Quarta, 24 Outubro 2018

sereia

Os últimos dados da CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que é um dos organismos do Ministério do Trabalho e Emprego que faz as estatísticas em cima do desemprego no Brasil mostraram que, no último ano, este aumentou em um milhão de trabalhadores. As vagas que foram geradas o foram principalmente na faixa de baixos salários, de até dois salários mínimos. Isso revela que não há absolutamente nenhuma recuperação econômica. Há sim o aprofundamento da crise que se reflete, por exemplo, no endividamento generalizado e na paralisia industrial.

Houve um certo crescimento da indústria ultimamente, mas que está baseado no superávit econômico contra a Argentina, devido às políticas entreguistas de Macri, passou de um superávit de US$ 1 bilhão no último ano do governo de Cristina Kirchner para um déficit atual de quase US$ 10 bilhões, dos quais US$ 8 bilhões são com o Brasil.

Esse tipo de artifícios neoliberais, para manter os países da região integrados ao mercado mundial, não são sustentáveis e conduzem a uma nova onda de crises como as que liquidaram com a América Latina na década de 1980. Uma certa bonança parcial que havia na década anterior acabou porque o poder de consumo das massas é muito menor e o desemprego é gigantesco no Brasil, na Argentina e em praticamente todos os países latino-americanos. Segundo os números oficiais da CAGED, no Brasil, ultrapassa os 13 milhões de desempregados. Apenas 33 milhões de trabalhadores têm carteira assinada, dos quais aproximadamente a metade recebe salário mínimo. Considerando que a força de trabalho é de mais ou menos 120 milhões de pessoas, embora que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) em cima de manipulações seriam 106 milhões, apenas 25% da população têm carteira assinada, e desses 25% a metade ganha salário mínimo. Se isso não é uma crise brutal, além do aumento da concentração da riqueza, então seria o quê?

A crise econômica na base da crise política

No Brasil, a crise econômica avança a passos larguíssimos. Isso revela que junto com a crise econômica há a escalada da crise política. Por exemplo, o incêndio que aconteceu dia 1 º de maio no centro da cidade de São Paulo, num edifício que estava no foco da especulação imobiliária, representa a retomada dos incêndios suspeitos que têm acontecido nas favelas nos últimos anos. Os capitalistas simplesmente desalojam os habitantes que ocupam terrenos ociosos e as construções abandonadas há anos, jogando-os na rua, para dar lugar a um arremedo de "revitalização" urbana, oferecendo os terrenos à iniciativa privada e favorecendo a especulação imobiliária. O efeito colateral é a agudização das contradições sociais.

Da mesma forma, dentro da mesma pressão golpista, houve o assassinato da vereadora Marielle Franco ( PSOL/RJ), os tiros contra o acampamento Lula Livre em Curitiba e o franco atirador que disparou contra um prédio onde se encontravam militantes do PT. Cada vez mais, os sintomas ficam claros no sentido de que o golpismo tenta conter qualquer manifestação de repúdio à política de repasse da crise aos trabalhadores.

A intervenção militar no Rio de Janeiro é uma continuação da intervenção no Haiti, durante o governo Lula em aliança com Bush. Ao mesmo tempo, é uma preparação para realizar essa intervenção em escala nacional. Inclusive, as declarações do comandante do Exército Brasileiro, general Villas Boas, que seria um general legalista, foram contundentemente golpistas refletindo a visão hegemônica do Comando. Na véspera do julgamento do Habeas Corpus do ex-presidente Lula pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o general ameaçou com intervenção militar caso este fosse concedido. Ou seja, se ele não fosse preso, os militares interviriam.

Com o avanço do golpismo, há várias medidas que avançam no Judiciário na direção ao endurecimento do golpismo, como por exemplo o impeachment, em Minas Gerais, contra o petista/tucano, Fernando Pimentel, que herdou um abacaxi enorme do governador tucano Antônio Anastasia, relativo a um obsceno déficit financeiro que o impede de equilibrar as contas.  Aqui ainda há uma série de jogos políticos como quem vai ser o candidato ao Senado por Minas Gerais, quem irá indicar o novo integrante do Tribunal Regional Federal e outras mais onde o PT e o PMDB estão disputando essas vagas.

Como pano de fundo, temos questões como a rolagem da dívida pública, que tem se transformado num centro de especulação financeira com títulos da dívida municipal mais importante do País. E como Karl Marx explicou no célebre livro de 1852, O XVIII Brumário de Luís Bonaparte, a cada ação reacionária dos partidos políticos do “regime democrático”, se fortalece o golpismo que, cada vez mais, aparece como a única solução para o regime burguês de conjunto.

Os militares brasileiros, “preservadores da Ordem e do Progresso”, que agora são apresentados como garantidores da luta contra a corrupção são os mesmos que promoveram a Ditadura Militar de 1964 e sob os quais pesam as acusações segundo a Comissão da Verdade, do desaparecimento de mais de 1.000 pessoas e mais de 9.000 índios na corrupta "conquista" da Amazônia, do super corrupto endividamento do Brasil (a dívida pública pulou de US$ 4 bilhões em 1964 para US$ 60 bilhões em 1985), da hiper inflação, da exportação da tortura, das obras faraônicas todas com muita corrupção e nunca terminadas,  da destruição de todas as instituições e liberdades democráticas com o Ato Institucional 5 dentre outros.

Nacional

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