Quarta, 16 Janeiro 2019

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“O olho cego da América para o tirano de Honduras” esse é o título da matéria do NYT de 19 de dezembro de 2017. O Jornal coloca que os Estados Unidos estão dando continuidade à política bastante usada durante a Guerra Fria em relação aos regimes ditatoriais alinhados que eram apoiados pelo imperialismo e a expressão que usavam era  “He may be an S.O.B., but he’s our S.O.B” (“Ele talvez seja um ’filho da puta’, mas é um filho da puta nosso”), atribuída a Franklin Delano Roosevelt, em 1939, para se referir ao sanguinário ditador nicaraguense Anastacio Somoza. O motivo de tal política era um só, manter os interesses do capital imperialista no País e na região.

Contra o atual presidente, Juan Orlando Hernández e seu chefe de governo, Arturo Corrales, pesam vários acusações, como criminalização de protestos pacíficos, tortura, vínculo com o tráfico de drogas e principalmente o desvio de milhões do sistema de saúde. Mesmo assim o governo de Trump tem dado apoio a Hernándes, que se “elegeu” pela segunda vez, sob protestos da oposição e da população. Até a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu novas eleições visto a quantidade de irregularidades ocorridas durante o pleito, em 26 de novembro.

Concorreram às eleições a presidência nove candidatos, mas apenas dois deles, Hernández, do Partido Nacional e Nasralla, do Partido da Liberdade e Refúgio (LIBRE), realmente tinham chance.

Como vencer sem ter os votos necessários

A Constituição hondurenha não permite a reeleição, foi com a alegação de que o presidente Manuel Zelaya estava fazendo manobras por uma reeleição que foi dado um golpe de estado em 2009. Desta vez, através de diversas manobras e por determinação da Câmara Constitucional, com membros nomeados pelo presidente Hernández, foi autorizado a sua candidatura à reeleição. Nem as oligarquias locais nem o governo dos Estados Unidos levantaram um dedo contra as manobras do atual presidente que é um aliado do imperialismo na América Central, e os Estados Unidos mantêm duas bases militares em Honduras com cerca de 16 mil militares.

No dia 19 de dezembro, o presidente, Juan Orlando Hernández, foi à TV, depois de muita repressão aos protestos, que deixaram 15 mortos, mais de 1.500 presos e centenas de feridos, para pedir aos opositores que “ponham a mão na consciência” para a construção de um consenso nacional, ou seja, para que todos desistam das denúncias acerca das eleições fraudulentas e o aceitem como o presidente do país. Hernández sabe que, mesmo depois de ser proclamado no último dia 17 de dezembro (domingo), o novo presidente, não terá nenhuma situação de calmaria visto que a crise econômica é muito grande e as massas insatisfeitas com os ataques deveãro se mobilizar ainda mais. No domingo mesmo, após o anúncio do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral, a capital, Tegucigalpa, e várias outras cidades viveram um clima de guerra com muitos confrontos de rua e até mesmo com setores das forças policiais não fazendo uma repressão mais forte como o governo gostaria.

Até a OEA como vários outros observadores internacionais dizem que o processo eleitoral não foi transparente. No meio das apurações quando, o candidato da oposição estava cinco pontos percentuais a  frente, os computadores tiveram uma “pane” e a contagem de votos foram interrompidas por um dia e meio, a partir daí o presidente passou a frente de forma mágica.

Um golpe atrás do outro

Honduras tornou-se um país independente em 1838. Em 1839, fez sua primeira Constituição e com o primeiro presidente escolhido constitucionalmente. Em 1841, foi o conservador Francisco Ferreira. De lá até hoje, o número de militares a assumir o comando do País foi bem maior que o de civis. No século XX, tornou-se literalmente uma república das bananas. A fruta foi seu principal produto de exportação com empresas americanas no comando, principalmente a United Fruit Company.  Até a Nicarágua, em 1911, interferiu nas eleições do País que viveu em rebelião por dois anos.

Os Estados Unidos intervieram com forças militares para proteger os interesses das suas empresas. Um longo período de instabilidade de estendeu até 1932 quando foi eleito Tiburcio Carías Andino que, como presidente, realizou reformas constitucionais que lhe permitiu tornar-se ditador, ficando no poder até 1949 apesar das convulsões geradas pelas crises econômicas que eram causadas pelo excedente da produção de bananas que por sua vez criava desemprego. Uma revolta derrubou Andino do poder. Em seu lugar entrou Juan Manuel Gálvez. Mas em 1954, os militares reassumiram o poder com o objetivo de reestabelecer um regime pseudo democrático. Foi nesse ano também que ocorreu a grande greve dos trabalhadores nos bananais que conquistaram alguns direitos trabalhistas. Em 1957, houve eleições mais pacíficas e foi eleito o liberal Ramón Villeda Morales, que fez nova Constituição e tentou uma reforma agrária.

A oligarquia hondurenha assustada com a Revolução Cubana de 1959, apoiou, em 1963, um golpe de estado. Tomou o governo o coronel Osvaldo López Arellano que permaneceu no poder até 1974. Mas a ditadura continuou com a “guerra do futebol” travada com El Salvador os militares mantiveram-se no poder até 1971, quando foi eleito Ramón Ernesto Cruz, mas no ano seguinte, em um novo golpe militar, o general López Arellano voltou ao poder. Neste período, os militares tomaram algumas iniciativas reformistas tais como reforma agrária, nacionalização de florestas e nacionalização de algumas empresas estrangeiras. Tudo às custas de muito endividamento externo e corrupção.  Depois nove anos seguidos de ditatura militar, em 1981, houve eleições e Roberto Suazo Córdova, do Partido Liberal foi eleito e para ter o apoio dos Estados Unidos ofereceu o país para ser a base militar dos “contra” no combate à revolução nicaraguense.

Só em 1986 veio a ocorrer eleições sem a interferência direta dos militares. Mas Honduras manteve-se nas mãos do imperialismo dos Estados Unidos. A década de 1980 foi atravessada por um verdadeiro estado de terror porque os países vizinhos estavam em pleno conflito de guerra civil e Honduras serviu de base para a repressão, que atingiu além dos refugiados, os próprios cidadãos do País por suspeita de darem abrigo aos fugitivos ou por simples razões de cunho ideológico ou religioso. A crise econômica se aprofundava com o agigantamento da dívida externa e na falta de novos dividendos por falta de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 1990 outra grande crise econômica levou a greve dos plantadores de banana e o Exército interferiu. Mas o Exército já não tinha a força política de épocas anteriores e o apaziguamento da América Central permitiu reativar o comércio regional. A nova fase foi marcada pelo consenso neoliberal que atingiu toda a América Latina. No início do Séc. XXI, o neoliberalismo se esgotou e políticas de investimentos do Estado nas áreas sociais voltaram a ter um peso relativo, que vinham, na verdade, desde 1994 com a eleição de Carlos Roberto Reina.

Em 2006, Manuel Zelaya foi eleito presidente, mas antes de terminar seu mandato, em 2009, sofreu um golpe porque tentou fazer um plebiscito para poder se reeleger, o Judiciário decretou a inconstitucionalidade do plebiscito, os militares também foram contra e a Suprema Corte decretou a prisão do presidente. Mas ao invés de prendê-lo os militares o expulsaram do País e assumiu seu vice, Roberto Micheletti, que manteve as eleições para 29 de novembro. Seu governo não foi reconhecido por nenhum país e Honduras foi excluída da OEA.


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Até hoje a Constituição Hondurenha não permite a reeleição, mas Juan Orlando Hernández, conseguiu uma ordem da Câmara Constitucional do país para ser candidato e se reeleger por meio de fraudes. Um peso e uma medida em 2009, quando Manuel Zelaya queria uma consulta popular, através de um plebiscito para ver se podia se recandidatar, outro peso e outra medida completamente diferente para uma situação bem pior, em termos democráticos, para um presidente completamente alinhado com os interesses dos Estados Unidos. A população não quer aceitar, a crise econômica mundial tem atingido em cheio todos esses elos mais fracos do capitalismo, e a reação é proporcionalmente violenta aos ataques que os trabalhadores têm sofrido.

Honduras aparece na linha de frente marcando a política predominante do imperialismo para o próximo período: endurecimento do regime político, de maneira generalizada, com o objetivo de impor fortes ataques contra as massas. O grande capital precisa, de maneira desesperada, conter a queda da taxa de lucros. Esses ataques colocarão, inevitavelmente, as massas trabalhadoras em movimento novamente.

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