Quarta, 18 Julho 2018

greve correios2

A greve dos Correios mais uma vez, toma a linha de frente do movimento grevista das categorias nacionais. Perante a iminência do sucateamento e da privatização, o descontentamento dos trabalhadores aumentou muito e a greve acabou sendo aprovada por praticamente todos os sindicatos do País, que são 36. Mas quais são os pontos fracos desse movimento grevista?

Em primeiro lugar, para a greve dos Correios vencer deveria quebrar a burocracia sindical no coração, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Essas burocracias atuam diretamente como uma extensão da Empresa e somente lhes faltaria ocupar cargos formalmente como diretores da Empresa, o que aliás é o que acontece em grandes empresas nos países desenvolvidos, como na Alemanha, por exemplo.

No último Conrep ( Conselho de Representantes), a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores da ECT, controlada fundamentalmente pela Articulação/ PT) determinou que iria fazer o trabalho de agitação e propaganda nas bases da Findect. A Findect é a federação abertamente ligada à patronal, dirigida pelo PCdoB que controla, com o apoio da Empresa, principalmente os sindicatos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Estes representam o coração da categoria, com 40% dos trabalhadores; é a espinha dorsal da produção. Como é de conhecimento dos sindicalistas, essa decisão não saiu do papel. E por que?

Na prática, todos os setores da burocracia sindical da Fentect, desde a direita até os mais aparentemente esquerdistas venderam a campanha salarial no Conrep. Essa esquerda direitizada agora apresenta o mega pelêgo Talibã, o dirigente da Fentect, como um esquerdista, um grande sindicalista, e nem sequer tem vergonha em dissimular as relações incestuosas. Todo burocrata, e em primeiro lugar os mega burocratas, devem ser denunciados como traidores dos trabalhadores.

Com o fim do imposto sindical, todos os setores da burocracia sindical ficaram “pendurados na brocha” e desesperados para conseguir algum tipo de fonte alternativa de arrecadação. A direitização da burocracia acompanhou a direitização do regime político numa política de salve-se quem puder dos próprios privilégios.

Cada um no seu próprio feudo? 

A política aplicada por todos os setores da burocracia sindical já faz tempo é a política de “cada um no próprio feudo”. Nas últimas eleições do Sintect-MG, por exemplo, nem sequer houve uma chapa de oposição, o que revela de maneira evidente o acordão. Como é possível que os patrões e a direita da burocracia sindical nem sequer tentem tomar o maior sindicato da Fentect por vias eleitorais? Por aí fica evidente porque não houve o trabalho nas bases de São Paulo e Rio de Janeiro.

O circo armado pela burocracia a mando da Empresa tenta apresentar que a Findect busca negociar orientados a resultados, manobrando para quebrar a greve. A Fentect, por sua parte, tem como papel apresentar que fez o possível e que não conseguiu fazer mais devido à traição, recorrente e escancarada, da Findect, que inclusive é dirigida pelo presidente do Sindicato de Baurú, o Gândara, que é um dos vice presidentes da ala sindical do PMDB.

A política nos Correios reflete a bloco político nacional que foi formado, a partir das delações da JBS (em maio) contra quase 2.000 políticos e mais de 250 parlamentares, que buscava acabar com o “regime político corrupto” e troca-lo por outro muito mais direitista que seria colocado em pé a partir de uma nova Constituinte. Em cima dessa pressão da extrema direita todos os partidos ligados ao regime burguês se agruparam por trás da defesa do governo Temer. Tanto foi assim que, o PT e a CUT, como toda a esquerda e a burocracia oportunistas, tiraram a palavra de ordem “Fora Temer” na última manifestação de rua, que aconteceu há dois meses, e têm mantido o movimento de massas contido e paralisado mesmo diante de brutais ataques.

A política revolucionária não tem absolutamente nada a ver com a política de cuidar do próprio feudo, do próprio aparato a qualquer custo. A categoria dos Correios é nacional, portanto há um único patrão o que implica em que deveria haver um único sindicato ou, pelo menos, uma única luta.

O que os ativistas classistas e revolucionários devem fazer?

  1. A primeira deve ser considerar que a luta dos Correios só pode avançar e triunfar na luta contra a burocracia. Sem denunciar todas as traições da burocracia a luta não pode avançar.
  2. É preciso entender que a luta será definida nos grande centros, em primeiro lugar em São Paulo, no Rio de Janeiro. Isso implica na necessidade de desenvolver uma ampla política de agitação e propaganda nestes centros.
  3. A burocracia levanta a política de dispersar forças, de enviar liberados ao interior etc. Até pode ser feito, mas alocando um percentual muito pequeno do tempo disponível. Sem organizar o trabalho nos Centros Operacionais, nos CTOs e CTEs, sem parar efetivamente a produção nenhuma greve pode triunfar.
  4. Rejeitar a propaganda da burocracia de que os trabalhadores são burros e covardes. Os trabalhadores estão acuados pela pressão da Empresa e o medo do desemprego que se acentua por causa da recessão. É preciso manter uma política de denúncias e de agitação cotidiana e paciente; explicar a situação para os trabalhadores.
  5. É preciso explicar pacientemente que a classe operária deve buscar a unidade com outras categorias, principalmente as categorias nacionais, como petroleiros, bancários, metalúrgicos, dentre outras. A traição nessas categorias também é enorme, portanto, é preciso ter paciência e colocar a luta na perspectiva da unidade e de um grande levante que inevitavelmente estará colocado para o próximo período: ou os trabalhadores lutam ou morrerão de fome.

A greve dos Correios é fundamental, mas outras lutas estão colocadas à frente.

  1. Colocar no eixo da luta dos Correios a denuncia e luta contra a privatização que representa a entrega a troco de pinga da Empresa e a demissão em massa dos trabalhadores.

Contra a privatização e os ataques contra os trabalhadores!
Fora Temer e todos os golpistas!
Fora a burocracia sindical dos sindicatos!

Nacional

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