Domingo, 20 Maio 2018

carro

 

A Educação Infantil está em greve desde o dia 23 de março em busca de melhores salários e condições de trabalho. Na última assembleia foi rejeitada a proposta do prefeito de fazer um reajuste escalonado, muito distante da reivindicação da categoria de equiparação salarial e unificação da carreira com a Educação Básica.

Tem que reforçar a paralisação naqueles locais onde ainda existam dúvidas ou medo. Ir aos principais centros comerciais e de aglomeração para falar sobre a greve e denunciar a intransigência do prefeito Alexandre Kalil (PHS) e sua Secretária, Ângela Dalben. Se eles persistirem na sua intolerância os trabalhadores devem pensar em radicalizar a luta com ocupações dos locais de ensino e acampamentos em frente da sede da prefeitura.

Mas, sobretudo, a greve da Educação Infantil não pode ficar isolada e deve se unir à Educação Fundamental que precisa deflagrar greve imediatamente juntamente com os trabalhadores do Caixa Escolar.  Por isso é muito negativo fazer assembleias separadas desses setores, A pauta deve contemplar as reivindicações próprias de cada um deles mas a luta tem que ser conjunta. O encaminhamento de fazer tudo em separado faz perder ainda mais a dimensão de classe já bastante desbotada pela ação das burocracias sindicais.

É muito estranho que a diretoria do SindRede esteja “adiando” a greve dos educadores do Ensino Fundamental para não unificar com a Educação Infantil e com o Caixa Escolar. Aliás, estes últimos deixaram a assembleia do dia 09 de maio, decididos a terminar a campanha salarial e aceitar a mentira contada de que serão incorporados na Minas Gerais Administração e Serviços SA (MGS), uma empresa controlada pelo governo estadual. A empresa já é alvo de investigação do Ministério Público e não pode mais fazer incorporação de outros setores, só podendo nela ingressar por concurso público. Isso não foi explicado aos trabalhadores e eles caíram no canto de sereia. Mesmo porque o que se espalhou entre os trabalhadores foi de que se eles entrassem em greve poderiam ter suspenso o tíquete refeição, o salário e até mesmo serem demitidos.

 

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Momento em que os trabalhadore do Caixa Escolar (portaria, limpeza, cozinha) resolvem deixar a Campanha Salarial aceitarem a proposta de serem adminitidos na MGS.


A
pressão do governo para acabar com a greve

No dia 04/05/2018, depois da assembleia que rejeitou a proposta do prefeito, a Secretária de Educação Municipal, deu uma de capitão do mato do prefeito Kalílgula e chamou uma reunião com as diretoras e vices para pressioná-las e jogar a responsabilidade sobre as mesmas das consequências do movimento grevista. Ela disse assim:

Aqui não é uma assembleia de greve, aqui é a Secretária colocando pra vocês um ponto de vista, eu quero que vocês dialoguem comigo ...

Gente confiem no prefeito, o prefeito está aqui para conversar com vocês e está aberto ao diálogo, eu tenho uma  responsabilidade com a cidade, uma  responsabilidade fiscal, o que eu posso oferecer pra vocês agora são quatro níveis, só que terminem essa greve e me aguardem [...] só que esses quatro níveis que não vai ganhar nada são nossos professores [...] agora eu acho o seguinte: está na mão de vocês. As diretoras e vices  responderam: Não, na nossa não!

[...] não tenho que ficar explicando o que vocês não leram, estudem o PL. Pra mim não tem mais conversa não. O que nós conseguimos nesse PL foi as custas de muito trabalho, muito convencimento... olha eu estou triste quando eu penso na possibilidade de perda do que nós chegamos a construir, eu estou arrasada pra fazer pra vocês a palavra certa...

Evidente que a Secretária de Educação não está preocupada com o sofrimento dos trabalhadores na Educação Infantil que ganham salário bruto de R$1.451,93, porque Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben recebe mensalmente da PBH R$ 20.811,18. Esta semana o prefeito Alexandre Kalil, o Kalílgula, disse que não tem mais negociação, o que demonstra mais uma vez que existe uma grande intransigência.

Direção do sindicato reforça divisão na categoria da educação

O papel do Sindicato deve ser de esclarecer os trabalhadores sobre os riscos que existem, mas que é necessário que eles, sob pena de virarem escravos, devem ir à luta. Parte da diretoria do Sindicato não quer uma luta unificada e ficou claro nas assembleias fatiadas na parte da manhã do dia 09 de maio. Uma professora da Educação Fundamental interviu e disse  que teve dificuldade de falar no carro de som, no dia 25 do mês passado, porque alguns setores queriam que falasse apenas quem fosse da Educação Infantil previamente preparadas. Destacou ainda que existe uma enorme confusão e que a casa tem que ser arrumada.  É um equívoco essa divisão da categoria. Outro professor lembrou que o salário que os trabalhadores recebem hoje só não é o mínimo porque houve muitas lutas. E isso é o que deveria ser sublinhado.

A divisão da categoria, inclusive com duas assembleias da educação numa mesma praça, ao mesmo tempo, chega a beirar o ridículo. Sem falar que, na mesma praça e no mesmo horário estava acontecendo outra assembleia do funcionalismo público municipal. Coisas da burocracia sindical. Além disso a assembleia da Educação Infantil será amanhã, dia 10 de maio, às 8 horas na porta da prefeitura.

O que parece uma extrema confusão da direção do Sindicato nos encaminhamentos desta luta da educação municipal de Belo Horizonte, nada mais é do que uma indisposição para a luta, mas que, por outro lado tem muito de medo de ser atropelada por uma rebelião das bases.

Só a luta pode mudar a situação de superexploração a que os trabalhadores na educação estão submetidos. Se for para colocar peso somente nos riscos da luta ninguém faria greve e não teria necessidade nem de assembleia, nem de sindicato, bastaria deixar o governo e os patrões fazerem o que bem entendessem.

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