Sábado, 22 Setembro 2018

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Quando saem os números de que supostamente a economia brasileira estaria melhorando, há que se tomar um pouco de cuidado porque estamos no meio de um golpe de Estado, processo que se dá já há um ano e meio, e que agora avançou mais um passo com a intervenção militar no Rio de Janeiro. Esse processo conforme tem se falado, não ficará restrito só ao Rio de Janeiro, mas sera estendido para outros estados e, obviamente, para o Brasil inteiro. Inclusive porque se trata de um caminho sem volta; nenhuma intervenção militar, em lugar nenhum, tem sido feita para resolver um problema de segurança pública e tem dado resultados positivos. Vejamos o caso das “aldeias estratégicas” no Vietnã, que os Estados Unidos tentaram repetir em toda a América Central, a intervenção do exército no México, na Colômbia etc. Hoje, a catástrofe social que existe no México, e um pouco menos na Colômbia, tem a ver com isso. Então, é óbvio que o Exército brasileiro, entrando com uma intervenção, não conseguira apresentar nenhum resultado, porque é impossível. Se trata de um problema social, que deve ser resolvido por meio de medidas sociais, tais como medidas para criar empregos, melhorar e prover educação publica, gratuita e de qualidade, lazer, saúde pública de qualidade, infraestrutura e serviços públicos, investimentos sociais etc. Tudo isso só poderia ser feito, uma vez que o problema seria o tráfico de drogas, legalizando as drogas.

Intervenção militar para aumentar os ataques contra as massas
 

Conforme foi dito pelas Nações Unidas, em vários relatórios, 60% dos lucros do tráfico de drogas mundial, que movimenta algo em torno de U$ 300 bilhões anualmente, vai parar nas mãos dos bancos. Até por um motivo óbvio: não é possível guardar embaixo do colchão essas quantias. E ainda mais: o maior cartel do tráfico de drogas no mundo é a própria CIA que por meio do comércio ilegal de drogas provém as verbas secretas que são usadas nas agressões militares em diversas regiões do mundo. Portanto, há um problema político grave.

E por que se faz intervenção militar, sendo que é sabido que isso não vai resolver o problema, que é social? A resposta é simples: eles não querem resolver um problema social. O que há é um problema político grave. O imperialismo precisa aplicar com muita força a reforma trabalhista, que foi aprovada parcialmente. Ainda que haja pessoas que dizem que Temer está aplicando tudo que o imperialismo quer, isso não é verdade. O imperialismo quer muito mais. Ele quer tirar as férias, o décimo terceiro, o descanso semanal remunerado, quer tirar todos os direitos. Também quer aprovar a reforma da Previdência que, apesar de mentiroso, nos números oficiais do Orçamento Federal, onde há um montante anual de aproximadamente R$ 1,3 trilhões, R$ 598 bilhões são atribuídos à Previdência Social. Há manipulação nos dados, para, artificialmente, apresentar um déficit. Por exemplo, impostos federais, como a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) teriam que ser destinados à Previdência Social, o que não acontece. A Previdência Rural não deveria ser contabilizada na Previdência urbana, além de várias outras aberrações.

Mas, independentemente disso e também do outro trilhão de reais que anualmente são utilizados para rolar a dívida pública, tem um problema econômico brutal que são esses números hiper parciais que foram apresentados e que nem sequer são considerados. Ou seja você tem um problema estrutural aí gravíssimo.

O que as estatísticas do IBGE ignoram?
 

A dívida pública aumentou trilhões nos últimos anos. Disso não é falado absolutamente nada.

Os juros oficiais por volta de 7% e uma inflação oficial de menos de 3% bate recordes mundiais. É mais do dobro da inflação em juros, que representam, junto com os impostos, quase 25% do PIB anual.

O repasse de dinheiro a troco de nada para os grandes bancos é escandaloso, o que acontece por meio de vários mecanismos.

O próprio número positivo de 1% de crescimento que foi apresentado é muito parcial e manipulado. O que aumentou no Brasil? Em primeiro lugar, houve um certo benefício por meio de sobes e desces da economia especulativa mundial. O que aconteceu? O preço do minério de ferro aumentou. No ano passado, chegou a ficar abaixo dos US$ 50. Neste ano, se encontra próximo aos US$ 70, devido às oscilações provocadas pela especulação financeira. O preço do petróleo que chegou a ficar em US$ 43 o barril, agora está beirando os US$ 70. O preço da soja, o milho, a carne e o suco de laranja estão altos. A suposta melhoria refletiu uma oscilação do mercado mundial em cima da variação dos preços das commodities (matérias primas). Ao mesmo tempo, houve a injeção de recursos do FGTS (Fundo de Garantia) na economia.

Aleatoriamente e junto com a significativa piora na construção civil e nos investimentos produtivos que voltaram a despencar (-15%), houve alguma melhoria no setor automobilístico e até da construção de aviões e outros setores específicos.  Por que? Porque o ponto de comparação foi o patamar hiper baixo de 2015 e 2016. A economia sofreu uma contração enorme nesses dois anos. Em relação a 2014, não houve melhoria alguma.

A verdadeira corrupção é legalizada
 

A questão da dívida pública e o parasitismo financeiro em geral representam o grosso da verdadeira “corrupção”, embora que na sociedade capitalista tudo não passa de meros negócios.

Os supostos números positivos da economia tentam apresentar que o Brasil estaria numa certa estabilidade, que o problema seria a corrupção e que, por isso, os militares teriam que entrar para assumir o poder. Sendo que a corrupção ilegal representa apenas uma parte do problema. Segundo dados da própria Operação Lava Jato, a corrupção na Petrobras representa aproximadamente R$ 50 bilhões. Somente nas últimas quatro vendas de campos de petróleo esse valor se triplica. Estão vendendo nosso petróleo por menos de 10% do valor, o que é muito escandaloso, e ainda sem licitação. Sem contar outras aberrações como, por exemplo, que o minério de ferro - do qual o Brasil é o principal produtor mundial - é vendido à China por 20% do valor. A nota fiscal vai para Zurique ou Cingapura onde são  colocados os 80% restantes, que vão diretamente para a especulação financeira.

A perda de recursos públicos por meio dos chamados swaps cambiais, e da dívida pública é escandalosa. A dívida pública está disparando. O déficit público só bate recorde atrás de recorde; ficou em R$ 140 bilhões no ano passado.

Portanto, se avaliarmos o Brasil em termos mais amplos, não há uma melhora na economia, embora, em alguns aspectos, haja algum crescimento, dado que o desenvolvimento, o subdesenvolvimento, ou o contradesenvolvimento é desigual. Se há algumas melhorias em alguns setores parciais, como um todo, há uma enorme piora, que, por exemplo, se manifesta na questão do desemprego, que é enorme, brutal e hipermanipulado, porque a qualidade do emprego piorou muito. O desemprego real no Brasil, deve ser aproximadamente de 60%, o que também é um reflexo da economia parasitária, ou mesmo da corrupção, do capitalismo. Em resumo, não há melhora nenhuma e de conjunto a situação mundial tende a entrar num colapso no próximo período.

Nacional

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