Quinta, 13 Dezembro 2018

tarifazo 

 

O governo Macri é uma verdadeira escola de neoliberalismo tentando aplicar as políticas neoliberais. Tanto é assim que quando esse país entra em colapso há poucos dias atrás, o FMI retira quase toda sua diretoria porque tinha mais elementos seus no governo de Maurício Macri que no próprio órgão. O governo argentino pediu um empréstimo de US$ 30 bilhões para o Fundo Monetário Internacional levando em conta que esse país tem um estoque de reservas em dólar em torno de US$ 55 bilhões.

A Argentina tinha entrado numa política de repasse de recursos públicos para os grandes especuladores internacionais em dólares, principalmente nos dois anos de governo Macri. Repassava para os chamados fundos abutres bilhões e bilhões e para conseguir esse dinheiro estava se valendo, além dos aumentos das tarifas públicas e da inflação que oficialmente está em 24% mas que está muito mais do que isso, das chamadas Lebacs, Letras do Banco Central, onde o governo paga taxas usurárias pela emissão de títulos do tesouro do Banco Central.

Recentemente, como faltou dinheiro para manter essa ciranda, o governo aumentou a taxa de juros para 40%. Isso gerou uma desvalorização do peso que foi de 20 pesos/dólar para quase 26 pesos/dólar e hoje está em quase 27 pesos/dólar. Isso daria quase 30% de desvalorização. Obviamente não é o nível da Venezuela, que é um caso muito sui generis, mas o que vemos é que a Argentina aplicando a política oficial do imperialismo por meio do FMI está indo para um colapso total porque isso deverá implodir a qualquer momento.

O dia 16 de maio, gerou muitas expectativas e foi considerado o “dia D da Argentina”. O governo teria que rolar 24,6 bilhões de dólares, o equivalente a 615,87 bilhões de pesos argentinos, em Lebacs. E era grande a possibilidade de que o Banco Central tivesse dificuldades em revender os títulos porque os investidores prefeririam usar os recursos obtidos com o vencimento dos papéis para comprar dólares.

Porém, ainda que o Banco Central argentino tenha conseguido rolar o vencimento das Lebacs por meio de um leilão desses títulos no dia 16, através de taxas de juros de 40% ao ano, quando há duas semanas atrás os mesmos tipos de Lebacs tinham taxa anual de 26%, a crise continua em alta.

Não podemos esquecer que o total em títulos que estão colocados no mercado a curto prazo, soma quase 50 bilhões de dólares. Como fazer isso se não tem dinheiro? E como fazer com os próximos títulos públicos? E a economia aguentará o tranco? E o déficit fiscal que tem com o Brasil?

Uma parte dessa certa estabilidade do Brasil está com a Argentina. O Brasil está colocando o pé num pilar que é um pântano, a Argentina. O déficit desse país no ano passado  foi de US$ 8 bilhões. Nesse momento a burguesia argentina, com o imperialismo por trás, está num ponto de inflexão do que fazer, qual política adotar. Pode impor um grande ataque contra os trabalhadores, uma repetição do "rodrigaço" de 1975, que foram enormes ataques contra os trabalhadores que começaram com o aumento brutal de tarifas públicas, contenção de salários, aumento da inflação, etc. Ou ir "comendo mais pelas bordas" como tem sido a política até hoje.

A discussão na esquerda tem sido se Macri seria o governo ideal para o imperialismo. Dizemos que não, é um governo fracassado. Uma boa parte da burguesia argentina já expressou o repúdio ao seu governo e busca um governo de coalizão nacional para poder impor os ataques contra os trabalhadores com um pouco mais de influência. O governo de Maurício Macri já acabou. Da mesma maneira que o governo de Michel Temer no Brasil já acabou.

O imperialismo não quer mais só “comer pelas bordas”

Na verdade, essa política de ir "comendo pelas bordas" está liquidada e cada vez mais o imperialismo se vê forçado a aplicar a verdadeira política que ele precisa, inclusive para conter a queda brutal da taxa média de lucros em escala mundial. Esses ataques passam pelo aumento das tarifas públicas, pela redução dos salários e pela extinção de todos os direitos dos trabalhadores. Está para ser aprovada pelo Congresso argentino uma nova reforma trabalhista, mas para contemplar essas políticas e poder governar por decreto, etc., precisaria passar por uma “unidade democrática”.

Em 2019 há eleições na Argentina. Se Macri aplicar essa verdadeira política do imperialismo, a nova direita neoliberal argentina acaba e pode dar lugar a um novo governo kirchnerista ou alguma coisa parecida, o chamado "populismo" ou frente popular.

Agora, o que fazer? É a mesma política do Brasil, esse mesmo ponto de inflexão que é atacar em cheio os trabalhadores ou continuar indo pelas bordas? Por isso o imperialismo sabe que esse "ir aos poucos" está cada vez mais implodido. Ele é obrigado a avançar de maneira mais firme e mais frontal contra os trabalhadores, por fora do parlamento e, para isso, ele precisa impor duros ataques contra esses. O que está colocado é a imposição de governos de cunho bonapartista com os militares à frente. Esses governos formam uma camada burocrática diretamente ligada ao Estado burguês que é controlado pelo grande capital mundial onde os militares estão cada vez mais na linha de frente, como estamos vendo no Brasil nesse momento.

Temos que a crise econômica leva justamente à necessidade de endurecer o regime político para impor maiores ataques contra os trabalhadores. Marx demonstrou que o próprio desenvolvimento do capital, que a própria crise do capital, leva a isso. Lenin desenvolveu esse tema no O Imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo. Trotski fez várias elaborações sobre essa questão principalmente quando teoriza sobre o fascismo e as frentes populares, sobre o stalinismo, etc.

Nós temos o arcabouço fundamental para entender que essa situação de pseudo estabilidade democrática tem os dias contados, até em países, como por exemplo, a Venezuela. O governo de Maduro somente não é escorraçado pelo medo que o  imperialismo tem do movimento de massas que é ultra radicalizado nesse país, principalmente nos movimentos sociais, onde uma parte da população está armada. O movimento sindical está contido pela burocracia sindical. Mas o que aconteceria se em cima da pressão da direita e do imperialismo o movimento de massas entrasse em luta? Poderia ter um impacto enorme na Venezuela, na região e no mundo todo.

Mas como o chavismo nunca rompeu com o imperialismo, o que demonstra o cretinismo da frente popular, nós temos agora, por exemplo, que a ConocoPhillips, uma empresa norte americana de petróleo, acabou de ganhar um processo de vários bilhões de dólares que tem de ser pago pelo governo venezuelano e que pode quebrar a PDVSA. Existem vários outros processos em andamento. O governo Maduro está numa situação de extrema crise e com tendência de aumentar cada vez mais.

A crise na Europa

A crise da Europa com os Estados Unidos somente avança. As contradições avançam principalmente no coração da Europa que é a Alemanha. Está em disputa aí o mercado mundial, a repatriação dos trilhões de dólares que existem nos paraísos fiscais. Tivemos uma enorme troca de sanções contra a Volkswagen e o Deutsche Bank. Desse último de um lado contra a Apple de outro. Tivemos a visita de Merkel a Trump. Também a visita de Macron e da primeira-ministra britânica Theresa May. As contradições do grande capital europeu com o grande capital norte americano existem e se aprofundam.  

O que temos nesse momento é que há uma guerra comercial travada pelos Estados Unidos, governo Trump, contra a China e que adota o caráter de guerra de tarifas. Os Estados Unidos querem reduzir para US$ 250 bilhões o déficit fiscal que é de US$ 350 bilhões, em dois anos. Para isso aplicou uma série de restrições tarifárias e sanções contra as empresas de tecnologia de ponta chinesas, principalmente contra a ZTE, empresa que fabrica celulares, que anunciou o encerramento das atividades na semana passada, após ser proibida de comprar componentes de empresas americanas pelos próximos sete anos.

A política central da China é o Novo Caminho da Seda que passa pela criação de via rápida para o comércio com a Europa. Ou seja, uma maior aproximação da China forma um aliado muito próximo, principalmente depois da crise de 2008, para atrair a Europa para essa política.

Obviamente é tudo contraditório porque a crise capitalista faz com que nós tenhamos uma espécie de ninho de cobras, onde cobras maiores e cobras menores disputam o bolo do mercado capitalista mundial.

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