Sexta, 18 Janeiro 2019

imperialismo2.fw

No Brasil, o imperialismo norte-americano depôs a presidenta Dilma Rousseff, encarcerou o ex presidente Lula e avança a passos largos na tentativa de atacar em cheio os trabalhadores.

No Peru, depôs o ex presidente Pedro Paulo Kuczinski. Assumiu no lugar o vice presidente Martin Viscarra, seguindo o roteiro que já conhecemos no Brasil por conta de Michel Temer. Supostamente Viscarra promoveria uma série de medidas no Peru para estabilizar o país. Mas ele próprio se encontra envolvido em denuncias de corrupção, igual a Temer, como, por exemplo, a denúncia que o relaciona com a construção do aeroporto da cidade de Cusco, no Peru. Se trata de um circo armado para ir evoluindo em cima do endurecimento do regime político na América Latina.

O imperialismo está com extremo medo de aplicar ataques diretos principalmente em uma situação em que a lembrança das ditaduras militares na região está muito fresca. No Brasil, as atrocidades foram relativamente menores; nos números oficiais, teriam desaparecido supostamente 400 pessoas. Já a Comissão da Verdade elevou esse número para quase 1.000, além de mais de 9.000 índios que tinham desaparecido na pressão para se apropriar de terras indígenas. Foi um número relativamente pequeno se comparado com as atrocidades que a ditadura militar cometeu na Argentina onde desapareceram pelo menos 30.000 pessoas, da maneira mais abominável possível, até com sequestros de crianças.

O grande fato no Peru foi que um elemento diretamente ligado ao imperialismo mas que não contava com a confiança do grosso da burguesia, apesar dele ter sido ministro da Economia nos últimos governos, foi colocado para fora do governo peruano. Se trata de um passo a passo direcionado ao endurecimento do governo no país e é a mesma política que está colocada para toda a América Latina e até para o mundo inteiro.


A crise terminal da esquerda burguesa e pequeno burguesa

O papel da esquerda no Peru e que também segue o mesmo roteiro que a esquerda no Brasil tem sido nefasto, assim como acontece em toda a região e o mundo. A chamada Frente Ampla peruana apoiou diretamente o governo de Pedro Pablo Kucinski com a desculpa de que estaria defendendo a democracia contra a ditadura da extrema direita fujimorista. Isso lembra muito o que o PT tem feito no Brasil; ficar o tempo inteiro fazendo negociatas com a direita com um principal objetivo que é preservar os próprios cargos e regalias, preservar a estabilidade institucional com a integração absoluta da frente popular ao regime burguês. Quando essa Frente Ampla acabou se dividindo surge um grupo chamado Novo Peru, que se absteve na votação de impeachment contra Kucinski que imediatamente adotou a medida de indultar o ex-presidente Alberto Fujimori, que foi um dos maiores sanguinários do país.

O imperialismo avança rapidamente para endurecer o regime político. Isso é extremamente importante porque é uma discussão, um debate, colocado na esquerda, se o governo Macri ou o governo Temer seriam os governos ideais. Há uma boa parte da esquerda dizendo que o Brasil não iria para uma ditadura militar, para um governo de cunho bonapartista em primeiro lugar, mas sempre apontando para um regime de extrema direita bravo, como foi o AI-5 (Ato Institucional), porque esses governos dariam conta do recado. Só agora, depois da intervenção militar no Rio de Janeiro, a situação política começou a ficar muito mais clara.

A integração da esquerda oficial ao regime político burguês tem crescido de maneira absoluta e relativa, levando-a a um desligamento cada vez maior do movimento de massas, o que é natural, pois se trata de uma esquerda em fase terminal.

Em direção ao bonapartismo

No "O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, escrito por Karl Marx em 1852, foi mostrado como a direita, devido à evolução da luta de classes, ao medo da extrema direita e do movimento de massas, acaba adotando uma série de medidas reacionárias que levam o país diretamente para um novo golpe militar.

Neste momento, uma tese importante é que o imperialismo está com muito medo de avançar para impor um golpe militar aberto, como as ditaduras fascistoides que infectaram a América Latina na década de 1970. A política do imperialismo é impor regimes bonapartistas na América Latina, onde controla a região a ferro e fogo para extrair até a última gota de sangue dos trabalhadores. É a mesma política que intenta impor no mundo inteiro, mas com muitas maiores dificuldades.

Neste momento, com os governos de frente popular sob controle e a maior parte deles sendo retirados dos governos, o imperialismo está dando o próximo passo, está atacando a direita centrista de todos os países. Isso tem acontecido no caso do Brasil com Michel Temer, no caso do Peru com Pedro Paulo Kucinski, no Uruguai com o governo da Frente Ampla em que a probabilidade de ganhar as eleições no próximo ano é praticamente zero. No Chile, o governo da Consertación de Michelle Bachelet foi vencido pelo direitista Sebastian Piñeira que ainda é um governo centrista, apesar dele ser um elemento importante da direita que manteve, como empresário importante, ligações próximas ao ditador Augusto Pinochet.

Na América Latina inteira, o imperialismo avança para impor governos de cunho bonapartista, por fora do regime parlamentar, porque não tem escolha já que os governos atuais estão extremamente enfraquecidos por conta do aprofundamento da crise capitalista mundial.

O grande capital tem medo do novo colapso capitalista mundial que está colocado. O último aconteceu em 2008. As crises têm se repetido a cada 10 anos, mais ou menos. No próximo período, deverá acontecer um novo enorme colapso, que deverá levar inevitavelmente a um novo ascenso do movimento de massas. E quem irá contê-lo? As frentes populares atuais estão praticamente liquidadas, extremamente desgastadas e muito integradas ao regime político. A direita centrista também está extremamente desgastada.

Quem irá defender o regime contra um forte ascenso de massas mesmo que se trate de movimento espontâneo? Só pode ser a força bruta, a força militar.

O movimento de massas se encontra neste momento paralisado no Brasil e no mundo apesar de que houve alguns movimentos da classe operária na França. Mas por quanto tempo permanecerá paralisado? E o que irá acontecer se esse movimento conseguir ultrapassar a burocracia sindical e a burocracia política das frentes populares?

É óbvio que se o movimento de massas, em cima de uma grande crise, não for contido a própria sobrevida do capitalismo será colocada em xeque. Estamos vivendo uma época de guerras cada vez mais ampla em vários pontos do globo. As revoluções ainda não aparecem de maneira muito clara. As últimas foram as revoluções que aconteceram por causa do impacto da crise de 2008, mas foram rapidamente cooptadas pelos serviços de inteligência, da extrema direita mundial, do imperialismo, das monarquias reacionárias do Oriente Médio, do norte da África e do Sahel. Mas o enfraquecimento do capitalismo avança a passos largos em direção aos grandes centros.

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