Quarta, 12 Dezembro 2018

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No fim do ano de 2017, em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre kalil (PHS), uma espécie de Dória mineiro, resolveu abrir mais vagas na Educação Infantil e para isso utilizou-se de uma manobra matemática, reduziu o tempo das crianças nas Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs), abriu “novas” unidades em escolas do ensino fundamental e pronto. Sem mais nem menos, sem discutir com educadores e muito menos com a população.

Como as férias já iriam se iniciar os educadores, a grande maioria mulheres, não tiveram tempo para fazer uma ampla mobilização. Iniciaram o ano na expectativa de abrir algum diálogo com a Secretaria Municipal de Educação mas só encontraram intransigência.

Kalil prometeu abrir 10 mil vagas a mais para atender ao Plano Nacional de Educação (PNE) que determina, que até 2024, pelo menos 50% das crianças de até 3 anos de idade, sejam atendidas pelas prefeituras. Ao mesmo tempo diz que vai atender a Lei Municipal Nº 10.917/2016 que diz que as crianças devem passar mais tempo com a família e, portanto, ficarem menos tempo na escola. Essa mesma Lei é contraditória pois diz que a educação infantil será para “fomentar e fortalecer a educação em tempo integral, comunitária e inclusiva, substanciada em demandas educativas da comunidade escolar e da escola em si e fundamentada em uma proposta de atendimento irrestrito ao público escolar...”


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Um quadro horrível para mães trabalhadoras e professores da rede infantil. Como uma mãe que trabalha oito horas poderá manter seu filho na escola apenas na parte da manhã? Como um professora poderá cuidar de 12 crianças sozinha numa sala de aula, quando estas crianças precisam de ajuda para a higiene, para a alimentação? Pode uma professora levar uma criança ao banheiro e ao mesmo tempo cuidar das outras 11 que ficam dentro da sala?

Escolas do ensino fundamental também serão adaptadas para atender à educação infantil que segundo o prefeito e a secretária de educação, Ângela Dalben, essa é a forma mais eficiente de aumentar as vagas ao invés de construir novas unidades, ou seja, ao invés de construir e ampliar as Umeis existentes, a fórmula é colocar 385 escolas do ensino fundamental para atender também as crianças de até 5 anos.

Uma das reivindicações históricas dos trabalhadores que é a unificação do plano de carreira com o ensino fundamental sequer é tratado pelo prefeito e sua equipe.

 

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Cansados de esperar, os professores, marcaram para hoje, dia 23 de abril de 2018 uma assembleia que aprovou greve por tempo indeterminado. Na passeata pela principal avenida da Cidade de Belo Horizonte, a Afonso Pena, próximo à sede da prefeitura, foram surpreendidos por um aparato policial gigantesco, como se fosse uma guerra, a própria polícia foi quem interrompeu o trânsito na avenida e o Batalhão de Choque trouxe inclusive o “Caveirão”, lembrando os tempos da ditadura militar.

Neste momento em que estamos escrevendo esta matéria, dois diretores do sindicato acabaram de ser presos simplesmente porque tentaram negociar a passagem da passeata numa avenida que já estava com o trânsito interrompido. Jatos d´água e pauladas foram desferidos numa categoria constituída majoritariamente por mulheres. Um total  autoritarismo em tempos de golpes. Quem chamou as tropas foi o prefeito Kalil mas o comandante em chefe da PM é o governador Fernando Pimentel (PT), o mesmo que deu o cano nos direitos dos trabalhadores da educação estadual.

Mais tarde voltamos com mais notícias e chamamos a população para ir ao centro de Belo Horizonte para apoiar esta luta que é de todos. Quem não puder ir hoje que vá amanhã porque dadas a intransigência e truculência do prefeito essa luta não vai terminar agora.

 

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Abaixo o prefeito Alexandre Kalil e o governador Fernando Pimentel!
Viva a luta dos trabalhadores!
Educação gratuita e de qualidade para todos!
Pela valorização dos educadores!

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