Quarta, 24 Outubro 2018

profsp


A greve dos professores e servidores municipais de São Paulo, iniciada no dia 8 de Março, chega ao fim de mais uma semana de intensas lutas. Nesta sexta-feira 23 /03 cerca de 30 mil servidores puxados pelos professores fizeram ato em frente à  Câmara Municipal onde se juntaram com outros professores que acampam em frente ao prédio. Antes, na concentração na Praça Patriarca, eles decidiram manter a greve até que o prefeito playboy de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB) recue com a PL 621/16 batizada pelo próprio prefeito de SAMPAPREV.

Depois da repressão imposta pelo presidente da câmara de vereadores Milton Leite (DEM), no último dia 14/03  no plenário câmara , contra os manifestantes que ocupavam as ruas no entorno, repressão essa que deixou vários professores e servidores feridos, a greve só aumentou, ou seja, o vereador deu um tiro no pé.  

Essa última semana houve manifestação dos servidores todos os dias, ora na Paulista,  ora na frente da câmara. O centro da capital paulista é o lugar de luta dos professores os quais são a vanguarda da luta de classes no Brasil hoje.

Em São Paulo os professores municipais dão exemplo, ao contrário dos professores estaduais  controlados pela APEOESP/PT que não faz nada para melhorar as condições da categoria. O governo Alckmin deu um ajuste de apenas 7% porém  criou fórmulas que farão os professores perderem 5% do valor do seu salário. A APEOESP  nada fez para evitar essa manobra do golpista Alckmin,  nem mesmo pleiteou as perdas salariais passadas de vários anos sem reajuste.

A principal reivindicação dos servidores é a retirada definitiva da PL, pois o SAMPAPREV onerará cerca de  220 mil trabalhadores que já pagam 11% do seu salário para a previdência municipal e, se aprovado o projeto, pagarão 14% chegando até a 19% em alguns casos.  O sistema de previdência por capitalização é uma forma do município esmagar os valores das aposentadorias no futuro. Assim que ele transferir a responsabilidade previdenciária para os bancos ele diminuirá gradativamente as alíquotas de repasse previdenciários de 22% para menos até zerar.

Aos servidores só restará sobreviver com os valores previdenciários recolhidos ao fundo de previdência privada. Esse é e sempre foi o objetivo dos governos entreguistas e privatistas do PSDB, forçar os trabalhadores a pagarem previdência privada para, dessa forma, manter a taxa de lucro dos capitalistas em crise. Aqui vale a pena relembrar a nota escrita pelos professores e publicada em grupos de WhatsApp:

“Quero deixar claro aos DESINFORMADOS que a Prefeitura de São Paulo tem regime próprio de Previdência - IPREM - você que é contratado pela CLT NÃO paga a minha aposentadoria! Ninguém contribui para nossa aposentadoria, além de nós mesmos servidores municipais.

Mais uma informação importante: nós funcionários públicos não temos direito ao FGTS, como quem trabalha pelo regime da CLT. Quando nos aposentamos é com "uma mão na frente, outra atrás".

Também não temos regalias, como fazem questão de dizer os políticos sujos, o que pra eles é regalia, para nós é direito: vale refeição e alimentação, como muitos de vocês que trabalham no regime da CLT possuem.

Trabalhamos em média 10-14 horas por dia para ter um salário mais ou menos digno.

Não somos vagabundos, como disse tal vereador que nem vale a pena citar o nome. Apenas lutamos por nenhum direito a menos!

Os políticos corruptos do nosso país recebem fortunas exorbitantes e nós, reles mortais, somos quem paga a conta!”.

É preciso relembrar que esses políticos corruptos são eleitos pelo povo, principalmente pelos mais desprovidos, os quais são a maioria, com falsos discursos e promessas, porém ao assumir os cargos vão representar os interesses da minoria capitalista e da elite do país.

“O esteio mais firme da burguesia é a organização do Estado Em todos os países capitalistas, o Estado não passa de uma coligação de patrões, Ministros, altos funcionários, deputados, são sempre os mesmos capitalistas, proprietários, usineiros, banqueiros ou seus servidores fiéis, e bem pagos, que os servem, não por medo, mas cheios de zelo: advogados, diretores de bancos, generais e bispos.

A organização de todos esses burgueses, que abraça o país inteiro e o prende em suas garras, chama-se o Estado. Ela tem um duplo fim: o principal é reprimir as desordens e as revoltas dos operários, sugar mais à vontade a mais-valia da classe operária e assegurar a solidez do modo capitalista de produção; o outro fim é lutar contra outras organizações semelhantes (outros Estados burgueses) para a divisão da mais-valia extorquida. (No Brasil essa elite vira lata nem isso fazem, simplesmente entrega as riquezas extorquida do povo ao capitalismo, principalmente aos imperialistas Norte-americanos) Assim, o Estado capitalista é uma associação de patrões que garante a exploração São exclusivamente os interesses do capital que guiam a atividade desta associação de bandidos”. ( ABC do Comunismo,  Nikolai Bukharine)

 Hoje, no país onde o golpe avança a passos largos com o objetivo de cada vez mais retirar direitos dos trabalhadores, os partidos pequeno burgueses de esquerda integrados ao regime só pensam em eleições e em garantir seus cargos para manter sua vida parasitária. Esses partidos controlam os principais sindicatos e centrais sindicais como o PT, na CUT, na APEOSP e o PCdoB, na CTB, etc.

Essas burocracias estão deixando os golpistas fazerem o que querem com a classe trabalhadora, aprovaram a PLC 247, a PEC 55, que sucateará a saúde e a educação nos próximos 20 anos, aprovaram a terceirização em todos os ramos laborais, aprovaram a reforma trabalhista e vários outros ataques aos direitos sociais e trabalhistas. Essa esquerda amedrontada, devido a ter o rabo preso aos capitalistas deixou todos esses ataques passarem sem dar um tiro sequer.

Por isso, os professores e servidores de São Paulo, assim como os professores de Minas Gerais e de outros estados que estão em greve deixam exemplos para as outras categorias e um alerta à burocracia partidária e sindical: ou entram na luta ou serão ultrapassados pelo movimento de massa, que certamente entrará em movimento conforme o capitalismo ataca.

Todo apoio à greve dos professores e servidores municipais de São Paulo!
Todo apoio à greve dos professores estaduais de Minas Gerais!
Lutaremos até a vitória!
Fora prefeito playboy destruidor de São Paulo!
Nem uma ilusão nas eleições burguesas!

 

Passeata do Funcionalismo dia 21 de março de 2018, São Paulo, SP - Imagens de Whatsapp

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