Quinta, 22 Fevereiro 2018

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No domingo 1 de outubro, o mundo ficou consternado novamente pelo maior ataque a tiros da história dos Estados Unidos, que aconteceu em um hotel na cidade de Las Vegas.

Nos últimos anos, conforme a crise capitalista mundial tem acelerado, começaram a se tornar cada vez mais frequentes os atentados terroristas que, “coincidentemente”, têm favorecido a aplicação das políticas que fortalecem a extrema direita e o grande capital. Foi assim que aconteceu no caso do ataque às Torres Gêmeas, em 2011, em Nova Iorque, ou nos vários atentados na França dos últimos cinco anos, inclusive o ataque de Marseilles ou o de Paris (abril de 2017) que antecedeu as recentes eleições presidenciais. O clima de choque social ajudou a impor a candidata da extrema direita, Marine Le Pen, e o filhote da família Rotschild (uma das 157 que domina o mundo), Emmanuel Macron.

Não por “acaso”, os ataques terroristas anteriores, o que aconteceu na Arena Manchester, na Inglaterra, em 22 de maio de 2017, antecedeu as eleições gerais, na escalada da crise do imperialismo inglês. O saldo do atentado foi de 22 mortos e 59 feridos. Os atentados criam um estado de choque social por causa da própria violência e monstruosidade da ação. Mas em política não existem coincidências.

Faltando duas semanas para as eleições, o ataque terrorista produziu, como efeito prático, a direitização da pauta eleitoral e provocou o endurecimento do regime político. No caso específico da Inglaterra, se tratou do primeiro atentado a bomba bem sucedido, de grandes proporções, desde o ano de 2005, quando o ataque contra o transporte público de Londres deixou um saldo de 56 mortos. Os militantes do NIRA (Novo Exército Republicano Irlandês) ou do PIRA (Exército Republicano Irlandês) aparecem como “amadores” e “imbecis” quando comparados com a “eficiência” do Estado Islâmico. A menos que, como sempre deveria ser feito, se coloque a pergunta básica: a quem beneficiam esses atentados? A partir daí fica mais fácil concluir sobre eventuais “ajudazinhas” que os terroristas possam ter recebido como, por exemplo, dos serviços de inteligência (ligados essencialmente à extrema direita).

A quem beneficiam os ataques?

lasvegas2A partir dos atentados de Nova Iorque contra as Torres Gêmeas, que aconteceram no dia 11 de setembro de 2001, é preciso ter em vista o grande propulsor da política dos ataques “terroristas” que beneficiam a burguesia imperialista. Nesse caso, foram a desculpa “perfeita” para que a extrema-direita, que controlava o fundamental do governo de George Bush Jr., passasse a aplicar a nefasta política denominada de “Guerra ao Terror”. Os Estados Unidos, no início da década passada, enfrentavam o esgotamento das políticas “neoliberais”. Os monopólios procuravam novos mecanismos para manter as taxas de lucro. A França e a Alemanha, que juntos compõem o coração do capitalismo europeu, estão passando por uma crise de gigantescas proporções, agravada pela crise da ala hegemônica por causa das ondas de refugiados de guerra.

Por trás dos “prováveis” circos, armados em praticamente todos os grandes atentados, se encontram as garras dos serviços de inteligência e das agências de repressão a serviço da direita que, por sua vez, é o representante natural dos interesses dos monopólios. Apesar da campanha histérica e idiotizante da imprensa burguesa, há interesses reais e materiais, resultados concretos que foram e serão aplicados após os atentados terroristas.

 

Como pano de fundo a crise das potências imperialistas

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O colapso capitalista mundial de 2008 implodiu o principal mecanismo de contenção da crise e das massas, as chamadas políticas “neoliberais”. Trilhões de dólares foram gastos para resgatar os monopólios. A taxa de lucro mundial caiu 25% nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo, em cima do aprofundamento da crise econômica, a burguesia imperialista tem se direcionado para endurecer o regime político. O verdadeiro objetivo passa por colocar em pé os mecanismos de contenção que possam salvar o capitalismo da revolução proletária.

O sistema capitalista mundial entrou numa espiral em que não conseguiu estruturar uma política alternativa ao neoliberalismo. Por esse motivo, houve uma mudança na forma da guerra de classes do capital contra as massas, o que ficou muito clara com a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos, que foi imposta pelo imperialismo norte-americano.

No caso da Inglaterra, o regime político atual está encabeçado por um governo de crise que surgiu como o resultado do referendo do Brexit (a saída da União Europeia). O principal objetivo é organizar um dos principais centros da especulação financeira mundial, a City de Londres, que atua como um sócio minoritário do capital financeiro norte-americano contra a União Europeia e, fundamentalmente, contra a Zona do Euro. Na tentativa de salvar os lucros a qualquer custo existe a tendência ao aumento das contradições com o imperialismo europeu.

A política do novo presidente eleito da França, Emmanuel Macron, de governar por meio de decretos nos primeiros 100 dias de governo, representa mais uma clara manifestação do rápido avanço do imperialismo para o endurecimento do regime em escala mundial. Perante o rápido enfraquecimento do parlamentarismo e da política de “frente popular” (partidos burgueses com base eleitoral na classe operária), o objetivo é impor regimes ditatoriais de cunho bonapartista, o que implica em ditaduras burocrático policiais, rumo aos regimes fascistas de terror aberto. Portanto, há uma quebra nos mecanismos que têm sido aplicados preferencialmente desde o final da Segunda Guerra Mundial para a contenção das massas.

Um dos instrumentos principais utilizado para avançar contra as liberdades individuais, endurecer o regime e atacar os trabalhadores é a criação de “estados de choque”, estados de comoção generalizado, conforme foi descrito em detalhes pela escritora canadense Naomi Klein, no conhecido o livro “A Doutrina do Choque”.

Um “Ato” nada patriótico, mas muito reacionário

lasvegas4A chamada Lei Patriótica (Patriotic Act) foi promulgada em 26 de outubro de 2001, pelo então presidente George W. Bush. A medida reduziu drasticamente os direitos civis e as liberdades individuais sob a cobertura do “combate ao terrorismo”. Uma grande campanha foi orquestrada através da imprensa capitalista incentivando o medo de novos atentados. O objetivo era “justificar” a suspensão de direitos e garantias constitucionais e autorizar os crimes e todos dos tipos de abusos por parte do Estado. Foi institucionalizada a política oficial de “caça às bruxas” com a perseguição em massa aos muçulmanos e qualquer opositor do regime, além da legalização da tortura. Tratava-se da volta intensificada do Macarthismo, que, após a Segunda Guerra Mundial, condenou um grande número de intelectuais sob a acusação de “atividades antiamericanas”. O rastreamento de e-mails, a vigilância do uso da Internet e o grampo das ligações telefônicas se tornarem práticas comuns e livres de ordenação judicial. Obrigava-se as bibliotecas e livrarias a informarem que livros buscavam determinados cidadãos e permitia a detenção de “suspeitos” por períodos prolongados. A histeria chegou a um nível tal que o governo Bush tentou aprovar, em 2004, o projeto de lei conhecido como Tips (Sistema de Prevenção e Informação sobre Terrorismo), mas ele foi rejeitado pelo Congresso. O projeto institucionalizava, na prática, os mecanismos para que um grande número de profissionais, tais como os eletricistas e carteiros, entre outros, “colaborassem” como “informantes” da polícia.

No orçamento federal de 2012, todas as despesas sofreram um congelamento por cinco anos, “menos as relacionadas com segurança”. As agências de espionagem tiveram um sensível acréscimo nos seus orçamentos. O “Programa Homeland Security”, que foca no controle de fronteiras, contraterrorismo e cyber-segurança, tem um orçamento previsto de U$ 46,9 bilhões. A CIA (Agência Central de Inteligência) e algumas outras agências de espionagem contam com um investimento de U$ 53,5 bilhões. O Departamento de Justiça destinará mais de U$ 23 bilhões para o FBI (Polícia Federal dos EUA), a DEA (departamento anti-narcóticos), o Sistema Prisional (que é terceirizado e hoje conta com mais de 2,5 milhões de presos), o BATR (Controle de Álcool, Tabaco, Explosivos e Armas de Fogo), a Divisão de Segurança Nacional e outras organizações policiais. Somente o programa de contraterrorismo do FBI contará com U$ 2,7 bilhões, um terço do total do orçamento desse organismo. Esses números não consideram as verbas secretas cujo montante é desconhecido, tais como as relacionadas com a inteligência militar do programa NIP (Programa de Inteligência Nacional), que contempla as operações no Afeganistão e o Paquistão; cyber-segurança; contraterrorismo e a espionagem de governos estrangeiros e grupos qualificados como terroristas. A CIA é uma grande provedora desses recursos secretos, principalmente do tráfego de drogas e outras operações ilícitas, tais como lavagem de dinheiro e prostituição, conforme tem sido publicado na imprensa burguesa nos últimos anos.

 

Das revelações parciais à total exposição da essência fascista do Estado imperialista

lasvegas5As revelações feitas pelo ex-agente da NSA (Agência Nacional de Segurança), Edward Snowden, simplesmente trouxeram luz sobre fatos conhecidos. Em maio de 2011, o senador Ron Wyden declarou, quando a administração Obama autorizou a extensão de três medidas da Lei Patriótica, que as agências de espionagem teriam desenvolvido mecanismos de análise de informações (data mining) para vasculhar dados provenientes de celulares e acessos à Internet. Em março de 2011, um documento enviado ao subcomitê do Departamento de Justiça sobre Crime, Terrorismos e Homeland Security, pelo juiz Todd Hinnen, confirmou que o governo teria usado a Seção 215 da Lei Patriótica, a chamada “registros de negócio”, para “obter os registros de carteiras de motorista, de hotéis, de locadoras de automóveis, de aluguéis de imóveis, cartões de créditos e outros”. Em 2010, o jornal The Washington Post publicou um artigo intitulado “Top Secret America” no qual revelava que “em torno de 1.271 organizações do governo e 1.931 empresas privadas trabalham em programas relacionados ao contraterrorismo, Homeland Security e serviços de inteligência em aproximadamente 10.000 localidades nos EUA”. Em 26 de abril de 2011, o jornal San Francisco Bay Guardian revelou que as polícias locais “designadas para trabalhar nas forças antiterroristas do FBI podem ignorar as ordens das polícias locais e as leis da Califórnia para espionar pessoas, mesmo sem existirem evidências de que tenham cometido um crime”. Fica claro, pela extensão destas operações e estruturas repressivas que o imperialismo não está preocupado com os atentados isolados, mas com o controle policial de toda a vida da população para prevenir a rebelião das massas internamente aos EUA e nos demais países. O terrorismo está sendo utilizado como pretexto para aprofundar, aperfeiçoar e legalizar o Estado policial norte-americano e, de um modo geral, do imperialismo mundial.

Com as revelações feitas por Edward Snowden, a máscara da democracia norte-americana caiu definitivamente, ficando de maneira muito clara o caráter fascista do Estado imperialista.

Fortalecimento do Estado fascista e da decomposição do sistema capitalista

lasvegas6O domínio dos monopólios imperialistas, principalmente dos grandes bancos, sobre o Estado norte-americano é absoluto, pois a sua própria sobrevivência está intrinsicamente ligada ao Estado. Os principais mecanismos de controle são o financiamento de campanhas, lobbies e o controle total de todos os poderes, onde os principais executivos tornam-se altos funcionários do governo e vice-versa, que, em contrapartida, rendem enormes isenções fiscais e pacotes de ajuda, assim com o apoio das agências governamentais para a manutenção e expansão dos monopólios a nível mundial. Organismos como o ALEC (American Legislative Exchange Council) congrega executivos das grandes corporações que literalmente escrevem a legislação.

A partir da crise de 1974, a economia dos Estados Unidos, assim com o sistema capitalista a nível mundial, está apresentando fortes sinais de esgotamento que têm se aprofundado cada vez mais. A migração do parque industrial, a partir da década dos 1980, aos países da Ásia, principalmente à China, onde o custo da mão de obra era quase zero, e a incorporação de novas centenas de milhões de trabalhadores de baixo custo e das ricas reservas de petróleo e gás da Ásia Central, após a queda da União Soviética, em 1991, não tem sido suficientes para conter o acelerado esgotamento do sistema capitalista mundial. A bolha da Internet, no início da primeira década do século XXI, mostrou a grande dificuldade para continuar promovendo as altas taxas de lucro dos especuladores financeiros imperialistas. Isso acabou sendo reconfirmado, posteriormente, com a crise das bolsas, a bolha imobiliária e atualmente com a migração dos capitais especulativos para os mercados futuros de commodities sob a liderança do mago da especulação, o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Allan Greenspan. Complexos mecanismos financeiros foram desenvolvidos neste sentido, aprofundando ainda mais a dilapidação de recursos e intensificando a exploração das massas trabalhadoras promovidas pelo neoliberalismo – mercado de derivativos e de futuros, incentivo a que os norte-americanos vendessem as suas propriedades para participar da farra financeira, sob a falsa promessa de que se tornariam ricos, o aumento do saque das riquezas dos países atrasados. Para a implementação dessas políticas era necessário ganhar o apoio da população para as guerras que iriam ser promovidas e para controlar as massas trabalhadoras perante o maior repasse de renda para um punhado de multimilionários da história do país.

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