Terça, 25 Setembro 2018

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A década de 1970 foi marcada pelo revés no modo de regulação capitalista, devido à crise do petróleo, a expressão da crise capitalista em geral. Ganharam força as propostas de redução do Estado como agente regulador das demandas sociais. O liberalismo ressurgiu como a Fênix das cinzas e tornou-se a ideologia dominante nas organizações imperialistas do pós-guerra, através do FMI e do Banco Mundial.

Esse organismos foram criados sob a égide da intervenção para a recuperação econômica e o desenvolvimentos dos países atrasados. Enfim vieram a cumprir a função para a qual foram criados, garantir os lucros dos grandes monopólios fazendo intervenções nas políticas macroeconômicas dos governos nacionais. Esses organismos passaram a governar de fato porque mesmo em regimes de “democracia”, os governos endividados eram obrigados a seguir o receituário do Consenso de Washington. Os países atrasados ou em desenvolvimento, como foram renomeados, foram os mais atingidos pelas políticas de austeridade, conhecidas como neoliberalismo. Isto envolvia elementos chaves como: redução dos gastos públicos; reforma tributária; abertura comercial; investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições; privatização de estatais; desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas) etc. O neoliberalismo foi um fracasso mas a burguesia mundial não tem Plano B.

Na educação, por traz do belo discurso de igualdade e depois de equidade escondeu-se uma brutal realidade onde as desigualdades foram naturalizadas pelo incentivo ao empreendedorismo, ou seja, pela luta encarniçada do indivíduo para vencer na vida, custe o que custar. Para alcançar metas o Banco Mundial “recomendou” avaliações sobre o aprendizado dos alunos através do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). No Brasil foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que faz a avaliação do aprendizado e dá publicidade aos resultados, estabelecendo uma competição entre as escolas e responsabilizando os educadores pelos resultados, independente das condições de infraestrutura, jornada de trabalho, programas de qualificação, etc.

Ao identificar a baixa qualidade da educação o Banco Mundial faz suas recomendações que nunca passam por uma discussão e elaboração com os educadores. A visão da instituição é totalmente economicista. Exige resultados de bons frutos em locais completamente adversos. O relatório do Banco Mundial de novembro de 2017, “Aprendizagem para realizar a promessa da educação”, identifica os problemas relacionados à educação e ao aprendizado, aponta três principais encaminhamentos para acabar com a ineficiência do sistema educacional.

O primeiro é melhorar as avaliações através de um sistema estruturado onde as autoridade e educadores tenham um quadro real dos fracassos.

O segundo, está no fator escola ou sala de aula, onde os educadores devem usar métodos mais eficazes, que de um modo geral passa por “Reduzir a atrofia e promover o desenvolvimento cerebral por meio da nutrição e estímulo na primeira infância (como ocorreu no Chile) para que as crianças possam aprender. Apoiar crianças desfavorecidas com doações para mantê-las na escola (como no Camboja). Professores capacitados e motivados. Atrair ao magistério pessoas talentosas (como na Finlândia). Usar a formação de professores continuada e específica, reforçada por mentores (como em algumas regiões da África). Recursos e gestão focados no ensino e na aprendizagem. Utilizar tecnologias que ajudem os professores a ensinar no nível do estudante (como em Delhi, na Índia). Reforçar a capacidade e o poder dos gestores escolares (como na Indonésia), incluindo diretores. (Relatório do BM)

E, terceiro, fazer com que todos os atores estejam alinhados para alcançar os resultados desejados, que é, conforme o BM, “eliminar a pobreza extrema e criar oportunidade e prosperidade compartilhadas para todos” ou nas palavras do presidente da instituição Jim Yong Kim, “Quando bem ministrada a educação promete aos jovens emprego, melhores rendas, boa saúde e vida sem pobreza. Para as comunidades a educação promove a inovação, fortalece as instituições e incentiva a coesão social. Mas esses benefícios dependem da aprendizagem e a escolarização sem aprendizagem é uma oportunidade perdida. Mais do que isso, é uma grande injustiça: as crianças a quem a sociedade não atende são as que mais necessitam de uma boa educação para serem bem-sucedidas na vida.”

Palavras ao vento, o capitalismo está diante da maior crise de sua história. Imaginemos que 50% das crianças e jovens alcançassem índices excelentes de educação, teria trabalho para todos? Pela educação serão as pessoas capazes de realizar seus sonhos? Pessoas altamente educadas não passariam fome? São questões que não podem encontrar sua determinação causal no baixo índice de escolaridade ou aprendizado. E mais, a educação não é uma ilha que possa ser melhorada isoladamente.

Por traz do discurso esplendoroso do Banco Mundial, estão seus verdadeiros objetivos, tornar a educação lucrativa para os capitalistas, transformá-la em mercadoria, privatizando os sistemas educacionais diretamente ou por meio de parcerias com empresas privadas. Diante da forte pressão e das diretrizes traçadas pelo Banco Mundial, os nossos teóricos da academia se parecem a peixinhos de aquário tentando fazer manobras em alguns litros de água. Discutir os problemas da educação passa antes de tudo por discutir estas relações de poder, sem romper com esta dependência não há como discutir o sistema educacional de um país, fica completamente capenga qualquer projeto pedagógico para nossas escolas. A educação vai mal, evidente, o capitalismo vai de mal a pior.

Nacional

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