Sábado, 22 Setembro 2018

odebrecht

Com a paralisação das obras públicas que estavam sendo levadas a cabo pela Odebrecht, em primeiro lugar, mas também pelas demais empreiteiras como OAS e Andrade Gutierres, outras empresas estão tomando o lugar dessas para a realização das obras. Grandes monopólios internacionais estão executando obras de infraestrutura. Eram monopólios que atuavam principalmente no setor agrícola. Por exemplo, a Bunge gastou US$ 300 milhões de dólares na construção de dois terminais portuários no Amazonas que foram inaugurados em 2015. A Cargill e a empresa chinesa Kof Coagri, que está respaldada nesse momento pelo Banco de Desenvolvimento da China, têm interesse de participar na construção de grandes projetos de rodovias e se valem das estatísticas com esse objetivo. Por exemplo, nos Estados Unidos somente para o transporte da soja, 20% não é realizado por outro mecanismo que não seja o transporte ferroviário. Na Argentina, seria 16%. No Brasil, 65% da soja é transportada por outros mecanismos além das ferrovias, o que aumentaria os custos em 30% por cento.

A paralisação, por exemplo, da rodovia BR 163, no Mato Grosso, até o terminal de Mirituba, que fica em cima da margem do rio Tapajós na Amazônia, durou quatro meses a partir de abril deste ano. Agora a pressão dos monopólios é para que seja continuada. Se trata de uma movimentação aplicada em primeiro lugar pelos monopólios imperialistas onde as empreiteiras brasileiras estão perdendo espaço também nas obras de construção.

Qual corrupção?

Os monopólios que controlam o chamado agronegócio estão deixando de atuar simplesmente na produção agrícola e pecuária no geral para também atuar nas obras de construção, porque a crise é enorme. Isso também revela que o problema principal colocado não se relaciona com a corrupção já que essas empresas também aplicam corrupção onde elas atuam. Há uma farta informação sobre isso. Se trata de uma disputa no mercado mundial em uma situação em que a crise avança. Neste momento, a crise no Brasil tem aumentado muito. A agricultura já representa 23% por cento do Produto Interno Bruto, segundo os dados oficiais, e 45% por cento das exportações totais do Brasil. A agricultura tem crescido a ritmos surpreendentes, por exemplo, no ano passado, cresceu a 30%, alcançando 240 milhões de toneladas métricas na produção de grãos. A produção de soja tem crescido nos últimos 20 anos em ritmos superiores aos 13 %.

O imperialismo impõe para o Brasil o direcionamento da economia para a produção de matérias primas, principalmente agrícolas, porque o País é grande, o clima é favorável, e, nesse sentido, é preciso, dentro da divisão do trabalho mundial, tentar sugar o máximo dos vários países para conter a forte queda da taxa de lucro. É por isso que há uma desindustrialização intensa e um direcionamento do Brasil para a agropecuária. Nesse contexto, também entra a pressão contra os capitais nacionais, no sentido de abrir espaço para os capitais estrangeiros, o grande capital, principalmente o imperialista.

A política dos governos Lula, de criar super empresas nacionais para concorrerem na economia nacional e parcialmente no mercado mundial, é o que o imperialismo não quer. Ele quer o Brasil seja um fornecedor de matérias primas. Essa tendência do desenvolvimento da crise se encontra no âmbito da crise capitalista mundial. Se não houver uma resposta contra o imperialismo o que teremos é o Brasil voltando à época da colônia.

           

Nacional

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