Sábado, 15 Dezembro 2018

trump judeu

A crise que se abriu após as declarações do presidente norte-americano Donald Trump em relação à mudança da embaixada de Tel Aviv, a capital de Israel, para Jerusalém coloca uma série de questões que devem ser avaliadas, em primeiro lugar o aprofundamento da crise política no imperialismo e no sistema capitalista mundial.

As declarações de Trump mostraram que a política do imperialismo norte-americano para o Oriente Médio como um todo, basicamente, se esfacelou. O que está por trás disso? Quais são as forças que estão atuando? Em primeiro lugar, essa decisão de Trump não é unânime no imperialismo norte-americano. O próprio Trump se encontra muito acuado pelas forças mais à direita que representam setores fundamentais dos monopólios.

No último período, vários dos principais colaboradores de Trump, mais uma dúzia de membros do primeiro escalão do governo, foram afastados por toda uma série de manobras e mecanismos. Há um mês e meio, aproximadamente, foi afastado nada menos que Steve Bannon, que era o verdadeiro estrategista da política de Trump. Ele esteve por trás da eleição de Donald Trump e de todas as principais movimentações no cenário internacional. Agora está sendo afastado Rex Tillerson do Departamento de Estado. O ex conselheiro de Segurança Nacional, o ex general aposentado Flynn, foi afastado por ligações com os russos por meio de uma lei de 1799 que foi aplicada pela primeira vez na história contra um funcionário que acabou de ser eleito para um governo que está entrando. Ainda há as eleições para o Senado norte-americano pelo Estado do Arizona, onde existe a possibilidade de que o candidato oficial não seja eleito por acusações relacionadas com assédio sexual, o que, agora, está na moda também, junto com as campanhas recorrentes “contra a corrupção”.

A crise do bloco Estados Unidos – Israel – Arábia Saudita


jerusalem


Trump se encontra acuado. E também o está o primeiro ministro de Israel, Netanyahu. A política dele, meio de cachorro louco no discurso para o Oriente Médio, é uma política que também não é unanimidade dentro da própria direita sionista. Já houve chefes do Mossad, que são as Forças Especiais sionistas no exterior se manifestarem abertamente contra Israel ir a uma guerra com o Irã. Eles sabem que isso seria uma catástrofe contra o próprio Estado sionista. Netanyahu faz manobras em conluio com Trump porque ele se encontra acuado em cima de acusações corrupção, que têm levado a manifestações nas ruas. O outro componente fundamental dessa aliança reacionária é a monarquia saudita.

A cúpula da monarquia saudita deu um golpe de Estado interno, onde colocou em regime de prisão 200 príncipes do primeiro escalão, entre os quais há os três donos, das três principais cadeias de televisão da Arábia Saudita. Junto com isso, há a enorme crise que aconteceu com o Catar, que também não é unanimidade. A Arábia Saudita tentou enquadrar o Catar com o aval de Trump, mas o imperialismo norte-americano deu um passo atrás, enquanto o Catar se aproximava da Turquia, da Síria e da Rússia. Essa é uma das cinco monarquias do Golfo Pérsico que tem uma certa autonomia na região, principalmente contra a política hiper reacionária da monarquia saudita.

Nem os novos monarcas, principalmente o príncipe herdeiro Mohamed Bin Salman, é unanimidade dentro da cúpula do imperialismo norte-americano. O príncipe herdeiro anterior, Bin Nayed, era um ativo, um elemento muito próximo, da CIA. Com essas movimentações, a guerra entre os clãs, entre as tribos que compõem a chamada Casa de Saud, da Arábia Saudita, está sendo implodida, mas de uma maneira tal que a luta entre os setores pelo poder se tornou extremamente crítica e pode explodir a qualquer momento, inclusive, conforme for evoluindo a crise dentro do próprio núcleo central do imperialismo norte-americano.

A crise dentro dos próprios organismos de poder nos Estados Unidos, em Israel e na Arábia Saudita se estende a todo o sistema capitalista mundial. As movimentações da Europa, por meio da França, principalmente por meio do primeiro ministro Emanuele Macron, para tentar jogar algum papel no Oriente Médio onde está em disputa o controle do petróleo e o mercado de armas, não tem passado de medíocre ou até vergonhosa. Macron está se limitando a convidar Netanyahu, o primeiro ministro de Israel, a ir para à França onde o toque das conversas deverá ser, em primeiro lugar, acusações e um certo puxão de orelhas contra Netanyahu porque ele não indenizou os palestinos que estão sendo retirados das suas terras para construir novos assentamentos judeus.

Vitória e crise do bloco Rússia, Síria, Iraque, Irã e Hizbollah

Se por uma parte os principais vitoriosos na guerra civil na Síria e sobre as declarações de Donald Trump seria o bloco formado pela Rússia, o Hizbollah (a milícia libanesa), o Irã, a Síria, o Iraque e, por trás, a China, se trata de uma vitória frágil.

No caso da Rússia, ela usa as movimentações no Oriente Médio para tentar chegar a acordos com o imperialismo, principalmente em relação às sanções impostas a partir da guerra civil da Ucrânia, por conta de que a própria situação na Rússia é frágil. Se trata de uma potência regional que depende basicamente do petróleo e gás, e da venda de armas para sobreviver e tem sido atingida em cheio pelo aprofundamento da crise capitalista mundial.

A própria China se vê com uma situação muito problemática porque, se bem que agora está garantindo um dos braços do Novo Caminho da Seda (a aceleração de vias rápidas de fornecimento de mercadorias à Europa), por meio da Síria e do Irã, se abriu uma crise muito grande com a Índia devido às relações muito próximas com o Paquistão, arqui inimigo da Índia, porque uma parte de uma das rotas do Novo Caminho da Seda passa pelo chamado Corredor do Paquistão que vai para do porto de Gwadar até a província Xinjan na China, onde há um grave problema que é o problema com os Urdos, que são separatistas.

O Irã venceu e conseguiu marcar posições em cima da pressão do imperialismo, dos sionistas israelenses e da monarquia saudita, mas numa situação também crítica. As dificuldades são crescentes devido ao aprofundamento da crise capitalista onde o aperto do grande capital a disputa pelo mercado mundial acontece a ferro e fogo devido à queda crescente dos lucros.

A política norte-americana para o Oriente Médio se encontra numa situação de semi falência. Isso fica ainda mais claro quando vemos as relações do imperialismo norte-americano com os curdos que estavam sendo controlados por meio do fornecimento de armas pelo governo Trump. Mas em cima da pressão da Turquia e, do outro lado, do Irã, os curdos estão, neste momento, se afastando dos norte-americanos e se aproximando, principalmente, da Rússia.

O fracasso da saída imperialista para os palestinos

beirute

 

A política dos “dois Estados” como solução para o conflito dos palestinos também fracassou. Essa política implicaria na existência de um Estado para os judeus e um Estado para os palestinos, mas se trata de uma paz sionista, de uma política fracassada para os palestinos, porque o que há neste momento, é que quem dá as cartas são os sionistas israelenses, em termos militares, em relação às questões tributárias e fiscais, em termos do controle das fronteiras etc. Se trataria basicamente de uma solução que não seria uma solução para os palestinos, mas seria uma solução das baionetas sionistas contra os palestinos super acuados.

A verdadeira solução para o problema palestino passa pela estruturação de um Estado único, para todas as nacionalidades e com liberdades democráticas amplas. Somente assim poderia haver uma verdadeira autodeterminação para os povos da região.

O aprofundamento da crise capitalista mundial leva ao aprofundamento da crise política em escala mundial também. Cada vez fica mais claro que a verdadeira saída para a crise do grande capital somente pode ser uma saída militar, um guerra em largas proporções que conduza à destruição em larga escala das forças produtivas.

O imperialismo não vai se dar por vencido em relação a manter o controle do Oriente Médio. Ele precisa impor essa política a ferro e fogo, seja por meio de uma guerra, seja por qualquer meio, porque um dos componentes centrais da política do imperialismo para o controle do mercado mundial está nos petrodólares, que é a comercialização do grosso do petróleo em dólares norte-americanos em cima de um acordo com os sauditas que data do início dos anos de 1970, é que é crucial para a própria economia parasitária norte-americana.

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