Domingo, 22 Abril 2018

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Até recentemente houve um grande afluxo de dinheiro “papel higiênico”, sem lastro produtivo, a partir dos principais bancos centrais em direção à especulação financeira. As bolsas foram um dos receptáculos. Isso tem levado, por exemplo, a que o nível de transações nas bolsas tenha sido cada vez maior. Por exemplo, o índice IBOVESPA, em São Paulo, estava há quinze dias atrás em mais de 80 mil pontos, sendo que, em 2013, quando houve um aumento da crise, esse índice estava abaixo de 50 mil pontos. Trata-se de um crescimento, embora que artificial.

Nos Estados Unidos, existe toda uma campanha para aumentar as taxas de juros que, neste momento, se encontram um pouco acima dos 2,5%. Para justifica-la, a burguesia fica inventando estatísticas artificiais, como  que o desemprego estaria ficando menor e outra série de manipulações estatísticas. De fato, nos Estados Unidos o desemprego não está ficando melhor na média, porque a geração de novos empregos implica em empregos de muito pior qualidade. Por exemplo, nas estatísticas, se alguém consegue um emprego por tempo parcial, porque não consegue outro, ele é considerado empregado. Se um trabalhador perde o emprego e, por algum motivo, ele não procura emprego nos últimos trinta dias, ele não será considerado desempregado. Se ele vende laranjas na esquina, também não é considerado desempregado. A suposta melhoria do emprego não passa de uma justificativa para continuar aumentando as taxas de juros.

Qual é o impacto do aumento das taxas de juros?

Quando as taxas de juros são aumentadas, isso acontece porque o mercado de títulos podres, os chamados high yields, que movimenta em torno a US$ 7 trilhões por ano, chegou até 2013 a remunerações de mais de 14% ao ano, por conta da alta volatilidade e do alto risco. O percentual caiu no ano passado, para quase 3%.

O volume de títulos podres que tende a entrar no próximo período, nesse mercado, é muito grande por conta do apodrecimento generalizado da economia. Nesse sentido, há uma pressão para que as taxas de juros sejam aumentadas para viabilizar a taxa média de lucro mundial que tem como um componente cada vez mais importante, justamente, esses títulos ultra podres.

Ao mesmo tempo, o aumento das taxas de juros cria outro problema. Na hora em que as taxas de juros aumentam, começam a aparecer problemas na captação de recursos pelas grandes empresas, principalmente as controladas pelas 150 famílias que dominam o mundo, que, no momento atual, conseguem obter recursos a taxas de aproximadamente 0%. Portanto, há um círculo vicioso insolúvel pela política econômica mundial, que está baseada em medidas monetaristas dado o altíssimo grau de parasitismo financeiro. Se a taxa de juros aumenta então consegue manter a lucratividade, mas impacta a captação direta de recursos que, no grosso, são direcionados para a especulação financeira; se não aumenta, há o problema do crescente volume de títulos podres, inclusive dos US$ 5 trilhões que a Reserva Federal (o banco central dos Estados Unidos) mantêm em caixa e que precisa desovar nesse mercado.
 

A economia capitalista é um “cassino financeiro”

A economia hoje foi transformada numa espécie de cassino mundial, num mercado de apostas e contra apostas principalmente relacionada com os nefastos derivativos financeiros. O parasitismo é enorme e a resolução dos problemas econômicos não têm uma solução a curto prazo, principalmente em relação a esses macro problemas. Para isso, seria necessária a clássica fórmula desde a primeira crise capitalista mundial que aconteceu em 1847: a destruição em massa das forças produtivas. A recessão econômica, mas o grau da crise exige uma destruição ainda maior o que envolve a possibilidade de guerras em larga escala, apesar do mundo nunca viu tantas guerras como nos últimos 40 anos.

A economia mundial nesse momento não está melhorando, pelo contrário, está piorando e muito. Os dados econômicos, as estatísticas e a própria realidade mostram que a economia está indo para um grande colapso capitalista mundial muito pior que o de 2008. O Brasil, neste momento, não será poupado, a crise não chegará como uma “marolinha”, como nas palavras de Lula 2009, estará na linha de frente da crise mundial junto com a Argentina, por exemplo, que também enfrenta uma crise brutal e se aprofundando.

Nesse momento, é preciso analisar friamente a evolução da situação social e política com o objetivo de poder ter uma visão bem clara de onde nós estamos hoje e para onde vai o mundo. A crise só tende a aumentar e o capitalismo não pode apresentar uma saída para os trabalhadores, pelo contrário suas receitas são cada vez mais amargas e sem perspectivas sequer de pequenas melhoras.

Qualquer grupo político que aponte no sentido de uma saída eleitoral para melhorar a situação dos trabalhadores estará plantando ilusões.

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