Quarta, 12 Dezembro 2018

laborcai

 

A inflação no Brasil teria caído para 3%, segundo os dados oficiais que são manipulados. O PIB teria crescido 1%. Esse crescimento do PIB teria acontecido após ter caído, nos dois anos anteriores, mais de 8%. Ou seja, foi um crescimento contabilizado a partir de um brutal decrescimento.

No Brasil existe uma grande capacidade industrial instalada e o aumento da produção acontece tomando como base um fundo de poço. Dessa forma, foi possível apresentar um relativo aumento da produção principalmente porque, em escala internacional, os preços das matérias primas têm aumentado por meio de uma série de manobras especulativas.

Na realidade, no Brasil, há uma enorme recessão principalmente a recessão industrial que avança e que coloca o País cada vez mais contra as cordas. Os dados oficiais recentes em relação ao desemprego, mostraram que este começou a aumentar de novo e estaria em torno de 13 milhões. De fato, é muito mais porque de 33 milhões de trabalhadores com carteira assinada a metade ganha um salário mínimo, de fome. Para uma população economicamente ativa, entre 14 e 70 anos de idade, existem mais de 120 milhões de trabalhadores.

O desemprego e a criação de novas vagas com baixa remuneração coloca em colapso o consumo. O próprio crédito tem entrado numa situação complicada por causa do desemprego. Aumentaram os calotes e a inadimplência, apesar da redução dos juros e da liberação de parte do compulsório dos bancos. O investimento privado está praticamente paralisado. O investimento público também está paralisado e, com os ataques da Operação Lava Jato, também se encontra numa situação muito delicada. O déficit público em março foi de R$ 25 bilhões, o que coloca o atual governo como o campeão mundial dos déficits. É uma situação catastrófica.

Os Estados Unidos impuseram cotas para as importações de aço, com uma média de 7% ou menos para o Brasil. Mas o detalhe, nas entrelinhas, foi que, para os acabados, o aço manufaturado, o que realmente rende lucros, a redução foi de 30%. Os semi acabados, por exemplo, representam 80% das vendas. Isso foi aceito pelo país. Existe, é verdade, um excesso de 600 milhões de toneladas de aço no mundo, mas fica claro que nem sequer as próprias regras imperialistas impostas por meio da OMC (Organização Mundial do Comércio), criada a partir do chamado Consenso de Washington em 1989 para favorecer o próprio imperialismo, são respeitadas.

O Brasil aceita absolutamente todas as imposições sem dar um pio. As reservas cambiais em dólares norte-americanos, de aproximadamente US$ 350 bilhões, podem a qualquer momento virar fumaça como aconteceu, por exemplo,  com os chineses que em 2016, para estabilizar o iuane, gastaram US$ 1 trilhão. Recentemente, Maurício Macri gastou US$ 5 bilhões para estabilizar o peso argentino e, para manter a política entreguista atual, se viu obrigado a declarar a bancarrota da Argentina com o pedido de um empréstimo de US$ 30 bilhões para o FMI (Fundo Monetário Internacional). Portanto, numa situação de crise generalizada, as reservas cambiais brasileiras tendem a se esfumaçar principalmente porque US$ 275 bilhões desses US$ 350 bilhões estão em títulos públicos norte americanos. Ou seja, se os Estados Unidos tiverem gripe, o Brasil terá pneumonia.

A crise no Brasil se aprofunda e avança a passos largos. Não há recuperação econômica nenhuma e o aprofundamento da crise econômica se encontra na base da crise política, que força o imperialismo a aplicar golpes cada vez maiores contra os trabalhadores, porque precisa espoliar ainda mais o País para estabilizar a recorrente queda da taxa de lucro mundial.

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