Quarta, 18 Julho 2018

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O movimento de massas que se encontra em refluxo há mais de três décadas em escala mundial, continuará em refluxo? Por quanto tempo? Para sempre? É possível que os trabalhadores se levantem em algum momento?

É impossível que um polo de qualquer fenômeno social, da sociedade como um todo, exista sem um outro polo. A ideia hiper oportunista de que a classe operária não existe mais é absolutamente ridícula. Nenhum polo existe sozinho. Existiria a burguesia e não existiria a classe operária? Essa ideia é absurda. Tudo existe conforme Hegel já tinha escrito em detalhes no livro A Fenomenologia do Espírito e nos três livros que compõem a Ciência da Lógica,  tudo existe como união e luta de contrários.

A burguesia não consegue existir sem o proletariado. A classe operária também não consegue existir sem a burguesia. Essas duas classes sociais estão em luta, apesar da luta também existir entre as frações de classe. E é essa luta que leva à movimentação da sociedade para a frente. Se não houvesse luta de contrários não haveria movimento, não haveria progresso.

Confunde muito o fato da classe operária se encontrar paralisada há três décadas. O que aparece mais hoje é a luta entre as frações de classe da burguesia. Mas até quando irá acontecer essa situação? Os trabalhadores chineses que ganhavam US$ 30 mensais já não existem mais. Os que vieram depois da queda do dito bloco socialista também não existem mais. Não existe também uma política alternativa para o neoliberalismo. E como o grande capital, que não consegue mais extrair lucros da produção, irá fazer?

Mas é a crise econômica o que colocará em movimento a classe operária; são os ataques do capital. O papel dos revolucionários passa por estruturar uma política revolucionária para o movimento de massas e divulgá-la por meio de uma propaganda e agitação cotidiana e paciente.

Por que o governo Temer ainda não caiu?

 A especulação financeira também está engasgando. Por isso, o grande capital precisa ir para cima dos trabalhadores, para retirar-lhes todos os direitos. E os trabalhadores não vão reagir? Ou seja, somente um polo da equação que seria o polo do capital, a burguesia, vai continuar atuando perante uma passividade total do proletariado? Essa visão é completamente absurda.

A crise econômica que está tendendo a se transformar rapidamente num grande colapso capitalista mundial, um novo colapso onde o Brasil estará na linha de frente, leva ao aprofundamento da crise política. O governo Temer, por exemplo, está se segurando por um fio. Ele conseguiu segurar o movimento sindical e a greve dos trabalhadores dos Correios, por meio da promessa de regulamentar a contribuição assistencial e de conchavos com a burocracia sindical contrarrevolucionária.

O governo Temer somente não caiu porque a extrema direita está muito fraca e não tem o que por, por enquanto, no lugar. E quando ela tenta impor alguma coisa, por exemplo, como aconteceu com as delações da JBS, tem dificuldades para avançar. Por exemplo, recentemente, a Operação Lava Jato trouxe à tona as delações de José Yunes, o operador do PMDB e do próprio Michel Temer. Só com essas delações daria para derrubar Michel Temer imediatamente. Por que não fazem isso?

Há uma situação de muita crise e a burguesia tem medo de avançar para o que seria a terceira fase do golpe, que só pode ser, depois do golpe parlamentar e do Estado de exceção do Judiciário, um golpe de cunho bonapartista, por fora do regime parlamentar, uma ditadura da burocracia estatal, da polícia e do Exército. Nesse sentido, o que nós temos é que Temer está fazendo uma reforma política e daí surge aquela visão, da esquerda inclusive, de que Temer está atacando os trabalhadores com força; por isso, para que tirá-lo fora?

A reforma trabalhista é muito insuficiente para o grande capital diante do que ele precisa. A reforma política que está para ser aprovada já tem uma série de problemas, o endurecimento do regime, uma cláusula de barreira, o fim das coligações a partir de 2020, mas não passou o voto distrital, ainda vão ficar 20 partidos políticos e o PMDB, o PT, o PSDB, o PSB e o PP, que se encontram na mira da Lava Jato, ainda vão continuar fortes.

Nacional

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