Sábado, 20 Outubro 2018

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A decadência do sistema capitalista imperialista é monumental. A taxa de lucros dos monopólios, segundo a revista The Economist de 28 de janeiro de 2017, caiu 25% entre 2012 e 2017. Entre 2009 e 2012 o grande capital conseguiu conter a queda dos lucros, que se acentuou devido à crise de 2008, em cima de resgates trilionários.

Dezenas de trilhões de dólares foram utilizados para resgatar o grande capital que não consegue mais se sustentar sozinho e precisa espoliar o tesouro, os recursos públicos. Das 100 grandes empresas que controlam o mundo as 28 principais são grandes conglomerados financeiros. Somente com os derivativos financeiros a especulação financeira mundial movimenta 10 vezes mais do que a economia real que, por sua vez, já é muito parasitária.

Dentro desse "efeito contágio" generalizado no mundo, a crise no Brasil avança a 10 mil por hora. A da Argentina também avança de maneira muito rápida. O aperto do imperialismo contra esses dois países é muito grande e isso os está levando para um colapso. A Argentina obteve um empréstimo do FMI de US$50 bilhões para manter a especulação financeira acelerada, e o governo do presidente Mauricio Macri já está enfrentando um racha muito grande na base. Esses empréstimos sempre vêm com cobranças grandes contra a população, contra a classe operária. Temos de ver o que vai acontecer no próximo período, porque esses ataques evidentemente provocarão reações dos explorados.

Frente Popular no México para impulsionar a mesma política

Um fato muito importante nesses dias foi a vitória no México do candidato López Obrador, esquerdista que foi um dos fundadores e um dos principais elementos do PRD, Partido Revolucionário Democrático, originário de um racha do PRI, Partido Revolucionário Institucional.

López Obrador tinha perdido as duas últimas eleições, em 2006 e 2012, porque essas tinham sido fraudadas de uma maneira aberta. Ele venceu com 50% dos votos, mais votos do que todos os outros candidatos juntos, obteve maioria no senado, maioria na câmara e venceu em quase todos os estados.

Com todo esse capital eleitoral obviamente que teria de enfrentar o imperialismo que é quem está ocasionando todas as mazelas que existem no México. O problema é que ele está tentando viabilizar uma frente popular de extrema direita e a probabilidade que ele enfrente, de fato, o imperialismo, apesar da campanha populista, é bastante remota.

A dependência do México aos EUA é gigantesca, 80% das exportações dos EUA vão para o México. As chamadas "maquiladoras", que são as manufaturas que estão localizadas principalmente no norte do país, estão todas orientadas para os EUA. A empresa de petróleo PEMEX é totalmente controlada pelos monopólios norte-americanos.

 López Obrador não será um novo Cárdenas

Essa é uma situação que só poderia ser enfrentada com, no mínimo, a política dos anos 30 de Lázaro Cárdenas quando estatizou o petróleo no México. Outra medida de enfrentamento com o imperialismo sustentada por Cárdenas foi a aceitação de Leon Trotsky como exilado político, quando nenhum país do mundo ousou dar asilo para o revolucionário russo.

A situação do México agora é outra, muito diferente, e a situação mundial também. O aperto do imperialismo também é outro. Precisamos observar se López Obrador vai mobilizar as massas contra o imperialismo norte americano ou se vai tentar fazer acordos com Donald Trump para manter o NAFTA, Tratado de Livre Comércio do Atlântico Norte, e as maquiladoras. Se vai controlar os "exageros" nas entregas do setor do petróleo. Se vai tentar desacelerar a entrega do setor elétrico e da educação, que era o que o presidente anterior não conseguia fazer.

O mais provável é que López Obrador concentre tudo na luta contra a corrupção do PRI, do PAN e da polícia. Mas isso até certo ponto, pois o país está sob intervenção militar desde 2016 e com os cartéis de drogas tomando conta de tudo. A probabilidade que leve a cabo uma política real contra o imperialismo, contra o grande capital, contra a espoliação é remotíssima.

É preciso acompanhar de perto, em detalhes, essa política geral de manipulação eleitoral e verificar que essa questão no México não passa de uma pequena pausa para reagrupar forças dentro da linha geral de avanço golpista do imperialismo. Justamente num momento de embate comercial com a China, Japão e Europa e da própria crise interna na política norte-americana que se manifesta na questão da interferência russa nas eleições que deram vitória a Donald Trump sobre Hillary Clinton.

A crise também se manifesta no futebol

Outro aspecto da crise capitalista que já tínhamos dito, que o mais provável, justamente devido à grande crise mundial, era que na Copa do Mundo a França ou a Inglaterra fossem para a final, porque a manipulação política que há no futebol é enorme. Da mesma maneira que há uma manipulação enorme nas eleições. São coisas muito parecidas.

E a França, que é uma potência, uma das cinco principais do mundo, numa crise fenomenal de Emmanuel Macron precisava de uma vitória dessas para poder avançar em outros ataques. Então, apesar da Bélgica ter despontado como um grande time era quase impossível que ganhasse da França nessa situação de alta crise mundial. A mesma coisa poderia se dizer da Inglaterra em relação ao jogo contra a Croácia. Mas a vitória da Croácia até foi “conveniente”, na medida em que não se enfrentaram duas potências europeias na final. Assim a França vence a Copa do Mundo com uma goleada em cima de um país secundário, dos Balcãs.

Numa situação de alta crise política evidentemente que tudo vai ser politizado. Achar que não tem política no futebol é ridículo. Se não, como os jogadores de altíssimo nível, que são negociados por centenas de milhões de euros como Neymar, jogam na Europa como um europeu normal e quando chegam na Copa do Mundo, principalmente a partir de 1998, aparecem com uma pontaria pior que qualquer um? É óbvio que aí tem uma coisa super esquisita.

A crise na Europa

O papel da Europa é extremamente importante. No caso da Inglaterra, no início do mês, o ministro do BREXIT, David Davis, defensor de uma ruptura forte com a UE, deixa o já enfraquecido governo da primeira-ministra Theresa May depois da aprovação de um plano para manter relações estreitas com o bloco europeu.

Também, o ministro das Relações Exteriores, que é outro elemento da extrema direita, Boris Johnson, renunciou em protesto à estratégia do governo.  Essas defecções expõem a divisão do governo britânico, pois os eurocéticos estão revoltados com o que dizem ser uma traição de Theresa May ao não avançar no rompimento total com a União Europeia.

A Alemanha, nesse momento, não tem mais como principal parceiro os EUA, mas a China. Continua tendo grandes acordos com os EUA, mas cada vez mais passa a atuar muito próxima da China e da Rússia. Está aliada da China e da Rússia dentro dessa política de expansionismo mundial, principalmente chinês.

A Europa sofreu sanções do governo Trump para o aço e outros itens, o que aumenta as contradições do grande capital porque aqui se trata de como dividir o mercado mundial. Temos que estar atentos porque essa divisão sempre foi feita por meio de grandes guerras.

A Europa passou por cima das imposições do governo Trump que queria impedir que os países fizessem acordos nucleares com o Irã e quem desobedecesse seria sancionado e não poderia fazer negócios com os EUA. Os governos europeus passaram por cima das sanções americanas, através de subsídios e créditos para as empresas que fizeram negócios com o Irã.

Temos aqui uma grande crise do status quo que tinha sido acordado a partir da 2 ª Guerra Mundial, com as contradições imperialistas aumentando pela primeira vez nos últimos 70 anos. E some-se a isso o grande impulso da China, uma potência regional, para se converter numa potência imperialista.

EUA x China, o problema central do capital

O grande ponto da crise mundial é que as contradições entre os EUA e a China estão escalando e, a partir dessa contradição, escala a crise dentro dos EUA, o que também o obriga a se enfrentar com a Europa, Japão e Canadá.

A China a partir de 2008 começou a passar por uma crise muito grande relacionada à geração de empregos devido a que as exportações começaram a minguar. Ela tem duas políticas principais como eixo de atuação: o Novo Caminho da Seda, que são vias rápidas de transferência de produtos e circulação de mercadorias para a Europa por meio de trens, trem-bala, de navios, etc.; e a outra política muito importante que chama-se "Made in China 2025", que pretende refocar a produção chinesa em níveis muito mais especializados em termos de tecnologia.

Essa política entra em confronto direto com o grande capital que, para manter a espoliação financeira, precisa ter o controle tecnológico. O foco da China nesse momento é a tecnologia da informação e da informática, o que inclui as redes 5G para celulares, toda a parte de cyber security (cyber segurança) e a robótica. A China é o país do mundo onde a entrada de robôs está acontecendo com maior celeridade.

A política aeroespacial, a política de engenharia oceânica, os trens-bala que funcionam tão bem quanto no Japão, as novas energias inclusive para transporte individual, equipamentos de grande tração, maquinários para a agricultura, novos materiais principalmente os sintéticos como o bioplástico, biomedicina, etc., são setores que dependem da robótica.

China, de potência regional para potência imperialista

O governo chinês está adotando uma política mais forte para poder segurar a crise interna. Nesse sentido, criou 5 centros de renovação das indústrias nacionais e 48 centros provinciais. Para 2025 pretende passar dos 5 centros nacionais para 40. Em cima dessa direção pretende se estabelecer como líder em inteligência artificial até 2030.

A China busca, no período de 2020 a 2025, fazer que 70% da produção seja feita com componentes chineses e, portanto, para que toda essa política seja viabilizada precisa impulsionar grandes empresas chinesas no mundo. O que já está fazendo, por exemplo, com a Huang Oi e a ZTE, empresas que estão no centro dos ataques dos EUA.

Ela já está dominando países bastante distantes como a Grécia que está sendo controlada em grande medida pelo capital chinês como, por exemplo, a tomada total do porto de Pireus que fica ao lado de Atenas. Essa política acontece porque a China não tem escolha. É a contradição, a concorrência, a pressão que faz a burocracia burguesa chinesa avançar porque se não fizer isso corre o risco de chegar a grandes desestabilizações da própria sociedade chinesa.

No porto de Pireus há denúncias de que os trabalhadores tentaram estabelecer um sindicato para evitar os abusos chineses que são enormes, por exemplo, não têm uma jornada de trabalho fixa, podendo ser chamados a qualquer momento para o trabalho.

Os trabalhadores que se mobilizaram foram sumariamente demitidos pela administração chinesa, sem que o governo grego tivesse se manifestado. Ou seja, o governo chinês é uma burguesia também. Não é a mesma burguesia imperialista, mas é uma burguesia regional que tenta se posicionar como burguesia imperialista.

Isso tudo acontece devido ao alto grau de desagregação do imperialismo norte americano, que não fica menos agressivo por isso. Dentro dessa crise mundial é que devemos analisar as crises das diferentes nacionalidades. A situação nacional, aqui no Brasil, por exemplo, é impossível de ser caracterizada se não for nessa perspectiva mundial.

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