Sábado, 15 Dezembro 2018

crazy


O governo de Donald Trump se encontra cada vez mais numa aparente loucura total. Recentemente esteve na Europa fazendo visitas à União Europeia, à OTAN e ao presidente russo Vladimir Putin. Fez uma política totalmente errática que basicamente aumenta as contradições com os aliados tradicionais europeus devido à aproximação com a Rússia, que se encontra no foco de uma campanha incrementada pelas extremas direitas norte-americana e europeia. Tudo isso com um pano de fundo de idas e voltas. A campanha do governo Trump no Oriente Médio se encontra no mesmo sentido, com a  aproximação à Coreia do Norte e o início da guerra econômico-financeira em larga escala com a China.

A visita à Inglaterra é o que mais impacta porque , basicamente o que ele estava propondo é uma política de choque do BREXIT contra a UE, que é a política reivindicada pela extrema direita. Os principais ministros envolvidos na negociação do BREXIT, Boris Johnson ministro das Relações Exteriores e David Davis que atuou como Secretário de Estado para a saída da UE, se demitiram depois que boicotaram o governo de Theresa May para que este desmoronasse. Donald Trump, para quem a política da UE seria extremamente fraca, foi justamente para reforçar essa política, propondo um choque ainda maior contra a UE.

Na reunião da cúpula da OTAN Trump tentou forçar o aumento de investimentos em gastos militares, o que quer dizer mais do que 2% do PIB. Nesse momento o gasto na Alemanha é de 0.7% a 0.9% do PIB e os americanos querem que suba para 2% para que, obviamente, comprem suas armas. Querem também que a UE abandone a ideia de ter uma força militar independente e continue investindo na OTAN, controlada pelos EUA. Pretendem aumentar as tropas bancadas pelos europeus e investir mais no chamado "escudo de mísseis nucleares" contra o perigo da Rússia.

Se pegarmos o denominador comum temos uma política que está a serviço, basicamente,  da contenção da queda dos lucros dos monopólios imperialistas norte-americanos. Nesse sentido, também se encontra inserida a guerra das tarifas não apenas contra a China, mas também contra a Europa, no preço do aço, no aumento das tarifas dos automóveis e em outras. Essa política está levando à implosão da frente única inter imperialista que tinha se formado após a 2ª Guerra Mundial pela primeira vez em 70 anos.

Nesse contexto, também entra a questão da guerra das tarifas contra a China. Os EUA tarifaram em US$ 50 bilhões os produtos chineses e estes retaliaram com tarifas de US$ 35 bilhões diretos e mais US$ 15 bilhões indiretos. Os americanos estão preparando aumentar os impostos de quase zero para 10%, em US$ 200 milhões. Isso também se encontra no centro da disputa mundial, que é como enquadrar e incorporar a China ao sistema imperialista mundial e que é, basicamente, o controle da especulação financeira. Isto porque temos duas políticas principais: a política da própria burocracia burguesa chinesa com a mão do regime bonapartista de Xi Jinping; e a política do imperialismo que quer fazer isso em cima da chamada "democracia" neoliberal, que entrega absolutamente tudo, inclusive as empresas de tecnologia, as estatais, etc., para as chamadas multinacionais.

A política do imperialismo pretende acabar com as políticas chinesas que tentam transformar o país passando de uma potência regional para uma potência imperialista, como, por exemplo, o projeto do Novo Caminho da Seda que se trata da aceleração do envio de mercadorias para a Europa, por via terrestre através do trem-bala e por via marítima.

Uma política parecida à da China está também colocada pelo imperialismo para a Rússia, para enquadrá-la no sistema imperialista mundial de uma maneira mais contundente. O problema é que a Rússia, comparada com a China, é uma potência muito mais fraca embora que, no âmbito militar, seja uma potência mais forte. Economicamente, como um todo, é uma potência mais fraca.

O que tem a ver a aproximação de Trump, que gerou muita polêmica entre outros setores da direita norte-americana , com o presidente russo Vladimir Putin? Basicamente o que temos aqui, e esse é um ponto fundamental, são as eleições de meio parlamento que vão acontecer agora em novembro. O problema é que Donald Trump está sofrendo um ataque da direita tradicional que pode levá-lo ao impeachment. Então, esse está tentando fazer uma série de manobras, entre essas Putin, Oriente Médio, Coreia do Norte, entre outras, para passar a imagem de um presidente forte, de um presidente que ainda mantém um certo controle em cima dos ataques que lhe estão sendo deferidos pelo Partido Democrata e outros setores, inclusive, pelo próprio Partido Republicano e pela direita em geral. Portanto, o que ele tentou fazer com Putin foi dar uma certa amostra de estadista e obviamente tentar alguns acordos, como, por exemplo, estabilizar o Oriente Médio. Na Síria, fazer com que sejam retiradas as tropas do Hezbollah, a milícia libanesa, e de setores da guarda civil iraniana deixando a fronteira com Israel tranquila para que não sejam ameaçadas as Colinas de Golan que são ocupadas pelos sionistas israelenses tomadas da Síria na Guerra de 1967. Essa tentativa de apaziguar a região já é uma política da Rússia em aliança com Benjamin Netanyahu e mesmo com a monarquia saudita, apesar dos acordos que Putin mantem com o Iran, com Bashar al-Assad e com os chineses. A Rússia faz parte do bloco que se forma a partir da crise capitalista de 2008 para tentar fazer negociações multilaterais com menos controle do imperialismo dos Estados Unidos, mas também não pode se entregar de bandeja nestes acordos devido à reação do Oriente Médio com o imperialismo. A reação russa é definitivamente capitalista, ou seja de garantir os lucros de suas empresas.

A política de Donald Trump é repetida de forma errática com este vai e volta, diz uma coisa e depois outra, diz que os russos não interferiram nas eleições em que foi eleito, depois, sob a pressão da extrema direita, diz que houve interferência sim. Portanto, o que se vê não é uma política específica de Donald Trump, é uma política que devido à crise fica nesse vai e volta. O governo Trump foi uma imposição de setores do imperialismo norte americano através de fraude eleitoral e que já teve sua cúpula completamente esvaziada, começou por Steve Bannon que foi o grande estrategista da vitória de Trump. O governo dos Estados Unidos, neste momento, se encontra controlado pelos neoconservadores, que é uma troika de generais e uma extrema direita recalcitrante. Por exemplo, John Bolton é um belicista que foi nomeado para ser assessor de segurança da Casa Branca, foi ele que conduziu os Estados Unidos a invadir o Iraque em 2003. Esse vai e vem na política e nos cargos do governo norte americano tem a ver também com as eleições que ocorrerão em novembro deste ano no país, ao mesmo tempo que o próprio Trump tenta se salvar do impeachment, mas sobretudo com as tentativas de dividir os blocos e estabelecer novas alianças na Europa, Oriente Médio e Ásia.

Essa situação de alta crise revela que os governos colocados nas principais potências no mundo hoje são todos governo de crise. São governos que avançam em uma política extra parlamentar rumo a imposição de governos abertamente bonapartistas e os que já existem hoje estão carregados desse bonapartismo. Na Rússia e na China são governos abertamente bonapartistas. Os governos de Trump e Macron tem um conteúdo altamente extraparlamentar. Essa crise política no mundo todo reflete a crise econômica que aperta no Brasil e na América Latina porque aqui o imperialismo tem um controle mais próximo e mais truculento. É exatamente por isso que a crise política no Brasil aumenta.

Para o próximo período está colocado o aprofundamento da crise capitalista mundial. A crise econômica leva a crise política e social e não há nenhuma alternativa elaborada ao neoliberalismo após a crise de 2008. E tudo que levou à crise de 2008 está se repetindo de maneira muito mais forte no mundo, mas principalmente na América Latina e no Brasil. O que podemos esperar é um grande colapso capitalista no mundo o que deve levar à mobilização do peso pesado, que se encontra semiparalisado nos últimos 30 anos que é a classe operária mundial. Então haverá grandes movimentações sociais com a classe operária reagindo e de maneira mais aberta os movimentos fascistas, dos golpes militares. Em resumo, estará colocado o confronto aberto entre os dois polos sociais principais, entre a burguesia e a classe operária mundial.

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