Domingo, 16 Dezembro 2018

carro

A crise política reflete o aprofundamento da crise econômica. A propaganda da burguesia, principalmente pela grande imprensa e redes de televisão, com a Rede Globo à cabeça, apresentam como elementos positivos neste momento, por exemplo, os juros e a inflação terem caído.

Os juros oficiais (a taxa Selic) caíram para um pouco mais de 8% e a inflação para pouco mais de 2%. Mas a economia brasileira sofreu uma contração de quase 10%. Os juros se encontram quatro vezes acima do índice da inflação oficial o que demonstra o brutal parasitismo. E de fato quando são analisados os juros ao consumidor final, eles se encontram, no melhor dos casos em 60% ao ano, o que equivale a 30 vezes a inflação e quase oito vezes a taxa de juros. Mesmo assim, houve um certo aumento, por conta da queda dos juros, da venda de automóveis.

De acordo com os últimos dados publicados pela Fenavrave (Federação Nacional de Revendas de Veículos), houve uma queda de 7,11% em setembro em relação a agosto, mas, mesmo assim, a Fenabrave espera um aumento das vendas de veículos de quase 11% neste ano, na comparação com o ano passado. Para a venda de ônibus a expectativa é de um aumento de 4%. Mas para os caminhões se espera uma queda de 2% e as motos uma queda de 13%. Os caminhões representam a movimentação de cargas, já que no Brasil o transporte de mercadorias é basicamente rodoviário. E em grande medida a venda de motos representa o trabalho de motoboys. Ambos indicadores refletem a recessão da economia brasileira.

O Brasil rumo ao abismo

A produção industrial se encontra paralisada, com a expectativa de crescimento de 0% para este ano. O que acabou tendo um progresso nesse último período, foi principalmente a indústria vinculada à exportação de matérias primas agrícolas como açúcar, soja etc. Não há a abertura de novas fábricas.

A produção de meios de produção continua em forte queda. Nos últimos 12 meses, até março, havia uma contração de mais de 20% que agora teria se reduzido para algo um pouco superior aos 15%. A crise está longe de ter sido controlada.

O déficit fiscal do Brasil, até o mês de agosto, está em quase R$ 158 bilhões o que, somado aos últimos dois anos, supera os R$ 500 bilhões. A implosão das contas públicas tem provocado um aumento enorme da dívida pública.

Se diz que o desemprego teria caído de 13,3% para 12,6 %, mas, na realidade, o desemprego no Brasil continua altíssimo. Há muita manipulação das estatísticas já que na realidade, de uma força de trabalho que hoje está próxima aos 120 milhões de trabalhadores pouco mais de 30 milhões têm Carteira de Trabalho assinada, e destes, em torno da metade ganha um salário mínimo.

Para fechar as contas públicas, nesse momento o calcanhar de Aquiles, é que o governo está entregando tudo da economia a troco de banana, por imposição do imperialismo. Recentemente, foram vendidas quatro usinas da Cemig, que representam 37% da capacidade de produção de energia elétrica no estado de Minas Gerais, por apenas R$ 11 bilhões; um negócio de pai para filho. Houve um novo leilão do Pré-sal onde foi vendido um campo de petróleo por R$ 3,5 bilhões. Somando esse leilão aos outros 3 leilões anteriores, a diferença entre o preço real e o preço da venda, deixou um rombo equivalente a pelo menos três Lava Jatos. O desvio de dinheiro legalizado daria uma cifra de aproximadamente R$ 150 bilhões. É o império da roubalheira legalizada a serviço do grande capital enquanto se faz uma campanha feroz sobre a suposta luta contra a corrupção.

Orçamento público de 2018: mais um massacre contra os trabalhadores

O Orçamento Público Federal de 2018, que está para ser votado, impõe cortes em massa dos programas sociais, na educação, agricultura, programas e investimentos em infraestrutura, etc. Mesmo sabendo que o Nordeste sofre de estiagem há mais de seis anos, na proposta do Orçamento de 2018, se propõe reduzir o programa de construção de cisternas de R$ 245 milhões para R$ 20 milhões.

As ações de assistência social financiada pelo Fundo de Assistência Social (FAS) estão caindo de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,8 milhões. O Bolsa família está sofrendo um corte de 11% e irá deixar sem benefício a dois milhões de famílias.

O PAC (Plano Acelerado de Crescimento) está saindo de R$ 33 bilhões para menos de R$ 2 bilhões. No caso das universidades públicas o orçamento está caindo de R$ 15 bilhões para R$ 5 bilhões.

Se trata de um verdadeiro massacre da economia brasileira, contra os trabalhadores e a favor do grande capital. Como não está havendo investimento privado no Brasil, o que veremos será uma forte contração da economia para o próximo período que cada vez tende a ser pior.

No contexto do aprofundamento da crise capitalista mundial, o Brasil se encontra na linha de frente. Um novo colapso de grandes proporções está colocado para o próximo período. O Brasil estará na linha de frente do abismo, junto com a Argentina e alguns outros países. É justamente o aprofundamento da crise o fator fundamental que colocará em movimento novamente o movimento operário mundial.

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