Domingo, 22 Abril 2018

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No dia 5 de fevereiro, as bolsas de valores no mundo inteiro caíram fortemente após o índice norte-americano Dow Jones ter caído 4,7%. O que está por trás dessa queda? qual é o impacto? e para onde a economia mundial está indo?

Para responder essas perguntas o primeiro ponto é entender exatamente o que aconteceu e contextualizar esse problema econômico e financeiro. Essa queda de 4,7%, de fato, não apresenta uma grande novidade para a economia capitalista mundial. Em 1987, por exemplo, a queda da Bolsa de Nova York superou os 20%. Agora, por que uma queda de 4,7% nos Estados Unidos impactou as bolsas no mundo como a da Inglaterra, Singapura, Tóquio, Frankfurt, e assim sucessivamente, e o que isso significa?

O primeiro ponto para entender o problema é que a partir de 2008, quando estourou a crise mundial, houve uma política colocada pelos principais bancos centrais de todo o mundo, que era repassar recursos para grandes empresas para evitar que elas quebrassem. Somente entre 2007 e 2010, de acordo com informações oficiais do Congresso dos Estados Unidos, foram repassados para as grandes empresas US$ 16 trilhões, o que equivale a quase um ano de produção do País.

Depois de 2010, os repasses ficaram muito maiores, por meio uma série de programas que têm toda uma sopa de letrinhas por trás, como por exemplo, TARF, TARP, e, principalmente, os chamados QEs, ou Quantitative Easing, ou alívio quantitativo. Estes seriam peças chave para entender a crise econômica.

O que significa o “alívio quantitativo”?

Conforme a crise vem aumentando, as grandes empresas para se capitalizarem emitem títulos nas bolsas de valores, os títulos da dívida privada das próprias empresas. Conforme a economia tem piorado, tem se apodrecido, esses títulos perdem o valor. Se formou, a partir de 2008, um mercado de compra e venda de títulos podres, que em inglês se chama high yields. Isso significa que esses títulos podres são comercializados no sistema financeiro por valores bem abaixo do mercado, que oscilam em torno de 30% do valor total.

O que os governos dos Estados Unidos, da Europa e do Japão têm feito? Comprado maciçamente esses títulos pelo valor cheio, que é uma das maneiras de repassar dinheiro para as grandes empresas. Por esse motivo, por exemplo, a Reserva Federal norte-americana, que é o banco central dos Estados Unidos, acumulou mais de US$ 5 trilhões de dólares nesses títulos podres. Os Estados Unidos, nesse mercado de títulos, mobilizam em torno a US$ 7 trilhões por ano.

Isso significa na prática duas questões principais. Em primeiro lugar, que há um fluxo crescente de dinheiro público, mas que não tem lastro produtivo, dos governos para as empresas. Essas operações têm provocado, de maneira muito artificial, a liquidez exagerada no mercado mundial. Há excesso de dinheiro. Por isso que, entre outras coisas,  as taxas de juros têm sido fixadas de uma maneira tão baixa. Em alguns países, chegam a ser negativas. Em cima dessa liquidez, ficou mais difícil alocar o dinheiro para ter lucros.

De acordo com a revista The Economist de um ano atrás, de 28 de janeiro do ano passado, a taxa de lucro mundial caiu 25% por cento em cinco anos e é um fenômeno que tem ficado muito difícil de ser contido.

As famílias que dominam o mundo e a especulação financeira

Para garantir os lucros, os monopólios atuam na especulação financeira de várias maneiras. De acordo com u estudo de 2011 do ETH, o Instituto de Tecnologi de Zurich, que seria o equivalente a MIT, Massachussets Institute of Technology, dos Estados Unidos, existem no mundo 148 grandes empresas que controlam o mundo. Como? Elas são controladas por 28 grandes grupos financeiros como , por exemplo, o grupo City Group, o Alpha Group, da família real britânica, e outros. Eles controlam as 1200 maiores empresas que, por sua vez controlam as 30 mil empresas maiores.

Para a grande burguesia imperialista manter a taxa de lucro média no mundo, aplica na especulação financeira. Depois da crise de 2008, os capitais migraram dos Estados Unidos e da Europa principalmente para os chamados países emergentes como o Brasil, a Índia, a China, a Rússia e outros na busca justamente dos lucros. Hoje a economia tende a ficar engasgada novamente. Devido à especulação imobiliária, os preços dos imóveis triplicaram em vários países, mas está sendo difícil manter a lucratividade nesse sentido.

O aperto da especulação financeira tem se refletido no endividamento generalizado  mundial, que é extremamente maior do que era na década de 1990. Um exemplo clássico é o caso dos Estados Unidos onde, desde a independência norte-americana no ano de 1776 até 2008, quando Barack Obama assumiu o governo, a dívida pública tinha passado de zero para US$ 6,5 trilhões de dólares. Nos dois governos Obama até agora, em dez anos,  a dívida passou para US$ 20 trilhões.

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