Quarta, 16 Janeiro 2019

centraisHá uma tendência de que a burocracia sindical não consiga segurar um grande ascenso operário. Essa burocracia está extremamente pressionada em cima da perda dos próprios privilégios. A burocracia tem ficado muito mais paralisada do que o normal e tem traído os trabalhadores de maneira muito mais intensa.

Neste ano, os bancários nem campanha salarial vão ter. O caso dos petroleiros chega a ser um escândalo. Os trabalhadores dos Correios que, em princípio, seriam de uma das categorias mais aguerridas, com um espírito de luta entre os maiores das categorias nacionais, foram controlados pela empresa. Não há uma unificação; a unificação é uma unificação de mentirinha. A burocracia da Fentect (a Federação controlada pelo PT) conseguiu direcionar todos demais penduricalhos da política de Frente Popular para armar um circo em que os atores principais continuarão dando as cartas. Os sindicatos do Rio de Janeiro e de São Paulo, que controlam quase a metade da produção e dos trabalhadores, se movimentam, como sempre, para quebrar a greve e possibilitar a privatização. Nenhuma das demais burocracias que dirigem os aparatos sindicais, absolutamente nenhuma, moveu uma palha para fazer o trabalho de mobilização no Rio de Janeiro e São Paulo. Cada um no seu feudo, para preservar os próprios aparatos, privilégios e acordos (diretos ou indiretos) com a Empresa. À máxima óbvia de que a um único patrão deveria corresponder um único sindicato, ou pelo menos uma luta nacional, é contraposto o trabalho local, sindicaleiro e burocrático, traindo de maneira descarada os interesses dos trabalhadores. A derrota dessa greve, que poderia ter impulsionado um grande movimento de massas, é questão de tempo. A menos que o movimento operário consiga ultrapassar a própria (e todos os sabores) burocracia.

Depois da retirada do imposto sindical, a burocracia sindical de conjunto, inclusive os setores mais esquerdistas, deram uma virada à direita brutal; começou a predominar a máxima de "vamos ficar na nossa , vamos tentar salvar o que conseguirmos [fazendo todos os conchavos necessários]". Escalou uma espécie de surto para manter os aparatos sem mudar de lugar, em cima da pressão da política de conciliação de classes. Nas últimas eleições municipais, o PT passou de 630 prefeituras para 250, perdeu quase 400, o que gerou um número enorme de burocratas desempregados.

Neste momento, temos uma burguesia que está perplexa perante o aprofundamento da crise capitalista e uma burocracia que está mais perplexa ainda, com relação a essa crise, à qual se encontra umbilicalmente integrada; não sabe o que fazer para salvar os próprios privilégios, além de gerar uma enorme paralisação do movimento por medo a perder o controle.

Só a mobilização da classe trabalhadora pode atropelar os burocratas e a burguesia capacho do imperialismo.

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