Sábado, 15 Dezembro 2018

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No dia 8 de março de 2018, numa assembleia lotada na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, os educadores votaram pela deflagração de uma greve estadual com o objetivo de obrigar o governo de Fernando Pimentel (PT) a pagar o piso salarial nacional da educação, ou seja, obriga-lo a cumprir a Lei 11.738, sancionada em 16 de julho de 2008, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além dessa reivindicação central a greve exigia que o governador cumprisse os acordos que vinha assinando com o SindUte.

Depois de mais de um mês de greve, com muita mobilização na base, forte adesão de todas as cidades, inclusive aquelas que não paravam faziam anos, a diretoria do SindUte, diante da intransigência do governador, do isolamento da greve e eminente campanha eleitoral levantou a bandeira da derrota e começou a jogar água fria no movimento, um bombardeiro de informações sobre escolas voltado às aulas e todos dados negativos possíveis, ao mesmo tempo que costurava junto à alguns parlamentares candidatos a reeleição uma proposta que desse verniz de vitória à greve, foi assim que tiveram a brilhante ideia de inventar um Projeto de Lei (PL) para obrigar o governador a cumprir a lei. Um PL que obrigasse o governador a cumprir a Lei do piso salarial nacional da educação.

Foi assim que no dia 11 de abril a diretoria do SindUte propôs na assembleia dos educadores a suspensão da greve, depois de fazer uma campanha intensa com todos os seus cabos eleitorais e estafetas de que a PL seria uma maravilha. Na assembleia houve um verdadeiro bombardeio de intervenções para que a greve fosse terminada naquele momento, mas pouquíssimas vozes dissonantes foram suficientes para fazer a diretoria do SindUte ser derrotada pela base e a greve continuou com nova assembleia marcada para a semana seguinte. Foi então que iniciaram uma verdadeira operação de guerra para controlar a assembleia seguinte e derrotar a luta da categoria, chegaram mesmo a reduzir o número de ônibus para algumas regiões, não faltaram denúncias de boicote. Mesmo com toda a articulação a assembleia teve ainda uma votação bastante dividida e a greve terminou depois de mais de 40 dias de paralisação.

Até agora nada foi cumprido

Nem PL, nem nada.

Nem se vê falar mais na tal PL estadual e para piorar a situação o governador começou a parcelar o pagamento dos salários em 3 vezes. A diretoria do SindUte em plena campanha eleitoral golpista sequer chamou uma assembleia geral, mesmo tendo votado “estado de greve” na última assembleia. Foi num Congresso mal organizado da categoria que a oposição conseguiu aprovar a campanha “não pagou, parou!” se o salário não é pago no quinto dia útil a educação para no sexto dia e só volta quando ele for pago.

Depois de praticamente um mês de atrasos, certa de 90% das escolas paradas foi que o governador pagou a segunda parcela da primeira parcela. Isso mesmo depois de parcelar em três vezes o pagamento, o governo parcelou a primeira parcela. Hoje, dia 25 de junho, está marcado para ser feito a segunda parcela do salário. Os aposentados receberam apenas R$500 reais, um absurdo total e uma falta de respeito sem tamanho. A categoria vem se articulando por meio das redes sociais e pressionando a diretoria do SindUte a tomar uma posição diante de tamanho descaso. Foi então que na quinta-feira passada, dia 21 de junho, no finalzinho da tarde que apareceu no site do Sindicato uma nota dizendo que a paralisação deveria continuar até que todos recebessem. A categoria agora tem que lutar em duas frentes contra o governador Fernando Pimentel (PT) e uma direção sindical recalcitrante e eleitoreira do mesmo partido do governador.

Não pagar os aposentados é falta gravíssima

O não pagamento dos aposentados mostra a faceta mais cruel desse governo neoliberal de Fernando Pimentel. Essa postura só abre ainda mais o espaço para a extrema direita que está desesperada em busca de por fim a todos os direitos dos trabalhadores, privatizar o que ainda resta das estatais e destruir todas as empresas nacionais em busca de repor a taxa de lucros dos grandes monopólios.

A aposentadoria seria aquele espaço de tempo onde que o trabalhador depois de vários anos vendendo sua força de trabalho e tendo descontado em sua folha de pagamento uma espécie de seguro que garanta os anos de velhice mais tranquilos. O que se vê desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que chamou os aposentados de vagabundos, são ataques aos direitos dos aposentados, nem mesmo os governos petistas os pouparam. A gana para por fim a Previdência Social é enorme, com isso se economizaria bilhões que seriam revertidos aos lucros do sistema financeiro além de beneficiar as previdências privadas dos bancos.

Fernando Pimentel não é o “menos pior” conforme os petistas vêm tentando espalhar. Ainda mais em uma situação de enorme crise do capitalismo em que todos os governos têm feito a opção em atacar os direitos dos trabalhadores em benefício dos grandes capitalistas. É um governo que tem se mostrado muito mais preocupado com os interesses dos empresários do que salvar os direitos trabalhistas conquistados com muitas lutas.

A diretoria do SindUte tem que convocar uma assembleia urgentemente para definir um plano de luta que passa pelo “não pagou, parou!”, passeatas, ocupações das escolas, dentre outras atividades que mobilizem toda a categoria e a população em defesa de condições dignas de trabalho, sem atraso no pagamento, sem parcelamento e principalmente pelo pagamento do piso salarial nacional da educação.

Assembleia já da categoria!
Não pagou, parou!
Reposição só quando for negociado pelo Sindicato!
Não aceite assédio moral dentro das escolas!

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