Quarta, 12 Dezembro 2018

dolar

O aprofundamento da crise capitalista mundial continua cada vez mais acelerado e reflete com muita força no Brasil onde o banco Central mantém a taxa de juros SELIC em 6,5% ao ano, quando a inflação oficial está em pouco mais de 3%. Ou seja, é uma taxa de juros muito grande considerando que corresponde ao dobro da inflação oficial.

A alta do dólar que aconteceu no Brasil,  na Argentina e na Turquia, reflete que a situação não está fácil de ser controlada nesses países chamados emergentes, porque é muito desestabilizante o aperto que os monopólios fazem contra esses para tentar extrair por meios parasitários o máximo de mais valia para manter equilibrada a taxa de lucros, que só tem caído desde 2012.

A crise mundial atinge em cheio o Brasil

O presidente do banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que não usará a política monetária para frear a alta do câmbio. O problema é que nesse ano o dólar já se valorizou perto de 20%, e o banco Central tem utilizado métodos totalmente monetaristas para garantir que esse não dispare. Precisa manter o dólar mais ou menos controlado para facilitar a especulação financeira porque quando o dinheiro entra no Brasil para operações altamente especulativas, que seja garantida a remuneração especulativa na saída.

Vimos que na semana de 18 a 22 de junho foram ofertados em swaps cambiais US$ 25,4 bilhões, com mais US$ 10 bilhões nessa semana para manter seguros os especuladores.

Isso é monetarismo puro, dinheiro que está indo para o ralo, para manter os lucros dos especuladores. Também, se não o fizer, mas mantiver todas as amarrações imperialistas, os especuladores conseguem apertar ainda mais e provocar o que se tem visto nesses países, a disparada do dólar, a fuga de capitais, etc., e provocando a desestabilização econômica.

O assanhamento da especulação financeira é tanto que provocou nos últimos dois meses a saída da Bolsa de Valores de mais de R$ 10 bilhões, deixando um saldo negativo de mais de R$ 10 bilhões. Para onde foram esses investidores? Isso nós sabemos bem, foram para onde remunera mais porque, afinal de contas, capital é o capital.

O problema é muito maior do que uma simples candidatura Lula. É uma política geral para engordar os bolsos desses especuladores. E essa política nós sabemos muito bem para onde está levando. Vimos o resultado na Argentina com a política aplicada por Menem, com FHC no Brasil, as políticas aplicadas por Ronald Reagan, Margareth Thatcher, etc.

A crise no Brasil continua avançando, por exemplo, a inadimplência atingindo 62 milhões de brasileiros, um número muito grande. Os números, se bem que manipulados, mas oficiais, do crescimento da economia continuam caindo, baixaram de mais de 2% para 1%.

Desemprego: manipulação nos índices oficiais

O desemprego é fenomenal no Brasil e no mundo apesar de que os índices oficiais são totalmente manipulados. O índice do desemprego nos EUA “oficialmente” seria de 3,8%. Na Alemanha teria caído de 26% em 2011 para aproximadamente 14% hoje. Porém, deveríamos avaliar um pouco o que é chamado de desemprego porque, por exemplo, quem não procura mais emprego há três meses e está vendendo laranja na feira, ou fazendo malabarismos com bolinhas no semáforo, não é considerado desempregado.

Desempregado é quem procurou emprego no último mês. Essa é uma estatística geral em escala praticamente mundial, imposta a partir do neoliberalismo. Se você tem um emprego de meio período porque não consegue arrumar outro, está empregado. Se o seu salário era de R$ 5 mil e hoje você ganha R$ 1 mil, está empregado. E assim sucessivamente. Não se considera qualidade do emprego, não se considera nada.

Considerando os EUA, por exemplo, verificando as estatísticas antes de Ronald Reagan, onde havia uma certa manipulação, mas que não era tão escancarada, o desemprego estaria por volta de 22%. Se no Brasil, por exemplo, avaliarmos com dados um pouco mais gerais, com carteira de trabalho tem 33 milhões de pessoas, que na época do PT chegou a 40.5 milhões, e que tem uma mão de obra ativa de mais de 120 milhões de trabalhadores, temos um desemprego real de 70%, por baixo.

A crise na Argentina               

Na Argentina teve o problema das LEBACs, Letras do Banco Central, que foram usadas um pouco no governo de Cristina Kirchner, mas muito mais por Menem para arrecadar dinheiro e manter controlados os bolsos dos chamados "abutres", os grandes especuladores financeiros. O que tem acontecido é que são taxas hiper usurárias, cerca de 40% de juros ao ano, sendo que o reconhecimento da inflação oficial é de 24%.

É um negócio hiper escandaloso e o vencimento dos títulos de 650 bilhões de pesos há pouco mais de um mês deixou a Argentina em estado de alerta, sobre como pagar. A resposta do ex ministro de economia Cavallo, neoliberal, é transformar isso em dívida pública, mas essa vai inchando cada vez mais, de uma forma exagerada.  Só no governo Macri essa dívida passou de US$ 220 para US$ 320 bilhões e gera juros em cima de juros e desestabiliza o país.

A saída do imperialismo gera mais crise

Na reunião mundial dos presidentes dos bancos Centrais em Portugal, no mês de maio, o grande problema colocado não foi a inflação, mas foi a deflação, que é a queda dos preços devido ao baixo consumo, a redução dos recursos dos compradores, que são os trabalhadores. O problema, por enquanto, é a deflação, mas se houver um estouro da inflação em algum país, esse será obrigado a emitir dinheiro de uma maneira mais escandalosa do que é feita hoje e isso tende rapidamente a gerar mais desemprego e inflação. Isso poderia facilmente estourar no Brasil ou na Argentina.  

O que o imperialismo tem como saída dessa ciranda, onde o endividamento é enorme e generalizado no mundo inteiro, tendo disparado nos últimos 10 meses, é aplicar taxas de juros maiores contra os trabalhadores para equilibrar a queda da taxa de lucros, principalmente impondo a destruição de todos os direitos trabalhistas e sociais como aposentadoria e outros, impondo o modelo que tem sido feito na Europa. Onde isso leva? Só pode levar a mais recessão, a mais crise. E a tendência é o aprofundamento dessa crise econômica a nível mundial.

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