Quarta, 24 Outubro 2018

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A crise capitalista internacional está por trás da crise no Brasil. O que acontece na Turquia, não é só nesse país, é em todo lugar. Recentemente estourou alguma coisa na Argentina, aqui do lado, que precisou de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional de US$ 50 bilhões. Foi igual ou pior que na Turquia.

No Brasil, a situação não está nada bem. De acordo com números divulgados pelo Banco Central (BC) em 15 de agosto, conforme o  Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-BR), que é utilizado como parâmetro de avaliação do ritmo de crescimento da economia brasileira ao longo dos meses e que serve para antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), houve uma retração na economia de 0,99% no segundo trimestre deste ano. Isso, considerando que são números oficiais, manipulados, e dentro da recessão aberta em 2015.

Na Venezuela, a situação é altamente explosiva. Acabou de surgir mais uma cobrança contra o país, de uma empresa canadense que foi nacionalizada em 2008 e que teria de receber US$ 1.3 bilhões em compensações. Pois Chávez não a expropriou, mas comprou-a. Se não for paga, essa empresa poderá se apropriar dos ativos da empresa de petróleo venezuelana, a PDVSA, nos Estados Unidos. Uma decisão parecida houve com outra multinacional norte-americana há um mês atrás.

A situação da Venezuela está por um triz e o aperto não se tornou maior porque ainda há uma espécie de consenso entre as alas mais de direita e centrista do chavismo e do imperialismo, que têm de tomar cuidado porque o grau de radicalização das massas é enorme.

A América Latina inteira está num grau de crise enorme. A crise no Equador é muito grande. A crise na América Central é fantástica, principalmente em Honduras. México e Colômbia também têm crises enormes.

A crise é geral e atinge todos os países

A crise econômica avança muito no mundo todo. Na Europa com a Grécia, Itália, Espanha, França, Inglaterra e Alemanha. Nos Estados Unidos, na China e na Rússia.

Temos de considerar que no globo terrestre começam a estourar princípios de incêndio em todos os lugares. Ainda não se formou um grande incêndio, mas são princípios. Esse da Argentina foi gravíssimo e o da Turquia está indo pelo mesmo caminho.

O que aconteceu em 2015 na China é grave, era uma situação estável na aparência, mas acontece que o nível de endividamento na velocidade que se processou a partir de 2008 é gigantesco. Até 4 ou 5 anos atrás, com o crédito de quase US$ 800 bilhões ,que o governo chinês jogou na economia para fomentar o consumo, a situação tinha se esgotado porque endividou todo mundo. Aí começaram a especular com terras públicas originando a especulação imobiliária.

Depois, quando estava para estourar em 2015, o governo permitiu a transformação dessa dívida das províncias e dos municípios em outro tipo de instrumento que seria chamado "shadow banking", ou sistema financeiro sombra ou fantasma. As empresas ficaram com um endividamento de quase US$ 20 trilhões. Existem muitas empresas que funcionam somente por conta do apoio do governo chinês, senão quebrariam. Aliás, não é só na China, mas no mundo inteiro.

As empresas não funcionam mais por conta própria. Nos Estados Unidos, por exemplo, a dívida pública continua disparando. Obama pegou essa dívida em US$ 8 trilhões e já está em mais de US$ 21 trilhões e continua aumentando de maneira absurda. A concentração de riqueza por meio de toda uma série de medidas aumenta cada vez mais, enquanto que a concentração do trabalho, ou da pobreza, do trabalho não qualificado, do trabalho sem direitos, etc., nos Estados Unidos é o que aumenta de braçada. A mesma coisa na Europa de maneira geral.

O imperialismo norte-americano precisa estancar a tendência de queda da taxa de lucros dos monopólios e por isso impõe uma guerra comercial indiscriminada.

Então, aplicaram tarifas contra a China e contra outros países, inclusive aliados, envolvendo México, Brasil, Japão, Alemanha. Isso criou um monte de contradições porque, afinal, o capitalismo é um ninho de cobras disputando a riqueza social que seria um ninho de ratos, e quando aumentaram as tarifas em 50% para o aço e em 25% para o alumínio, a Turquia foi atingida em cheio.

Com as sanções dos Estados Unidos e com a resposta turca de retaliar aumentando as tarifas de vários produtos americanos, a crise entre os dois países se direciona no sentido da ruptura da Turquia com os Estados Unidos e com a OTAN.

A China, para se localizar no mercado mundial, como um país imperialista e não mais como uma potência regional somente, se joga a adquirir a tecnologia necessária para tanto e para isso usa dois programas, o Novo Caminho da Seda e o Made in China 2025. Nesse sentido se choca com os Estados unidos e a guerra escala a níveis sem precedentes.

A perspectiva é de novo colapso e da entrada do movimento operário em cena

Devemos esperar para o próximo período novos estouros, parciais, como aconteceu na Argentina, Brasil e Turquia agora. A qualquer momento pode estourar em outro país, mas a situação da evolução da crise tende a avançar da periferia para o centro, que cada vez está mais fraco. Basta ver o endividamento da Alemanha, da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos. E no Japão também.

A qualquer momento alguma coisa vai acontecer, e o mundo vai ser jogado novamente em um colapso capitalista mundial de enormes proporções, muito pior que o de 2008, com o Brasil na linha de frente. Isto porque o Estado burguês está muito endividado para poder controlar e desviar essa crise.

Essa desestabilização da economia mundial que gera a crise política é que vai levar também ao estouro do movimento de massas. As massas não entram em movimento quando tudo está funcionando bem. Entram em movimento quando a crise começa a criar problemas para comer, ou quando a disputa do mercado mundial leva a guerras de grandes proporções.

Para o próximo período a evolução da crise capitalista mundial leva ao aprofundamento da instabilidade e leva ao aumento das contradições entre as frações de classe e, principalmente, das contradições com a classe operária mundial.

Está colocado que a classe operária mundial entre em movimento e quando isso acontecer essa esquerda que nós temos hoje, por exemplo, a burocracia sindical e outras, tende a desaparecer, a ser ultrapassada rapidamente porque já se encontra moribundas. Poderão surgir outras? Sim, mas temos de ver como a luta de classes evolui. Mas a que existe hoje, por exemplo, a burocracia do PT já está quase morta.

O futuro pertence à classe operária, aos trabalhadores e à revolução sem dúvida nenhuma.

Nacional

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