Quarta, 21 Fevereiro 2018

cor23

Os aparatos sindicatis devem ter como objetivo fundamental organizar a luta pelos interesses dos trabalhadores, o que passa, em primeiro lugar, pela ampla divulgação do programa de luta.

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Os Correios se encontram em processo acelerado de privatização devido à pressão do grande capital. Para atingir este objetivo, se vale da burocracia sindical como principal instrumento para conter e confundir os trabalhadores. As traições têm sido inúmeras e têm ficado cada vez mais evidentes. No Acordo da Campanha Salarial de 2016, a burocracia tanto da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores da ECT) como a da Findect apresentaram uma proposta, que nem sequer cobria a inflação do período, como “uma grande vitória”. O mesmo se repetiu em 2017, chegando a apresentar como uma “vitória política” o pior acordo em décadas que inclusive desmobilizou os trabalhadores perante a gravidade da privatização em acelerado andamento.

O burocratismo generalizado tem como base os longos anos de políticas neoliberais e a integração da maior parte dos sindicalistas ao aparato do Estado. Com os governos Lula, o número de sindicalistas que ocupavam cargos de função superou os 100 mil.

A Findect, dos mega traidores Ronaldão, Divisa e Gândara, representa uma extensão direta da Empresa. Essa federação fictícia, que nem sequer conta com registro oficial, pois não possui o número mínimo de sindicatos exigidos pela legislação, é diretamente ligada ao governo golpista encabeçado por Michel Temer. O presidente da Findect é da seção sindical do PMDB, o mesmo partido que hoje serve de correia de transmissão para os ataques brutais aos direitos dos trabalhadores por meio dos  “ajustes” que são ditados diretamente pelos capitalistas internacionais.

A Fentect é controlada pela Articulação/ PT com o apoio de setores secundários da burocracia sindical. Ela tem aprofundado a traição contra os trabalhadores, conforme se reiterou neste ano com a traição da campanha salarial que, em verdade, já tinha sido vendida no Conrep. A política de “cada um no seu próprio feudo” tem como objetivo, além de preservar o controle dos próprios aparatos sindicais, deixar o controle do núcleo da categoria (São Paulo e Rio de Janeiro) diretamente nas mãos da Empresa, por meio de uma burocracia recalcitrante que atua como uma extensão da direção da Empresa.

Os trabalhadores precisam se organizar de maneira independente da burocracia sindical. Essa tarefa somente pode ser realizada a partir do fortalecimento de uma imprensa operária, pela base.

A aliança com outras correntes na ação contra burocracia sindical deve ter como base a luta por este programa, em primeiro lugar, que deve ser defendido além das eleições, independentemente do resultado, criticando amplamente o abandono ou o ataque ao mesmo. As divergências têm como principal motivador as sucessivas capitulações à política da Empresa.

 Contra a privatização dos Correios

A privatização dos Correios tem como eixo a entrega de uma das mais lucrativas empresas nacionais, a troco de nada, aos capitalistas, principalmente aos grandes capitalistas estrangeiros.

A privatização já se encontra em marcha por meio das terceirizações, que avançam a todo vapor. Mas a pressão do imperialismo colocou à ordem do dia a entrega total para o grande capital, conforme foi referendado em declarações públicas, de maneira recorrente, por vários figurões do governo.

É preciso levantar a bandeira do fim das privatizações e da reestatização das empresas privatizadas. As empresas públicas devem ser colocadas sob o controle dos trabalhadores, a partir de representantes eleitos nas assembleias de base.

Contra o sucateamento dos Correios

O sucateamento dos Correios busca depredar a Empresa com o objetivo de facilitar sua entrega para o grande capital. Trata-se exatamente da mesma política aplicada em todas as privatizações que aconteceram durante os governos de FHC e que foram mantidas, embora que de maneira mais “suavizada’, pelos governos do PT.

Em primeiro lugar, devemos exigir a contratação imediata de, pelo menos, 100 mil trabalhadores concursados, assim como o fim dos PDVs e PDIs, pois de acordo com a União Postal Universal, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deveria ter 320 mil trabalhadores.

Contra o sucateamento e entrega das agências

As agências franqueadas representam pouco mais de 22% do total da Empresa, mas levam quase a metade dos lucros.

As metas abusivas e truculentas têm como objetivo aplicar a política da Empresa, determinando que as agências que não atingirem 80% das metas, poderão ser entregues às franquias.

Todas as agências devem ser reestatizadas e colocadas sob o controle dos trabalhadores.

Por condições dignas de trabalho

O sucateamento do plano de saúde, que se encontra muito ameaçado de acabar, e das condições de segurança, bem como o excesso de trabalho e a falta de investimentos em infraestrutura, têm como objetivo facilitar a entrega dos Correios aos grandes capitalistas.

A política de alocação e repasse de recursos dos Correios deve ser auditada, sob o controle de comissões eleitas pelos trabalhadores, nas bases, e abrindo publicamente todas as contas e informações envolvidas.

Pela abertura dos livros contábeis

A Empresa deve abrir os livros contábeis para serem analisados, de maneira irrestrita, pelos trabalhadores. Precisamos ter acesso às informações para sabermos se a Empresa realmente sofre as perdas que a Direção propagandeia. No último balanço oficial, publicado em 2014, a ECT declarou um faturamento um pouco superior aos R$ 16 bilhões. Cálculos realizados em cima das entregas médias dos carteiros mostram que o faturamento da ECT deve ser de, pelo menos, R$ 50 bilhões. Isso deve ser esclarecido aos trabalhadores e à população.

A luta pelos Correios é a luta contra o “ajuste fiscal” e o golpismo

O grande capital em crise, que não consegue mais extrair lucros da produção, como, por exemplo, com a abertura de uma fábrica, busca desesperadamente manter os lucros aumentando os ataques contra os trabalhadores e o assalto aos cofres públicos.

O imperialismo norte-americano impõe quatro eixos para aumentar a espoliação do Brasil: 1) as privatizações, a troco de pinga, de 250 empresas públicas; 2) a reforma trabalhista, além do que já foi aprovado, com a liquidação da CLT; 3) a liquidação da Previdência Social; 4) o sucateamento total dos serviços públicos sociais para direcionar os recursos para um punhado de especuladores financeiros.

Os trabalhadores, cada vez mais, se encontrarão numa encruzilhada: ou lutam ou morrem de fome. Devido ao grau de paralisia atual, em grande medida provocado pela traição da burocracia, o ponto de partida para impulsionar a luta passa pela ampla divulgação de denúncias que mostrem claramente o sucateamento e os ataques da Empresa. O fortalecimento das CIPAs e dos comitês contra a privatização, dentre outros, são fundamentais no processo de conscientização e de mobilização.

O movimento dos Correios deve ser impulsionado para conter os ataques contra os trabalhadores e a privatização. Mas essa luta somente poderá ser vitoriosa com a unificação, na luta, com as demais grandes categorias nacionais que também estão colocadas no olho das privatizações, como os petroleiros e os bancários, principalmente.

Por um Correios a serviço da população!
Contra a privatização dos Correios e de todas as empresas públicas!
Contra o sucateamento e pela contratação de, pelo menos, mais 100 mil concursados!
Fora a burocracia sindical dos nossos sindicatos!
Que a crise seja paga pelos capitalistas!

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