Terça, 25 Setembro 2018

ensaioO movimento de massas se encontra paralisado quase por completo no Brasil e no mundo. Há dois motivos principais. Primeiro, a traição da burocracia sindical e dos partidos de esquerda que controlam o movimento de massas a partir de aparatos integrados ao Estado burguês. Todos os setores foram se incorporando de mala e cuia ao regime burguês, fundamentalmente desde a época de FHC. Agora, depois de décadas a traição é tão violenta que todos os setores da burocracia e da esquerda abertamente oportunista estão ocupados e preocupados em salvar os próprios privilégios a qualquer custo. Não há mais nenhuma luta promovida pela burocracia que se tornou abertamente contrarrevolucionária. Na greve atual nos Correios, por exemplo, todos os setores venderam a campanha salarial da categoria (no caso da Fentect, a Federação dos Trabalhadores da ECT dirigida pela Articulação do PT, isso aconteceu no último Conrep, o Conselho de Representantes). Agora, a mando da Empresa entraram na fase de esgotamento do movimento para canalizá-lo para um retorno ao trabalho que irá desmoralizar os trabalhadores e facilitar a iminente privatização. Nas demais categorias nacionais, as traições são ainda mais escancaradas. Nos bancários, nem sequer campanha salarial há neste ano, já que a burocracia fez um acordo bianual no ano passado. Nos petroleiros, a paralisia é quase total perante a entrega recorrente dos campos de petróleo da Petrobras, da BR Distribuidora etc., rumo também à privatização total.

A burocracia e a esquerda oportunista morrem de medo do movimento de massas, da classe operária, já que se coloca a possibilidade dessas perderem os próprios privilégios que passam pelo controle dos caixas, do dinheiro, que inclui os acordos com os patrões e com a direita. Todos esses grupos elevaram o grau de oportunismo a níveis exponenciais.

De maneira dialética, é preciso voltar à “clássica” pergunta: o movimento de massas vai ficar paralisado para sempre?

Para onde vai o movimento de massas?

Se o movimento de massas for ficar paralisado para sempre, como a esquerda metafísica e oportunista acha, então não vale a pena lutar nem fazer nada. Seria melhor se dedicar a outra coisa, a qualquer coisa menos ao movimento político já que a única força social que poderia impor uma grande mudança social seria justamente a classe operária mundial mobilizada. O que “confunde” a maior parte da esquerda é que o movimento de massas está paralisado, no grosso, há três décadas. Esse é o grande ponto.

No Brasil, há pequenas movimentações como agora, por exemplo, a greve dos professores gaúchos que continua e deve ser engrossada a partir da próxima semana com a adesão de outras categorias de servidores estaduais. Mas movimentações nacionais são poucas. A greve dos Correios, que tem uma certa mobilização, está controlada.

Nunca, nada ficou paralisado para sempre. O máximo que poderíamos mencionar na história foi, por exemplo, o que acontecia na antiga China, quando havia o modo de produção asiático e que uma determinada dinastia costumava durar 500 a 700 anos, até que o próprio movimento camponês por meio de uma revolução, colocava em marcha um ajuste no regime em curso para colocá-lo nos eixos. Mas agora não estamos no modo de produção asiático chinês. Nós estamos num capitalismo mundial que se tornou parasitário ao extremo.

De acordo com Vladimir Ilich Lenin, no livro "Imperialismo Fase Superior do Capitalismo", o que existe é uma época de parasitismo financeiro ao extremo, uma época de contrarrevoluções, de crises contínuas, de guerras e de revoluções. O que está colocado é o grau da financeirização da economia, o parasitismo financeiro absoluto.

No Brasil, aproximadamente 40% do PIB é juros e movimentação de impostos, dívidas, etc., ou seja, parasitismo puro. Com esse entrave e o aumento da espoliação imperialista, a economia real não se movimenta. O próprio desenvolvimento da crise capitalista conduz a um novo colapso capitalista mundial, que deverá ser muito pior que o de 2008, devido ao gigantesco endividamento generalizado, e onde o Brasil se encontrará na linha de frente. A crise leva à necessidade de aplicar novos ataques contra os trabalhadores de maneira recorrente, com o objetivo de conter a queda da taxa de lucros.

A pergunta sobre o movimento de massas deve inclusive ser feita no sentido de se num novo colapso mundial os trabalhadores continuarão ainda paralisados ou se entrarão em movimento. Uma pergunta parecida era feita até pouco tempo atrás sobre se havia a possibilidade de um golpe militar no Brasil. O grosso da esquerda achava que isso era impossível, até o general Mourão dizer que isso é absolutamente possível. E há vários generais Mourões da economia que falam que vai ter um grande colapso capitalista no próximo período.

Até o presente todos os grandes colapsos capitalistas sempre deram lugar a grandes revoluções. O colapso de 1974, por exemplo, a crise mundial do petróleo, deu lugar à revolução em Portugal em 1974, no Irã em 1979, na Nicarágua em 1979, na Polônia em1980 e esteve na base da queda dos países soviéticos e do Leste Europeu, assim como das ditaduras militares. A crise de 2008 deu lugar às revoluções árabes. Apesar de terem sido rapidamente controladas provocaram uma grande desestabilização em regiões muito importantes para a economia mundial, como o Oriente Médio e uma onda de movimentos anticapitalistas em vários países da Europa, da Europa  Ocidental e nos Estados Unidos.

O próximo colapso mundial só poderá dar lugar a um grande ascenso de massas. Seria o normal. Se não acontecer, isso seria um fato inédito na história da humanidade e precisaria ser muito bem avaliado.

Nacional

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