Segunda, 18 Junho 2018

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A burocracia que governa a Coreia do Norte pratica uma política defensiva que tem como objetivo manter os próprios interesses, buscando forçar a retomada das negociações com o imperialismo norte-americano que foram interrompidas por George Bush Jr. Reforçando o programa nuclear e ainda ameaçando arrasar a Coréia do Sul ameaça a política do imperialismo na região. Seul, a capital da Coreia do Sul, fica a 50 quilômetros da fronteira.

Uma guerra entre as duas Coreias obrigaria a Coreia do Sul a buscar um armistício imediato, após a morte de milhões de pessoas que obrigaria a retiradas das tropas norte-americanas do País. Também a política da China se encontra encurralada por essa ameaça e ainda pela ameaça muito pior que seria de colocar os Estados Unidos controlando totalmente a Península. Isso  colocaria em xeque as linhas de defesas chinesas de Pequim e Xangai as duas regiões mais populosas do País.

Nas últimas semanas, a crise com a Coreia do Norte ficou evidente na imprensa burguesa. Esse conflito reapareceu quando o País lançou dois supostos ICBM (mísseis balísticos intercontinentais) que, pelo trajeto teria amplas condições de chegar à Ilha de Guam, que se encontra a três mil quilômetros de Pyongyang (capital da Coreia do Norte), onde os Estados Unidos mantêm uma base militar muito importante e, eventualmente, poderia representar uma ameaça para o próprio continente norte-americano. Depois a Coreia do Norte lançou um míssil que sobrevoou o Japão.

O primeiro aspecto que deve ser considerado na avaliação da situação mundial está em entender os interesses de classes que estão envolvidos. Os Estados Unidos têm estacionados 30 mil soldados em 82 bases na Coreia do Sul, que representam uma ameaça direta para a Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, os THAAD (sistema antimísseis de alta altitude) que foram instalados na Coreia do Sul pelos Estados Unidos para proteger o País dos norte-coreanos, ameaçam diretamente a China devido aos poderosos radares do sistema, que têm um alcance de três mil quilômetros.

A região é muito convulsionada. No Japão, estão estacionados 50 mil soldados norte-americanos. Mas o que está por trás da histeria desatada? A Coreia do Norte tem reais condições de atingir os Estados Unidos?

 

Coreia do Norte no “Eixo do Mal”

Após a Segunda Guerra Mundial, entre 1950 e 1953, aconteceu a Guerra da Coreia. A paz não foi formalizada até hoje. Apenas foi assinado um armistício, em 1953, entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, por um lado, e os coreanos do Norte.

Em 1994, durante o governo Clinton, levaram-se a cabo negociações para que a Coreia do Norte abrisse mão das armas nucleares e do programa nuclear. Dentro do compromisso que estava sendo negociado, havia o fornecimento de um reator nuclear para energia que os norte-americanos entregariam para os coreanos, assim como uma série de medidas que contemplavam até o levantamento de sanções. As negociações estavam bastante avançadas, mas, em 2002, com a política da “guerra contra o terror”, promovida pelo governo George Bush Jr., a Coreia do Norte foi incluída no chamado "Eixo do Mal" junto com o Irã e o Iraque. Em 2003, aconteceu a invasão do Iraque e, com isso, essas negociações foram por água abaixo. A partir de 2009, a Coreia do Norte começou a acelerar o programa nuclear por meio da realização de testes de armas nucleares como contenção das agressões do imperialismo norte-americano.

O verdadeiro alvo é a China 

O primeiro objetivo do imperialismo norte-americano na região Pacífico da Ásia é conter o expansionismo chinês, impedir que a China se converta em uma potência imperialista.

A China não é uma potência imperialista, ela não controla o mercado mundial nos setores de tecnologia de ponta. No no setor financeiro comanda apenas os setores secundários do mercado mundial.

A Coreia do Norte faz fronteira, pelo norte, com a China. A fronteira sul é com a Coreia do Sul, no paralelo 38. O que isso tem a ver com a crescente crise com os Estados Unidos? O alvo principal da crise não é a Coreia do Norte, mas a China.

Os Estados Unidos, neste momento, enfrentam o acelerado aprofundamento da crise capitalista. O próprio complexo industrial militar está dando sinais de esgotamento. O grande capital precisa dessas movimentações de guerra para poder justificar a produção de armas que, nos Estados Unidos, se tornou num negócio muito escandaloso. Por exemplo, a produção de um avião de quinta geração, chamado F35, já ultrapassou os US$ 50 bilhões. Ele se encontra em fabricação há 10 anos e o custo total desse avião, considerando também a compra de 2.500 unidades e os custos de manutenção, deverá ultrapassar US$ 1 trilhão.

A economia norte-americana é altamente parasitária. Ela gira em torno, basicamente, da especulação financeira ou da especulação de leis e patentes e outros tipos de mecanismos de espoliação no mercado mundial, e pelo chamado complexo industrial militar. O imperialismo precisa se movimentar para manter a economia funcionando e evitar uma maior queda da taxa de lucros mundial, que está crescendo. O grande problema é conter o ascenso chinês e tentar impulsionar uma guerra comercial que lhe permita diminuir o déficit comercial que é de US$ 350 bilhões com a China.

Coreia do Norte: um dos epicentos da crise mundial

O governo da Coreia do Norte considera a China como um aliado, apesar das sanções que lhe foram impostas. A China não tem nenhum interesse em agredir a Coreia do Norte porque funciona, inclusive, como uma contenção contra a política imperialista, apesar das contradições dos chineses. A Coreia do Norte tem uma política defensiva em relação ao imperialismo para não ser invadida pelos Estados Unidos. O governo da China chegou a falar, nesses dias, que iria defender a Coreia do Norte de uma agressão norte-americana.

O aspecto político mais importante que deve ser considerado é que se os Estados Unidos invadirem a Coreia do Norte, a Coréia do Sul ficará numa situação muito comprometida e seria arrasada. Seria obrigada, automaticamente, a pedir um armistício com a Coreia do Norte e a buscar uma saída, que passará pela expulsão das bases norte-americanas estacionadas na Coreia do Sul.

Há a possibilidade dessa cidade ser totalmente arrasada, assim como toda a Coreia do Sul, uma boa parte do Japão e, eventualmente, até a base norte americana de Guam, nas ilhas Marianas do Norte. Isso aconteceria simplesmente com armas convencionais, saturando as defesas. Milhões de pessoas morreriam e esses países seriam totalmente devastados: Coreia do Sul, Coreia do Norte e Japão e se estenderia, em parte, para os países vizinhos.

Os mísseis ditos intercontinentais que foram testados pela Coreia do Norte recentemente, principalmente o Hwansong 14, chegaria de Pyongyang até Guam, em 40 minutos. Ou seja, haveria, em princípio, a possibilidade de que os norte-americanos, com os sistemas antimísseis, conseguissem derrubá-los. Mas mísseis contendo cargas nucleares ou armas químicas chegariam em 40 segundos a Seul e, por esse motivo, seria muito difícil de serem detidos. A mesma situação acontece em relação ao Japão. Uma guerra na região poderia dar lugar a uma terceira guerra mundial.

A Coreia do Norte tem um exército enorme, com mais de dois milhões e meio de soldados e com a possibilidade de mobilizar vários milhões de reservistas. Além disso, tem 300 mil soldados das tropas especiais que poderiam atuar na Coreia do Sul em operações de sabotagem. A Coreia do Norte também possui submarinos de fabricação chinesa de classe Romeu, que têm um raio de ação de nove mil milhas (a distância entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos é de seis mil milhas). Esses submarinos poderiam se aproximar dos Estados Unidos carregando mísseis atômicos.

A metade do orçamento do Pentágono foi direcionado para a região Pacífico da Ásia com o objetivo de conter a China e de controlar a região. O resultado pode ser a Terceira Guerra Mundial.

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+ Política

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