Terça, 25 Setembro 2018

audiencia2017 2

O “acordo de conciliação” do TST para a greve dos trabalhadores dos Correios revela a truculência e o caráter de classe do Judiciário e de todos os órgãos do estado burguês, que não são imparciais, mas que representam interesses econômicos dos grandes capitalistas.

O ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) Emmanoel Pereira chegou a dizer que é necessário terminar a greve porque está afetando a sociedade. E ainda, fez um apelo ao “Dr. Divisa”, o burocrata da Findect (ligada ao PMDB) que dirige o Sintect-SP, para ter bom senso, pois ele próprio pertence à sociedade e está com encomenda para ser entregue a ele em Brasília, mas que está retida em São Paulo. “É o bacanal no Tribunal”, como disse um dos trabalhadores.

Segundo o ministro, “não aceitarei nada que for contra a proposta”, a não ser as colocações da Empresa, que reforçou que a greve teria provocado R$ 50 milhões de prejuízo e que, portanto, devia ser encerrada imediatamente. A Empresa, que de maneira fraudulenta alega ter prejuízos, ainda pediu para pagar os reajustes de agosto e setembro em outubro e novembro.

  

Os “doutores” Divisa (da Findect) e Rivaldo (da Fentect) em nenhum momento denunciaram a truculência contra os trabalhadores, a entrega que já existe da Empresa para a privatização. O presidente da empresa Guilherme Campos, assim com o Ministro das Comunicações, Kassab, foram à imprensa para dizer que irão privatizar por causa do suposto (e hiper fraudulento) prejuízo, do déficit etc. Nada a declarar sobre o sucateamento, as péssimas condições de trabalho ou a ameaça da privatização total da ECT , generalizando as demissões, que de acordo com as informações vazadas pela imprensa será por algo em torno a R$ 4 bilhões, ou seja algo assim como 2% do seu valor de mercado.

O “doutor” Divisa chegou a dizer: “o senhor determinou uma proposta. Não se discute mais isso”. Na tentativa de respeitar as instituições, a burocracia se afoga cada vez mais na política contra os trabalhadores. As “instituições”, os órgãos do Estado, têm um caráter de classe que é a favor dos capitalistas e contra os trabalhadores.

O “garrote e a cenoura” ou só o garrote?

Na chamada “conciliação”, que basicamente impõe as condições da Empresa contra os trabalhadores, a única proposta clara é o reajuste pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), de apenas 2.07% nos salários e benefícios, retroativo ao mês de agosto deste ano. E ainda com a ameaça de que se os trabalhadores não aceitarem esse reajuste miserável, esse poderia valer só a partir de novembro ou dezembro.

greve dos correios84510Sobre os dias parados, haveria a compensação de 64 horas, sendo seis horas aos sábados para quem trabalha de segunda-feira à sexta-feira. Para aqueles que trabalham aos sábados, quatro horas de segunda-feira à sexta-feira e duas horas aos sábados. A ameaça é que se a SDC (Sessão de Dissídios Coletivos) da Justiça do Trabalho considerar a greve longa, levaria a um desconto de um grande número de dias parados. E o pior, se a greve for mantida, também poderia ser mantida a consideração da abusividade da greve, o que permitiria à Empresa “praticar todos os atos que entender possível”, como a “ausência no emprego”, o que implicaria na possibilidade de demissões por justa causa.

As cláusulas sociais são mantidas, mas com o lembrete de que a reforma trabalhista entrará em vigor em novembro, o que implicará na possibilidade de que essas cláusulas se tornem pó em breve.

O Plano de Saúde continua sob a mediação do TST e poderá ser “alterado” ainda este ano, com a aplicação de altas taxas para os funcionários.

Quais as perspectivas?

A greve teve, até o momento, uma adesão importante, mas principalmente dos carteiros. As agências continuaram funcionando quase que na absoluta totalidade, assim como também aconteceu com os complexos operacionais. O Sedex e as Encomendas também continuaram funcionando. Isso implica em que a Empresa conseguiu manter a produção praticamente intacta, tanto aumentando a pressão contra os trabalhadores diretamente ligados aos setores chave da produção como com o uso intensivo dos terceirizados.

Mas a burocracia mais ligada à Empresa já quebrou a greve. O Sintect-SP já encerrou a greve (em 5.10.2017) e, com isso, a greve dos trabalhadores dos Correios foi quebrada porque a burocracia sempre conseguiu manter o controle, durante toda a greve, canalizando-os pelas vias institucionais, para a Justiça.

A única linguagem que a Empresa e os capitalistas entendem é a linguagem da força, dos trabalhadores mobilizados e eles enfrentando prejuízos; afinal, vivemos no capitalismo. A saída para o movimento grevista só poderia ser a rejeição da proposta truculenta do TST e a ampliação do movimento grevista. Seria preciso parar os centros operacionais e as principais agências, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro que movimentam mais de 40% da produção.

parouO problema principal para as greves avançarem é justamente a política de freio da burocracia sindical, principalmente onde a burocracia atua como uma extensão direta da própria direção da Empresa. As demais burocracias atuam sempre a reboque da burocracia principal, fundamentalmente, com a política ultra traidora do “cada um no seu feudo” que no caso dos Correios aparece de maneira gritante e com a desculpa às suas bases de que se São Paulo e Rio de Janeiro traíram a greve o jeito é aceitar todas as imposições por mais truculentas que elas sejam. Essas burocracias  secundárias, inclusive as ditas “esquerdistas”, não moveram uma palha para quebrar a burocracia de São Paulo e do Rio de Janeiro, nem sequer soltaram um único panfleto nessas bases. Essa política se acentuou com a perda do imposto sindical. Isso sem contar com que os terceirizados são ignorados de maneira criminosa.

O ato que aconteceu em São Paulo, no dia 4 de outubro, foi amplamente revelador. Foram aproximadamente 1.000 trabalhadores (de uma base de 22 mil trabalhadores) que se congregaram no MASP e que caminharam até o Vale do Anhangabaú. Dos discursos iniciais, além do braço direito do Divisa, o Peixe, participaram a UGT, a CUT, a Intersindical e a Conlutas. Nada foi colocado para fortalecer o movimento grevista; tudo aconteceu na aberta irmandade entre os “irmãos pelegos”; os panfletos da oposição, como os do PSTU e o do MAIS, não falaram nada além de generalidades.

Os trabalhadores dos Correios não devem aceitar a imposição da Empresa e do Estado, porque além de não oferecer absolutamente nada aos trabalhadores abre caminho à total privatização, com a entrega total dos Correios aos capitalistas, e à “reforma trabalhista” que acabará com todos os direitos principais e gerará demissões em massa. O fim da estabilidade no emprego para os funcionários públicos já passou na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. E mesmo esta batalha tendo sido quebrada por conta das traições e da falta de mobilização de setores importantes da categoria, além da greve ter ficado isolada, a luta continua porque se trata de uma luta à morte: se o trabalhador não lutar estará fadado a passar fome.

Os trabalhadores só podem contar com eles mesmos

parou2Neste momento, o movimento operário se encontra ainda paralisado no Brasil e no mundo. A situação é difícil porque a greve dos Correios ficou isolada pelo conjunto da burocracia sindical e há a iminente entrega, sob a pressão do grande capital, à privatização a troco de pinga dos Correios e das demais empresas públicas.

O futuro, na aparência, na analise burocrática sindical, seria muito ruim para os trabalhadores dos Correios. E até seria verdade se não ampliarmos a visão e a análise do problema. A saída para os trabalhadores passa pelo agrupamento imediato dos ativistas e dos setores revolucionários que atuam na categoria, para enfrentar os brutais ataques que estão colocados. Para enfrentá-los será preciso aumentar a propaganda para conter a desmoralização que a Empresa, o governo e a burocracia sindical buscam impor. É preciso agrupar os ativistas, ampliar a luta, principalmente para os trabalhadores OTTs e os atendentes, e buscar a unidade com as demais categorias nacionais.

Essas tarefas e atividades de luta não serão cumpridas pela burocracia sindical que justamente trabalha no sentido oposto, a serviço da Empresa. Essas tarefas só podem ser colocadas em prática por oposições sindicais classistas contra a burocracia, e ainda com muita clareza sindical revolucionária e política (toda luta contra o Estado é uma luta política).

É preciso entender que a paralisia atual, que aparece como desesperadora para a maioria dos ativistas e dos revolucionários, não irá durar muito tempo. Os brutais ataques do grande capital (o que é controlado pelas 150 famílias que dominam o mundo) irão colocar em movimento os trabalhadores, inevitavelmente, conforme sempre aconteceu.

Nós não devemos atuar como uma ONG, carregando os trabalhadores que ainda não se decidiram a lutar nas costas. O nosso papel é colocar na ordem do dia uma imprensa revolucionária, que esclareça os trabalhadores, e principalmente, quando estourarem grandes greves apontar caminhos, denunciar as armadilhas da Empresa e da burocracia sindical. Os trabalhadores precisam retomar os sindicatos da burocracia sindical. Os trabalhadores precisam construir o seu próprio partido revolucionário que levante todas as bandeiras que os partidos integrados ao regime jogaram na lata do lixo. Essas tarefas serão colocadas pelos próprios trabalhadores, pelo movimento de massas, de maneira inevitável, no próximo período.

É necessário entender que sem denunciar todas e cada uma das traições da burocracia sindical é impossível que a luta avance. Todos os setores da burocracia da Fentect venderam a greve dos trabalhadores dos Correios já no Conrep. Nada foi feito para tentar quebrar a burocracia no coração, em São Paulo e no Rio de Janeiro. É evidente que há um grande acordão da burocracia da Fentect com o Divisa (SP) e o Ronaldão (RJ), contra os trabalhadores.

Aumentar as denúncias contra a truculência da direção da Empresa, que sucateia tudo para privatizar os Correios a troco de pinga. Também aumentar as denúncias contra todas e cada uma das traições da burocracia sindical. Com este objetivo os ativistas mais combativos devem ser agrupados em torno a uma imprensa revolucionária para lutar contra a privatização, pela defesa dos direitos dos trabalhadores, contra o governo Temer e todos os golpistas, contra a espoliação do Brasil pelo grande capital, pelo punhado de famílias que dominam o mundo e que buscam matar todo mundo de fome para manter os lucros.

Quem irá colocar os trabalhadores em movimento são os ataques do capital. É preciso se preparar para os próximos passos da luta. O papel dos ativistas revolucionários será orientar essa luta por meio de uma organização revolucionária orientada à agitação e propaganda.

Contra a privatização e as demissões!
Que a crise seja paga pelos capitalistas!
Pela unidade dos trabalhadores!
Fora a burocracia dos nossos sindicatos!

Nacional

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