Domingo, 16 Dezembro 2018

marchaQuando olhamos para a situação política hoje, ela tende a provocar uma certa confusão no sentido de tantas coisas que estão acontecendo no Brasil e no mundo e, ao mesmo tempo, nós temos um grau de paralisia dos trabalhadores enorme. Há dois componentes que chamam muito a atenção em relação à situação do Brasil e até no mundo neste momento. Por uma parte, há uma paralisia enorme do movimento operário e, por outra, há as declarações de um general do Alto Comando das Forças Armadas brasileiras, o general de quatro estrelas Hamilton Mourão com declarações abertamente golpistas. O que esses dois fenômenos significam no momento no Brasil?

Em primeiro lugar, deve-se observar que os sindicatos no Brasil entraram  numa situação de alta burocratização desde o ano de 1987, quando a Articulação, setor majoritário e mais direitista do PT, começou a controlar a CUT. A partir daí, a CUT foi um dos principais pilares da implantação do neoliberalismo no Brasil com o governo de FHC. Com o apoio da CUT e dos sindicatos como um todo,  e de todas as centrais sindicais que existem, e são mais de 15 nesse momento, houve uma direitização generalizada durante o governo Lula, justamente porque a política de Frente Popular liderada pelo PT, que implica numa política de conciliação de classes, se fortaleceu na sua base eleitoral  dentro do movimento operário. Quando Lula entrou no governo em 2003, a partir de um acordo com o PSDB e o imperialismo, essa integração ao regime político aconteceu de maneira muito mais profunda. Mais de 150 mil sindicalistas passaram a ser incorporados ao regime político por meio da outorga de cargos e funções de chefia com altos salários. Esses dirigentes seguraram o movimento de massas para que não saísse à luta por melhores condições de vida.

O estrangulamento do movimento sindical pós impeachment

Com o governo Dilma a paralisia continuou. Quando começou o impeachment houve uma certa mobilização que implicou numa mobilização de massas. Depois, veio uma paralisia entre os meses de agosto do ano passado, quando o impeachment  inicia no Congresso, até março de 2017. Posteriormente, houve várias mudanças nas políticas do imperialismo norte-americano para o Brasil. Do golpe parlamentar, passamos para o golpe do Judiciário. O Poder Judiciário controla o Poder Legislativo e o Poder  Executivo. O fato que mudou os planos do imperialismo em março de 2017 foi a ascensão do movimento de massas. Se tratava de estabilizar a situação por meio de ais um golpe que seriam as eleições indiretas.

As delações premiadas por meio da JBS, que aconteceram em maio, geraram uma reviravolta grande e, a partir daí, se pretendeu de maneira relativamente lenta, mudar o regime político por meio do chamado de uma nova Constituinte. Essa política gerou uma reação e, com a crise geral da burguesia imperialista, em primeiro lugar nos Estados Unidos, que se reflete na crise do governo Trump e os demais setores políticos da burguesia, a política internacional do imperialismo se tornou confusa. O governo Temer acabou congregando por trás de si, de uma maneira um pouco contraditória, todos os setores do regime político brasileiro, desde o PT até o PSDB.

Nas manifestações do dia 28 de julho, o PT, a CUT, o MST, a UNE e os movimentos sociais controlados pelo PT tiraram das ruas a palavra de ordem “Fora Temer”. Isso continua até hoje, o que revela que não se trata simplesmente de uma questão conjuntural, mas de uma política aplicada pela Frente Popular como um todo.

A direitização da burocracia sindical

buro2No último período, o governo Temer acabou se transformando numa espécie de solução relativa para a crise da esquerda e da direita centristas que, perante os ataques da extrema direita, acabou, em certa medida, apoiando o governo Temer. Nesse sentido, o próprio PT está na linha de frente do apoio ao governo Temer. Não convoca mais absolutamente nada e, como toda a burocracia sindical faz, principalmente num momento de refluxo, ele tenta conseguir acordos com a direita para manter um lugar ao sol.

Conforme os dirigentes sindicais têm se integrado ao regime político acaba havendo uma direitização total da burocracia sindical que, ao mesmo tempo, retroalimenta a paralisia crescente do movimento operário.

Os sindicatos são organismos históricos que foram construídos no Brasil por meio da luta, mas na década de 1930, durante o governo Vargas foram criados os Sindicatos do Estado. Nos anos de 1980, o ascenso do movimento operário criou oposições e criou novos sindicatos que se incorporaram aos sindicatos oficiais.

A burocracia sindical, que pertence ou representa os interesses das camadas médias da população, está interessada em defender seus próprios privilégios e, nesse sentido, em nenhum momento ela vai querer mobilizar os trabalhadores pelos objetivos dos próprios trabalhadores. Se ela fizer isso, corre o risco de ser ultrapassada. A paralisia generalizada do movimento operário, além das traições da burocracia, tem na base a recessão econômica que gera o medo ao desemprego.

Os ataques da direita para tentar estabilizar a taxa de lucros acaba gerando, em primeiro lugar, os ataques contra essas camadas médias e no regime político como um todo. No Brasil, se expressa também nos ataques fortíssimos contra as empresas nacionais e contra os políticos nacionais. Os ataques contra os trabalhadores dos quais essas camadas médias são cúmplices, têm como objetivo estabilizar a queda da taxa de lucros.

Conforme o golpe no Brasil vai se desenvolvendo, e agora com acenos concretos dos militares, a burocracia sindical se acovarda ainda mais na tentativa de fazer algum acordo para salvar alguma coisa. Essa e uma postura completamente errada e que ajuda na escalada do golpe contra os trabalhadores no Brasil. Só a mobilização pode barrar a retirada dos direitos, a “reforma” da Previdência e anular a reforma trabalhista.

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