Sábado, 15 Dezembro 2018

pelourinho 

Depois da longa greve dos trabalhadores da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais, que durou mais de 40 dias, vimos a greve terminar com sabor de derrota e com grande dificuldade da diretoria do Sindicato para impor o seu fim. A proposta de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para obrigar o governador a pagar o Piso Nacional da Educação. Uma coisa completamente ridícula e pífia visto que ele não cumpriu sequer os acordos já assinados e carimbados. Portanto, se tivesse de pagar o Piso já estaria obedecendo à Legislação Federal.

Diante disso, muitos trabalhadores começaram a se perguntar: qual a diferença entre Anastasia (PSDB) e Pimentel (PT)? Um é entreguista e repressor, o outro também. Um governa para os grandes empresários, o outro também. Inclua nesta balança que Pimentel incorporou vários elementos do PSDB em seu Governo em todo o Estado, e sem um programa sequer diferente, agora quer a todo custo privatizar a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG), responsável pela exploração do nióbio, para “acertar” as contas do Estado. Mas e depois? Quando esse dinheiro acabar, de onde sairão as verbas para pagar o funcionalismo público e para sustentar outros serviços Estado?

Após vários dias do fim da greve não se ouviu falar da reposição dos dias parados, uma vez que nada foi negociado. Eis que, de repente, surpreendendo a todos, aparece uma Circular do Governo tomando providências sobre a reposição. O Sindicato estava dormindo? Não. Estava articulando outras coisas, como o encontro da Frente Brasil Popular travestido de Conferência Nacional Popular de Educação (CONAPE), um encontro eleitoral para articular e animar a militância da educação para atuar numa Frente Ampla com os setores golpistas. O centro da diretoria do Sindicato continua na eterna campanha eleitoral da qual o SindUte foi palanque nestes últimos anos para a sua Presidente. Agora os cabos eleitorais estão espalhados pelo Estado, na maior cara de pau, fazendo uma campanha do “menos pior”. E como são sensíveis e raivosos a qualquer crítica! Vergonha para a categoria. Por essa e por outras é que diretores liberados nos Sindicatos deveriam fazer revezamento e não ficarem ad aeternum no cargo.

A Circular do Governo determina a reposição aos sábados, feriados e recessos e enfatiza garantir aos estudantes o direito a duzentos dias letivos (Clique aqui na íntegra o documento do governo). O Sindicato alega que nada foi negociado. Nas escolas reina enorme desorientação e alguns diretores impõem a reposição, fazendo o papel de Capitães do Mato, mais ferozes que seu Senhor.

Causa espanto que um Governo tão preocupado com a Educação já fundiu turmas em todo o Estado, acarretando a superlotação de salas de aula, demissão de profissionais da educação, o que, consequentemente, adoece os trabalhadores, em virtude do acúmulo de trabalho, condições insalubres, falta de material escolar, e até mesmo verba para garantir a merenda dos estudantes. Causa mais espanto ainda que, em nenhum momento, os diretores que fazem papel de Capitães do Mato estejam preocupados com essa situação, repetindo sempre a mesma ladainha: “Assinamos documento nos comprometendo com a escola e temos responsabilidade com a mesma”. Quem sabe? Talvez achem que uma mentira de tanto ser dita se torne verdade.

A Circular do Governo, com seu verniz democrático, diz que a reposição, tanto em termos de carga horária e de dias letivos, deverá ser amplamente debatida com os trabalhadores da educação que participaram do movimento, os estudantes, os pais e o colegiado escolar, porém os Capitães do Mato insistem em engessar o documento, criando um calendário de reposição utilizando todos os sábados e recessos. Isto tem nome: assédio moral. Tenham certeza disso: esses diretores fazem uma interpretação piorada da Circular, em prejuízo de toda a comunidade escolar, dizendo que não poderá utilizar horário extra turno, mas o que o documento realmente diz é que a escola poderá desenvolver projeto pedagógico coletivo, desde que envolva todos os estudantes e servidores da Educação de todos os turnos, mas, na história da escravidão, o Capitão do Mato interpreta e age conforme seus interesses, sabe-se lá quais são.

É necessário lembrarmos que o governador Pimentel não tem compromisso com a categoria quanto ao cumprimento de qualquer documento, pois a resolução que regulamenta o pagamento de greve também veio com os mesmos argumentos no ano de 2017. A categoria pagou dia por dia, hora por hora, fechou o diário eletrônico em condições extremamente precárias, sob pena do Governo fechar o portal e os alunos ficarem sem a nota do SIMAD. Com isso, o Portal do Servidor acabou virando chacota nas redes sociais, sendo apelidado de “Caverna do Dragão”.

Depois de tanto trabalho e tantos dias de reposição, o que fez o Governo? Anunciou o parcelamento do 13º salário em quatro parcelas em 2018. E o Sindicato continuou com cara de paisagem.

É preciso lembrar que a eleição de diretores escolares foi uma conquista da categoria, mas alguns deles preferem representar o patrão, o Governo e seus asseclas. Alguns deles criaram verdadeiros ambientes de medo em sala de aula e se comprometeram com o Governo a manter a ordem e o número de alunos. Parece até que estão recebendo por cabeça. Alguns vivem reclamando que o cargo é sobrecarregado de serviços e responsabilidades, mas se agarram a ele, revezando-se com seus pares. Existem diretores que se esquecem de que são da categoria. É necessário denunciar, e até mesmo processar juridicamente diretores que cometem assédio moral, com imposição de calendários de reposição e outros abusos. Essas pessoas se estivessem mesmo tão preocupadas com o aprendizado dos alunos e com o bom aproveitamento do sistema educacional, teriam repudiado com veemência quando o governador cortou os primeiros 15 dias de aulas do calendário letivo. Estariam também preocupadas com os seus colegas que adoecem em salas de aula por todo o tipo de doença profissional. Nada disso! Fazem cara de paisagem. Tem cabimento ficar impondo calendário de reposição se a categoria está em “estado de greve”? Se a categoria está para parar todos os meses devidos aos atrasos no pagamento dos salários?

O que vimos nestes anos de Governo Pimentel foi a diretoria central do SindUte complacente com a política do governador, o que fez aumentar a desconfiança da categoria, pois pertencem ao mesmo partido.

Resumo da ópera: os educadores não devem aceitar qualquer tipo de calendário que não seja discutido democraticamente e devem, por isso, paralisar as atividades até que os salários sejam depositados nas contas a partir do quinto dia útil de cada mês. Afinal, as contas dos trabalhadores não esperam para serem pagos. O aluguel, o combustível, o gás, o cartão de crédito e as despesas domésticas não esperam. Ou será que esperam?

ABAIXO A DIREÇÃO TRAIDORA!
ABAIXO O GOVERNO PIMENTEL!

ABAIXO O ASSÉDIO MORAL NAS ESCOLAS!
FORA DIRETORES AUTORITÁRIOS!
SUSPENSÃO DO TRABALHO QUANDO O SALÁRIO NÃO FOR DEPOSITADO ATÉ O QUINTO DIA ÚTIL.

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