Quarta, 18 Julho 2018

moradoresderua

Esse fator social denominado população em estado de rua existe desde o início das primeiras formações societárias.  Na antiguidade era possível encontrar seres humanos pernoitando nas ruas nas principais civilizações como Egito, Grécia, Roma, China, etc.  

Hoje é possível encontrar na internet várias matérias sobre população em estado de rua no Brasil, porém, como de praxe, muito poucas falam de um fator primordial para que esse fenômeno aconteça nos dias atuais: o capitalismo e suas crises econômicas.

Segundo a pesquisa nacional sobre a População em Situação de Rua, realizada em 2007 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, foi constatado que 58,6% dos entrevistados têm alguma profissão, mas apenas 1,9% deles trabalham atualmente com a carteira de trabalho assinada. Já o dado mais impactante é o fato de 88,5% dos participantes afirmarem não receber nenhum tipo de benefício assistencial dos órgãos governamentais. Ai fica a pergunta:  cadê a tal “Democracia” tão defendida por muitos hoje? A quem serve a Constituição de 1988 que no seu Artigo 5º  fala que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ...”?

 A pesquisa apontou três fatores que fazem com que a pessoa vá morar nas ruas: 1- alcoolismo e vicios em drogas ilícitas; 2- desavenças familiares ou falta de familiares e; 3- desemprego. Esse último, aliás, é o grande fator atual do aumento da população de rua. Porém o que esses três fatores têm em comum? As populações oprimidas que nunca foram importantes para o capital. É claro que para manter uma fachada de bem estar algumas migalhas devem ser distribuídas, porém essas não  passam de engodo perto da real situação de necessidade.

A falta de políticas públicas sérias por parte do Estado, voltadas para combater de vez a situação de quem vive na rua é  que essa população já não serve mais ao capital, principalmente em momentos de crise, levando em conta que os capitalistas preferem matar a própria mãe para manter suas taxas de lucros do que gastar dinheiro para resolver essa situação.

Com a crise de 2008, que chegou como furacão no Brasil em 2013, muitas cidades de países desenvolvidos passaram a conviver com moradores de rua, entre elas Detroit e Chicago nos EUA. É claro que, como se trata de uma  população que tinha um bom poder aquisitivo,  vivem atualmente em barracas de camping. Nova York, por exemplo, tem mais moradores em estado de rua que São Paulo. Segundo análise de dados oficiais de ambas prefeituras,  a cidade norte americana tem um número de moradores de rua 356% maior do que São Paulo, município com maior número de habitantes no Brasil.

Em três capitais visitadas pelo jornal Gazeta Revolucionária, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte, pudemos notar como essa população é marginalizada pelo poder publico e pelos próprios moradores, principalmente os comerciantes.

Em São Paulo, com o prefeito Doria, essa população passou a ser perseguida constantemente. Antes a população de rua concentrava-se em boa parte na Cracolândia, no vale do Anhangabaú e na região da Praça da Sé mas hoje essa população se espalha por toda a cidade. Desde que assumiu a prefeitura Doria vem cortando verbas da assistência social, principalmente a que trabalha com a população de rua. Segundo relatos dos próprios moradores de rua os albergues da prefeitura não prestam o serviço adequado a ponto de muitos preferirem dormir nas ruas, devido ao maltrato por parte dos funcionários e de roubos de objetos pelos outros moradores dentro dos albergues.

Em Curitiba a situação é a mesma, o aumento da população é notável no entorno da rodoviária, com  várias pessoas nessa situação. Muitos dessas falaram que pagavam aluguel e como perderam o emprego o único jeito foi ir morar na rua. Lá os comerciantes, para afastar os moradores das calçadas, começaram a instalar nas marquises tubulações de água com furos e de tempos em tempos molham a calçada para afugentá-los.

Em Belo Horizonte os comerciantes colocam grades com pontas de ferro no chão, no local onde essa população dormia afugentando eles para outros locais. Chama a atenção um grande mercado público abandonado que tem perto do Hospital Odilon Behrens, onde nas calçadas em torno habitavam vários moradores, e qual foi a providência que a prefeitura tomou? Lacrou as portas do antigo mercado com blocos para que o povo não possa entrar para dormir a noite.

chega de omissão

Apesar da população em situação de rua existir há muito tempo no Brasil seu aumento absoluto se dá a partir dos governos neoliberais do entreguista FHC, com as privatizações, as quais eram propagandeadas que seriam o melhor para o país, trariam mais investimentos, melhorariam as condições de trabalho, etc, etc. O que vimos foi o oposto e, pior, aumentou consideravelmente a população em situação de rua pois os imperialistas que compraram as empresas nacionais começaram a exigir mão de obra especializada, que era escassa no país, pois os governos elitistas nunca investiram para formar mão de obra especializada. Com isso, milhares de trabalhadores perderam seus postos de trabalho e muitos, sem terem opção, foram viver nas ruas.

A política do Estado capitalista para essa população é equivalente a zero devido à demanda que só aumenta no atual momento da crise, crise essa que não foi a população carente que provocou, porém é sempre sobre ela que recai a conta da ambição capitalista.

Para combater todas as explorações feitas por uma minoria, só resta aos explorados a luta pela socialização da produção. Essa se encontra hoje nas mãos dos monopólios imperialistas, esses mesmos que controlam o Estado, o colocando como protetor de seus interesses particulares, o usando como presa dos desafortunados os quais só são vistos como mão de obra barata aos olhos dos capitalistas. Outros, como os moradores em situação de rua, nem vistos são pelo capitalismo, assim como por uma boa parte da população principalmente a burguesia e a pequena burguesia individualista que só se importa com seu próprio umbigo e dane-se o resto.

Pelo fim da exploração do homem pelo homem!
Pelo direito à dignidade de todos seres humanos!

Para que o artigo 5.º  da Constituição seja respeitado só com a criação do partido operário e camponês, que venha a tomar o poder das mãos dos capitalistas e que socialize os meios de produção, os estendendo a todos os seres humanos.

Nacional

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