Quarta, 21 Novembro 2018

gcorreios29092017

De acordo com dados do Semon (Sistema de Monitoramento do Cenário de Contingência), publicado pela Gerência de Relações com o Trabalho – GERT/VIGEP, do dia 28 de setembro de 2017, a Empresa reconhece a existência de 18.264 “empregados em greve”, dos quais 15.759 são carteiros, 1.364 OTTs e 1.141 Atendentes Comerciais. O número de grevistas teria diminuído em relação ao dia anterior quando teriam sido de 19.481 trabalhadores.

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O número de piquetes “impedindo o acesso total de empregados” era de 10 em todo o País. O número de piquetes “impedindo o acesso total de veículos” era de 14. De acordo com esses dados, nenhum dos Complexos Operacionais principais do País foram afetados pela greve. O grosso dos piquetes foram concentrados em CDDs.

Sobre a carga não entregue, de acordo com a Empresa, o que está impactado é a entrega de objetos simples: havia quase 20 mil objetos não entregues. Havia 261 cartas registradas não entregues. Em relação ao coração do negócio da Empresa, a situação se encontra sob pleno controle: o número de Sedex não entregues era de apenas 38 em todo o País. Todos os Sedex 10/12 e Hoje tinham sido entregues. E somente havia três malotes e 161 Encomenda PAC não entregues.

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Qual é a adesão à greve nos principais estados?

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Todos os dados a seguir estão baseados nas estatísticas oficiais da Empresa.

Em Minas Gerais, havia 607 grevistas ou 12,17% do total de empregados previstos na Regional e 7,33% em relação ao total de efetivos, que é de 8.285. Do total de grevistas, 542 eram carteiros. Apenas 57 OTTs e 8 atendentes aderiram à greve.

A adesão à greve em Brasília foi de 46,50% do total de empregados previstos na Regional, ou 863; 15,76% em relação ao total de efetivos, que é de 5.475. Destes, 298 eram carteiros, 54 OTTs e 14 atendentes.

A adesão à greve no Rio de Janeiro foi de 21,72% do total de empregados previstos na Regional, ou 1.623; 15,76% em relação ao total de efetivos, que é de 11.395. Destes, 1.474 eram carteiros, 125 OTTs e 24 atendentes.

A adesão à greve São Paulo foi de 41,87% do total de empregados previstos na Regional, ou 5.180; 28,63% em relação ao total de efetivos, que é de 18.091. Destes, 4.566 eram carteiros, 532 OTTs e 82 atendentes.

A adesão à greve na Bahia foi de 49,14% do total de empregados previstos na Regional, ou 1.367; 26,55% em relação ao total de efetivos, que é de 5.149. Destes, 1.131 eram carteiros, 50 OTTs e 186 atendentes.

A adesão à greve no Rio Grande do Sul foi de 26,39% do total de empregados previstos na Regional, ou 1.021; 16,34% em relação ao total de efetivos, que é de 6.247. Destes, 875 eram carteiros, 60 OTTs e 86 atendentes.

A adesão nos demais estados varia de 7,14% a quase 60%, em relação ao total de empregados previstos na Regional, ou de 3,77% a 31,96% em relação ao total de efetivos, conforme pode ser visto na planilha. Mas são locais secundários em relação ao coração da Empresa e da burocracia sindical.

 

Conclusões em 10 pontos

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  1.  A produção real, o que gera lucro para a Empresa, está praticamente intacta; não foi afetada pela greve.
  2. A greve é nesse sentido uma greve fraca.
  3. O grosso dos grevistas são carteiros.
  4. Como termômetro do descontentamento dos trabalhadores, a greve é importante porque mobilizou um pouco mais de 15% dos trabalhadores concursados. O normal numa situação generalizada de paralisia da situação política (como a atual) é que aproximadamente 10% sejam mais combativos, 10% pelegos convictos e 80% confusos, que é aproximadamente o que está acontecendo neste momento.
  5. A adesão é muito grande em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Nestes estados, há a burocracia mais intrinsicamente ligada à Empresa. Portanto, ou bem os trabalhadores dos Correios, mesmo que semi isolados e traídos pelos conchavos de bastidores da burocracia, estariam para passar por cima da burocracia (o que neste momento, é pouco provável) ou se trata da comprovação da firula montada por essas burocracias que estão atuando sem nenhuma oposição organizada e em conluio com a Empresa para controlar o descontentamento dos trabalhadores (que é enorme) e quebrar a greve, desmoralizando assim os trabalhadores com o objetivo de facilitar a privatização. Obviamente que, como sempre, por este servicinho, a burocracia (que é um instrumento da Empresa) será recompensada.
  6. A adesão à greve é muito fraca em Minas Gerais, onde a burocracia seria a mais esquerdista. É evidente portanto, em cima dos resultados, que a política sindical dessa burocracia não passa de uma fraude. Não é feito o trabalho político que é o único que poderia mobilizar os trabalhadores. Os diretores ficam patinando no burocratismo interno e, no caso dos mais combativos, no trabalho burocrático sindical; nem sequer a própria Subsede que fica na boca do Complexo nunca funcionou. Agora, os resultados falam por si só.
  7. A burocracia sindical de conjunto, a mando da Empresa, está montando um teatro para tentar enquadrar os trabalhadores numa luta controlada, muito distante de poder enfrentar a gravidade das ameaças colocadas contra os trabalhadores.
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  8. A Fentect e a Findect estão atuando em conjunto para quebrar a greve, a mando da Empresa. Nenhuma ação efetiva foi tomada pela burocracia para impulsionar o movimento grevista para atacar onde mais dói à Empresa: paralisar a produção.
  9. A greve se encontra isolada porque a burocracia sindical paralisou todas as mobilizações, em todas as categorias nacionais. A isto se soma a recessão e o medo ao desemprego pelos trabalhadores.
  10. Nada se diz sobre os trabalhadores terceirizados. É como se eles não existissem. A própria burocracia, bêbada com o controle dos aparatos sindicais, não fala uma única palavra e nada faz em relação para incorporar os trabalhadores terceirizados à luta. Mas o esquema impulsionado pela Empresa, por meio dos trabalhadores terceirizados, é o que garante que as greves sejam quebradas e que a Empresa seja privatizada.

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O que fazer em 5 pontos

  1. A primeira tarefa colocada para os ativistas e sindicalistas revolucionários é o entendimento objetivo da situação, tendo na base a avaliação da situação política geral, em movimento a partir das próprias contradições. Há a recessão, a paralisia generalizada, em escala mundial, mas também há a crise crescente, econômica e política, do grande capital. Será esta crise, que conduz a um novo e inevitável colapso capitalista mundial, a que colocará em movimento a classe operária novamente.
  2. O fato de mais de 15% dos trabalhadores terem entrado em greve é muito positivo. A propaganda dos ativistas revolucionários deve se concentrar em esclarecer esses ativistas, de maneira recorrente e cotidiana, tentar explicar a situação para os 80% confusos e combater os 10% mais pelegos.
  3. Entender que sem denunciar todas e cada uma das traições da burocracia sindical é impossível que a luta avance. Todos os setores da burocracia da Fentect venderam a greve dos trabalhadores dos Correios já no Conrep. Nada foi feito para tentar quebrar a burocracia no coração, em São Paulo e no Rio de Janeiro. É evidente que há um grande acordão com o Divisa (SP) e o Ronaldão (RJ), contra os trabalhadores.
  4. Aumentar as denuncias contra a truculência da direção da Empresa, que sucateia tudo para privatizar os Correios a troco de pinga. Também aumentar as denuncias contra a burocracia sindical. Com este objetivo os ativistas mais combativos devem ser agrupados em torno a uma imprensa revolucionária para lutar contra a privatização, pela defesa dos direitos dos trabalhadores, contra o governo Temer e todos os golpistas, contra a espoliação do Brasil pelo grande capital, pelo punhado de famílias que domina o mundo e que busca matar todo mundo de fome para manter os lucros.
  5. Se preparar para os próximos passos da luta. Quem irá colocar os trabalhadores em movimento são os ataques do capital. O papel dos ativistas revolucionários será orientar essa luta por meio de uma organização revolucionária orientada à agitação e propaganda.

              

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