Sábado, 22 Setembro 2018

criseneol

A vida e a sociedade são dialéticas; nada fica parado para sempre, tudo está em movimento. O universo é matéria em movimento. A sociedade é luta entre grupos sociais, entre classes sociais, entre frações de classes sociais e a partir dessa luta se gera o movimento, o desenvolvimento, o progresso. Os ataques da burguesia contra os trabalhadores estão aumentando muito por conta da crise, por conta de que o capital não consegue mais extrair lucros da produção, por conta de que a solução chinesa, que esteve na base do neoliberalismo, está sendo implodida por conta de que os salários dos trabalhadores chineses aumentou do que era na década de 1980 (US$ 30 mensais) para mais ou menos US$ 400 dólares.

Devido ao grau enorme de financeirização da economia, há uma camada parasitária gigantesca e o custo de vida aumentando. Há estimativas que mostram, por exemplo, que o barril de petróleo, antes de chegar ao consumidor final, é negociado nas bolsas de futuros e de derivativos financeiros 30 vezes. O mesmo acontece com a soja, o suco de laranja, o chocolate, os minerais e assim sucessivamente com as chamadas commodities. As matérias primas não são vendidas para o consumidor final. Essas matérias primas, as commodities, são vendidas em bolsas mercantis e de futuros, como as de Chicago, Londres, Singapura, São Paulo etc., onde os papéis são negociados inúmeras vezes, em operações especulativos de apostas e contra-apostas, e os preços aumentam muito. No Brasil, a título de exemplo, a tonelada do minério de ferro, que está hoje em quase US$ 70, sai do Brasil por US$ 14. O minério de ferro vai para a China e os restantes US$ 56 são incluídos na nota fiscal que vai para a Suíça. Isso é uma ciranda financeira, uma situação escandalosa, mas perfeitamente legal dentro da legislação brasileira e internacional. Afinal o que é a corrupção? E quem são os verdadeiros corruptos?

A exacerbação das leis do capitalismo: a composição orgânica do capital

O aprofundamento da crise capitalista faz com que o custo de vida aumente e fortaleça o movimento grevista, inclusive na China, onde a luta pelo salário continua em pé. Isso gera uma grande pressão na China, por exemplo, onde, para conter o impacto do aumento dos salários, tem sido aumentado muito o grau de automatização da economia, o grau de robotização, que é o mais acelerado em escala mundial. O efeito colateral é o aumento da composição orgânica do capital que implica no aumento do capital fixo no percentual da composição do preço das mercadorias.

As máquinas e as matérias primas não geram valor; elas são amortizadas. O que gera valor no capitalismo é somente a mão de obra conforme Karl Marx explicou em detalhes na sua obra prima, O Capital. A quase totalidade da esquerda oportunista patina nisso há anos, caindo, que nem patinho na lagoa, na campanha do imperialismo. Voltamos às críticas hiper básicas contra a economia vulgar que Marx fez.

As leis do capitalismo longe de terem sido superadas, cada vez mais atuam de uma maneira hiper exacerbada e em escala mundial, elevando as contradições sociais a níveis nunca vistos nem imaginados antes. A lei da concorrência não diminuiu por conta da existência de grandes empresas. Karl Kautsky chegou a dizer quando ele se converteu num traidor, que Lenin criticou no famoso livro de 1919 chamado A Revolução e o Renegado Kautsky, quando falava do imperialismo, que os monopólios fariam acordos entre si e eliminariam a concorrência. Lenin disse, naquela época, que não era fato, a concorrência tenderia a se exacerbar em escala mundial, direcionando o mundo para novas e mais sangrentas guerras, que produziriam revoluções e contrarrevoluções. Hoje em dia, o que nós temos é isso mesmo em graus nunca imaginados anteriormente. A concorrência é hiper exacerbada, principalmente na atual situação de crise, que é uma crise das políticas neoliberais que explodiram em 2008.

O grande capital é controlado pelas 147 famílias que controlam o mundo, que são grandes grupos empresariais que em forma de rede, acabam controlando as 30 mil maiores empresas e, a partir delas, o mundo. No centro, se encontram 28 grandes grupos financeiros que, em forma de rede, controlam até 1.000 outras empresas conforme revelou o estudo realizado pelo ETH (o instituto de tecnologia suíço) em 2011. Tudo isso exacerba as contradições. Exacerba todas as leis do capitalismo, em primeiro lugar a composição orgânica do capital. Exacerba o problema da lei da reprodução ampliada do capital; o capital só consegue se reproduzir sempre se ampliando senão quebra. A contradição entre a burguesia e o proletariado; este é o conjunto dos trabalhadores. Há contradição entre a própria apropriação privada dos lucros enquanto a socialização da produção é cada vez maior em escala mundial. Ou seja, todas as leis do capital veem as suas contradições se exacerbarem cada vez mais.

O capitalismo avança a passos largos para um novo colapso de gigantescas proporções devido à ação das próprias leis, devido à impossibilidade de colocar em pé uma nova política, alternativa ao neoliberalismo, devido ao imenso, e em aumento, parasitismo.

Nacional

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