Segunda, 18 Junho 2018

Por Florisvaldo Lopes

buroLeon Trotsky, em sua escrita de 1940 (Os Sindicatos na Época da Decadência Imperialista, já alertava: “Há uma característica comum no desenvolvimento ou, para sermos mais exatos, na degeneração das modernas organizações sindicais de todo o mundo: sua aproximação e sua vinculação cada vez mais estreita com o poder estatal. Esse processo é igualmente característico dos sindicatos neutros, socialdemocratas, comunistas e anarquistas. Somente este fato demonstra que a tendência a "estreitar vínculos" não é própria desta ou daquela doutrina, mas provém de condições sociais comuns a todos os sindicatos”... Continua: “O capitalismo monopolista não se baseia na concorrência e na livre iniciativa privada, mas numa direção centralizada. As camarilhas capitalistas, que encabeçam os poderosos trustes, monopólios, bancos etc., encaram a vida econômica da mesma perspectiva como o faz o poder estatal, e a cada passo exigem sua colaboração. Os sindicatos dos ramos mais importantes da indústria, nessas condições vêm-se privados da possibilidade de aproveitar a concorrência entre as diversas empresas. Devem enfrentar um adversário capitalista centralizado, infimamente ligado ao poder estatal. Daí a necessidade que os sindicatos têm - enquanto se mantenham numa posição reformista, ou seja, de adaptação à propriedade privada”....

Hoje a esmagadora maioria dos sindicatos se integraram ao regime burguês e não passam de agentes a serviço do imperialismo para conter a luta dos operários. A burocracia sindical teme que os trabalhadores descubram que ela é agente do capital por isso alguns deles usam um verniz reformista para manter o disfarce.


Os sindicatos brasileiros de hoje não passam de pequenos feudos a serviço do interesse individual de seus presidentes e diretores liberados. Em muitos casos seus presidentes tratam o sindicato como sendo propriedade sua. Exemplos: “no meu sindicato, isso não acontece”, “quando eu me aposentar vou deixar alguém que dê continuidade”; ou seja típicas frases de um dono de loja. Os sindicatos e seus diretores gerenciam o mesmo como um negócio particular  e se esquecem que os trabalhadores os elegeram para os representar.

A taxa de sindicalização no Brasil é abaixo dos 18%,  e por que apenas esse percentual de trabalhadores sindicalizados? Cada sindicato mantêm na base apenas poucos filiados para manterem o controle do aparato. Existem diretores sindicais que ficam 30 anos ou mais liberados e nunca querem voltar à base.

Daí vem o porquê não existe trabalho de filiação em quase nenhum sindicato, a burocracia morre de medo de perder o aparato; por isso suborna alguns dos seus filiados para mantê-los comprometidos através de algumas regalias.

A falta de filiação se dá devido ao medo dos dirigentes de trazer para dentro de seu feudo pessoas diferentes daquelas que eles já controlam. A burocracia teme que esses novos filiados possam formar uma chapa para concorrer nas eleições sindicais e isso não interessa.

O mesmo se dá em relação às empresas com que esses sindicatos geralmente mantêm vínculos muito estreitos, pelo mesmo motivo, o medo que essas empresas possam incentivar outros trabalhadores a disputar e tomar os sindicatos, daí o motivo de quase todos os sindicatos estarem vendidos às empresas.

Em momentos de crise capitalista como a atual, a burocracia sindical se vê enlouquecida: por um lado o ataque do capital contra os sindicatos e pelo outro os trabalhadores começam a perceber que a direção do seu sindicato já não representa seus interesses. Nesse cenário, a burocracia com certeza trairá ainda mais os trabalhadores, pois a queda dos lucros dos capitalistas, provocada pela crise econômica, reduziu a possibilidade de manter as mordomias da burocracia. Esse fator objetivo se encontra na base da implosão da política de conciliação de classes encabeçada pelo PT.


A burocracia, como representante típica da pequeno burguesia, é preguiçosa e tem medo de perder a base material que a sustenta. Não enxerga, por causa do próprio caráter de classe, que a única forma possível para manter os sindicatos combativos em momentos de crise é desenvolvendo um trabalho político revolucionário na base. Isso significa elevar a consciência politica de sua base contra o sistema capitalista. Sem esse trabalho politico revolucionário que agrupe em torno dos sindicatos os trabalhadores em geral, os sindicatos estão fadados a desaparecer na sua forma atual e a renascer como sindicatos classistas como sempre aconteceu na história, durante o próximo e inevitável ascenso operário. Conforme os ataques capitalistas aumentarem os trabalhadores tomarão nas próprias mãos suas organizações, sejam elas sindicatos, partidos, associações etc. O acirramento da luta de classes entre a burguesia e os trabalhadores tendem a se colocar no próximo período.

Leon Trotsky: Capitalismo Monopolista e os Sindicatos

“O capitalismo monopolista é cada vez menos capaz de conviver com a independência dos sindicatos. Exige que a burocracia reformista e a aristocracia operária, que juntam as migalhas que caem de sua mesa, transformem-se em sua polícia política aos olhos da classe operária. Quando não consegue isso, suprime a burocracia operária, substituindo-a pelos fascistas. E, diga-se de passagem, todos os esforços que a aristocracia operária faça a serviço do imperialismo não poderão salvá-la por muito tempo da destruição”.

Independência total e incondicional dos sindicatos em relação ao Estado capitalista!
Contra o bonapartismo da burocracia, democracia operária!

Nacional

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