018

Por Florisvaldo Lopes

 
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A luta da população de Vargem Grande, bairro do extremo sul da cidade de São Paulo, paralisou em 2014. Até aqui a população se mantinha mobilizada contra a iminência de uma desapropriação, pelo reinício das obras de pavimentação, contra o descaso da Sabesp e  até reivindicando melhoria de sinal de celular no bairro. Porque essa luta paralisou? Culpa da população ou de uma política? E essa política era em defesa da população do bairro, ou um acordo com os petistas que geriam a subprefeitura? E nesse momento que a direita deu o golpe institucional no governo brasileiro quais as chances da população ter suas reivindicações atendidas pelo Doria, um prefeito defensor da elite? A luta deveria ter continuado no governo petista? Sim, não e por quê? 

Para responder todas essas perguntas a população deveria intimar o PCO, Partido da Causa Operária, a dar explicações, mesmo porque essa luta era de iniciativa da população e foi após assembleia pública na Assembleia Legislativa (ALESP) em 2013 que o PCO passou a dirigir a luta do bairro através da UNIFAG (União das Favelas do Grajaú), canalizando essa luta para as eleições de 2014 e  a paralisando após o final das mesmas.

Eles venderam a luta do bairro à prefeitura petista? Só o PCO pode dar essa explicação! Fato é que após o 1º de Maio de 2015 o PCO, que tinha sido expulso do PT nos anos 90 e a quem fazia oposição, passou a defender a politica petista a ponto de retirar de sua política as principais bandeiras de luta da classe operária. Transformou-se no maior defensor do PT, até mais que alguns setores petistas. As bandeiras da revolução proletária foram substituídas pelo "Volta Dilma" e "Em defesa do Lula". Defender o Lula é uma coisa, não fazer a crítica à política traidora de conciliação de classes do PT é outra bem diferente. Como em política não há erros e sim interesses, o PCO deve essa explicação à população de Vargem Grande Parelheiros. 

Particularmente eu sempre defendi que a luta do bairro deveria continuar. No entanto, era apenas eu contra uma política do partido, os outros membros da célula de Vargem Grande não se colocavam contra a direção do PCO.  Cheguei a questionar a cúpula do partido em 2015 alertando que se eles paralisassem a luta do bairro pelas reivindicações necessárias à vida da comunidade que eram o reinício das obras de pavimentação, melhorias na captação do esgoto, fim das remoções, etc, eles voltariam em 2016 com as eleições e para a população do bairro eles seriam apenas mais um partido político.

Como de praxe não me ouviram, afinal quem era eu dentro de um partido de pequenos burguesinhos? Apenas um pedreiro suburbano! Percebendo que a luta da população do bairro foi esquecida pelo PCO, a partir de 1º de Maio de 2015 comecei a me afastar do partido saindo definitivamente em 16 de Abril de 2016, após assinar a nota de ruptura com a política do PCO. Nota essa assinada por vários outros militantes que não aceitavam mais a política oportunista que o PCO assumiu em 2015 de se aliar à burocracia petista.

Para o PCO o momento era de abandonar as bandeiras de luta dos trabalhadores para lutar contra o golpe. Lutar contra o golpe é uma coisa, porém as bandeiras de luta dos oprimidos devem ser hasteadas em todos os momentos. O PCO confunde luta de classes com defender o petismo, isso não passa de puro oportunismo, pois a política do PT sempre foi uma política de conciliação de classes. A classe operária deve se opor a essa política, pois ao aceitá-la será sempre explorada pela elite capitalista.

A política errônea do PCO, desmoralizou os militantes residentes em Vargem Grande, a ponto de paralisar quase que por completo a luta travada pela UNIFAG, associação essa que após o projeto de remoção elaborado pelo ex-prefeito Kassab, em 2007, que visava a remoção de 2.000 famílias do bairro, foi a única que travou a luta contra esse ataque.


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A UNIFAG mobilizou a população. E com essa luta o projeto foi alterado para a remoção de apenas 864 famílias, porém como a população continuou organizada e na luta, o projeto foi engavetado pelo prefeito Haddad, em 2014. A partir daí, a luta seria pela pavimentação dos restantes das ruas. Porém, com o acordo entre PCO e PT essa luta foi esquecida, mesmo porque o PCO, no seu desvio oportunista, não poderia incentivar uma luta contra um prefeito petista.

Hoje todos os militantes residentes no Vargem Grande saíram ou se afastaram do PCO. Mesmo o PCO mandando para o bairro seus cães de guarda para pressionar os militantes, esses se mantêm afastados. O problema maior é que com a desmoralização política desses militantes, a UNIFAG, que já tinha poucos apoiadores, está, agora, sendo tocada só pelo Sr. Tranquilo, que mesmo com sua idade avançada ainda faz o que pode para manter a luta do bairro por melhorias. Mas, hoje, com um prefeito de direita e com a desculpa da crise, é quase que impossível que a população venha a ter suas reivindicações atendidas. Porém, sem luta aí é que fica impossível mesmo.

Abaixo a política oportunista do PCO!
Pela retomada da luta por melhorias em Vargem Grande, já!
Pelo reinício das obras de pavimentação!
Atendimento à Saúde e Educação de qualidade no bairro!
Lombada e sinaleira em cada esquina!
Sinal de celular Já!
Uma praça decente para as crianças do bairro, não ao lamaçal que fizeram!
Melhoria na rede de esgoto para que os dejetos não voltem para as casas quando chove!

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