Domingo, 20 Maio 2018

 

"É que Narciso acha feio o que não é espelho" 

Caetano Veloso
 

espelho2

 

Na semana passada, na tentativa de dar respostas à insatisfação da categoria com o governo Fernando Pimentel (PT), e com as críticas contra a direção do SindUte pela condução traidora do movimento grevista, a Coordenadora Geral do Sindicato publicou nas redes sociais a seguinte mensagem:

Em 2003, quando assumiu o Governo de Minas, uma das primeiras ações do Aécio Neves foi uma reforma administrativa com mudança na Constituição do Estado. Ele tinha clareza do modelo de estado que queria, incluindo aí os seus servidores. O choque de gestão foi para a Constituição do Estado, dada a disputa de projeto de sociedade que o Governador fez a época. Poderia ser lei ordinária, decreto, mas optou pela mudança na Constituição porque sabia o que significava.

Neste momento, estamos as voltas com uma PEC (49/18) que propõe colocar na Constituição do Estado o Piso Salarial Profissional Nacional. Podemos desistir dela, a qualquer momento, se diferente da ideia do que representa um direito na Constituição, avaliarmos que não tem importância.

Aliás, a liderança do bloco de oposição e deputado do PSDB na Assembleia Legislativa não assinou a proposta. Chamou-a de "demagoga". Posição muito semelhante que li em alguns lugares de pessoas da categoria.

Aliás, li coisas estranhas. Para convencer as pessoas de que a proposta "é demagogia" como também disse o PSDB, alguns colegas criaram sites e escrevem textos que não assinam deturpando a realidade, inventam falas e avaliações que não aconteceram nas assembleias da categoria, semeiam desinformação e dúvida.

É óbvio que não fizemos greve por PEC. Ela resolve tudo? Tenho clareza que não! E nosso sentimento não é de plena vitória. Sobre os rumos do nosso movimento eu debato entre nós, não jogando pra galera em rede social nem promovendo notícias falsas para semear a desconfiança.

Mas então, não vale a pena, pela importância estrutural da nossa valorização, o Estado de Minas Gerais, através da Constituição obrigar o governador de plantão a pagar o Piso Salarial? Sem amarras? Eu acho que vale! Toda oportunidade de avançar mais estruturalmente em direitos, vale a pena batalhar por ela. Poderia ter vindo antes? Sim. Poderia ter sido proposta pelo próprio governo? Poderia. Mas o mundo se movimenta por pressão, não por bondade de governo. Eu já aprendi isso faz tempo! Tudo na educação vem por pressão! Não deveria ser assim, mas estamos numa sociedade dividida em classes sociais. Nós e todos que são atendidos pela escola pública pertencemos a uma classe social. A outra sempre pressiona por menos direitos pra gente e mais lucro e recursos públicos pra ela! Como nos lembrou Rosa Luxemburgo, só sentimos  as correntes que nos prendem, quando nos movimentamos.

Fica a reflexão, sem me esconder em nenhum site. Já ensinou o ditado popular "Quem não deve, não teme", ou quem tem coerência na luta não tem medo do debate!

Beatriz Cerqueira
Coordenadora-geral do Sind-UTE/MG

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1899989710012262&id=100000037545894

Como podemos ver as críticas bateram no fígado, mas não há respostas, ao invés de rebater politicamente, a mensagem prefere partir para o campo pessoal, o ego predomina. E não é isso que nós do Gazeta Revolucionária queremos, não nos interessa a vida pessoal de qualquer dirigente sindical ou companheiro de luta.

Não precisamos assinar matérias no nosso site, só os colunistas assinam o que escrevem e o fazem porque querem expressar seu ponto de vista pessoal. Não nos interessa qualquer tipo de personalismo e não usamos sites de Sindicatos para promover nosso blog ou nosso site custeado com o dinheiro da categoria. Sobrevivemos da livre colaboração de militantes e simpatizantes. Não nos escondemos atrás de qualquer site ou mensagens apócrifas, embora não descartemos a necessidade dos revolucionários terem organizações clandestinas para enfrentar a repressão.

A mensagem acima exprime uma atitude policialesca, que, na primeira abordagem pede a identificação do “elemento”. Não nos interessa a discussão em termos morais como é feito pela golpista “Operação Lava Jato”. De inquéritos morais bastam os de Sérgio Moro e Dallagnol, que não precisam de provas para atos condenatórios, bastando a convicção. Não suscitamos discussões para destruir pessoas, mas para destruir políticas, principalmente as que semeiam ilusões e, muitas vezes, mentiras na classe trabalhadora. Nossas matérias são baseadas em fatos concretos, muitas vezes gravados em áudios e em vídeos. Nas assembleias do SindUte sempre orientamos nossos militantes e simpatizantes a portarem um ou mais contracheques, devido justamente ao patrulhamento corporativista nada incomum por parte dos burocratas.

As nossas críticas à direção do SindUte sempre foram políticas principalmente no sentido de que a luta sindical não pode ser um apêndice da atividade parlamentar, justamente o que fazem muitos dos nossos sindicalistas de olho em cargos na estrutura do Estado burguês. Temos programa para a luta sindical que estão em nossas publicações e podem ser encontrados em nosso site (www.gazetarevolucionaria.com.br), que passa essencialmente por colocar estes organismos de classe como organizadores da luta. E em relação à sua administração não abrimos mão de que seja completamente transparente para os trabalhadores, sem empreguismo de parentes e amigos, com prestação de contas periódicas e de forma que sejam entendidas, revezamentos de diretores liberados para que ninguém se passe por dono do aparato.

Por fim, achamos que qualquer militante sério deve debater em cima de propostas e contrapropostas que dizem respeito aos interesses da categoria e não sobre o caráter de indivíduos. Nós do “Gazeta Revolucionária” damos nossa opinião não para agradar A ou B, mas sim para contribuir com o avanço da consciência de classe e da necessidade de lutar para obter conquistas. Não nos intimidamos com chantagens e estamos cientes que  existe um processo de endurecimento do regime político no Brasil que caminha para uma espécie de bonapartismo com os militares diretamente à frente do aparato do Estado. Portanto, as eleições no fim do ano, se acontecerem, serão eleições hipercontroladas pelo Judiciário que está à frente do golpe e mesmo pelo controle microeletrônico de eleições totalmente informatizadas.

Os educadores de Minas Gerais e do Brasil fazem greves todos os anos, algumas conseguem avanços, outras prevalecem o empate e outras são derrotadas. A que terminou semana passada foi derrotada por dois motivos principais: a intransigência do governo de Fernando Pimentel (PT) e pela traição da direção do SindUte. Os motivos já explicamos em matéria no nosso site. Novas lutas virão e estaremos nelas junto com os demais colegas. Não temos ilusões às atividades parlamentares, só a luta muda a vida!

 

Viva a luta dos trabalhadores!
Abaixo o capitalismo!
Abaixo a burocracia sindical!

Nacional

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